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2009/06/27

Tropeço na Bainha das Minhas Calças

Um suspiro ao longo da rota de um caminhante com cãibras nas mãos e pulmões esgotados. Fôlego recuperado de uma trip mais acima dos 40 cujas rampas da A5 não permitem ensaios de dicção. Nem de direcção.


Video Credits: theblackboxrevelation @ youtube.com

I Think I Like You, pelos The Black Box Revelation
:-:-: The Black Box Revelation, via Kraak FM <'+++<

2008/07/06

Não Mates as Aranhas


Deixara-se ir, separada, na esperança de ver que o monte se iria despertar. Caminhava em direcção a um ponto qualquer que havia fixado, mesmo não sabendo para onde ir. Por vezes pensava em montes e montanhas, vulcões e labaredas, aranhas e vespas. Notara que apagava a pouco e pouco a sua voz e isso deixava-a traumatizada, com vontade de protestar porque já lhe doíam os pés e nada acontecia que a fizessem suportar tal dor.

Apesar de jovem, começava cedo a perder a sua ilusão quando reparava que a insónia bloqueava a sua vida. Cedo achava que já não queria ver ninguém, remetendo-se para um silêncio exausto que ela própria não sabia explicar.

Como se desse conta que há coisas que começam a ficar fora de moda.

2008/05/08

O Milagre das Coisas Que Eram Minhas


A propósito da Undergrave Productions, ainda hoje me tornaram a dizer: "Fogo! Tu consegues tudo o que queres.", afirmação bonita e de certa forma, expressiva, embora algo me tenha novamente caído mal...

Wrong! Consegui algumas coisas nesta vida, a maior parte delas com muito suor. Não tenho a pretensão de conseguir tudo o que quero, até porque duas delas, apenas duas, são praticamente impossíveis de as (voltar a) ter, confesso.

Assim, vou conseguindo outras, através de mapas da surpresa, através de cabos que se contornam para nascente, através de ilhas com nomes novos, através de bússolas transparentes e compassos luminosos.

Sempre a tentar que o longe fique mais perto.

[photo by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/05/04

Tune In For... MAMI


Mãe, felizmente poucas foram as noites que te dei sem descanso, medo e incerteza. Mesmo nestas sempre bem soubeste os seus significados e logo a seguir reencontraste-me a um nível superior.

E tu... tens uma coisa linda, aquelas coisas próprias de
mãe, ou seja, guardas tudo no teu coração, mesmo quando algum sofrimento te oprime. Os teus planos de amor e sabedoria ajudam-me sempre a partir os tijolos do muro que me rodeia. E não me queixo. E agradeço-te. E sinto-me sempre assim quando me dás a tua mão. Amo-te! Vem comigo mais uma vez, desta vez não a Hollywood, mas a Praga. :)

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 27 Abr '08]

2008/05/03

A Melhor É a de Trigo


Mas é claro que apesar da minha alegria relativa e mesmo que me liberte das coisas comezinhas de trazer por casa, já James Murphy muito me ensinara sobre as nossas tribulações. Se há perguntas que antes fazia com alguma amargura, hoje verifico que há consolos próprios pelos quais nos devemos agarrar e através deles conquistar os nossos próprios méritos.

Há dias dizia que confiava no poder da minha confiança. Quanto mais confio, mais acho que ela se concretiza.

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/04/28

Uma Questão de Fuso Horário


Quando os sinos das igrejas de Praga anunciam, em voz alta, os simples mistérios da minha própria vida, é altura de pensar que a minha alegria é pequena comparada à insignificante dor que sinto quando, próximo à minha garganta, se encontra um bocado de comida quente. De alguma forma também misteriosa ando com ela a rolar, entre os dentes e o céu da boca, até que ela arrefeça.

Como a comida quente custa a arrefecer o melhor mesmo é empurrá-la com um copo de vinho. Aceita-se portanto que ela não sabe a nada.

São estes pequenos acontecimentos que me permitem concluir que o tempo não se expande.

[photo by Kraak @ Castelo de Praga, Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/04/23

As Rotas Circulares



A propósito de rotas e existências, existem carreiras que são circulares.

Existência



Dizer que nunca ignorei as palavras dos outros talvez seja demasiado forte. Sempre precisei delas. E das minhas. Os outros que procurei, com as suas palavras, sempre abrangeram um vasto leque de indecisão, inocência, força, sentido e sobretudo de existência, pois para ouvirmos outras palavras é preciso saber onde as buscar. Não apenas uma, mas duas, três ou quem sabe, quatro ou mais.

Se somos o que a nossa gramática aceita como palavras correctas, pelas veias que habitam o nosso corpo passam frases prontas que ecoam os nossos sentidos, nomeadamente o da audição. Tanto ouve o coração como a mente.

As rotas por onde vou partem de mim próprio. Sou eu que as escolho. Nunca me obrigaram a ir para a esquerda quando sabiam que eu queria ir para a direita. Nunca me proibiram de ir para a esquerda quando sabiam que me iria custar muito se para lá não fosse.

2008/04/22

Olhos Fechados. Cara Molhada.

"Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around.

We talk about it all night long
We define our moral ground.
But when I crawl into your arms
Everything comes tumbling down.




Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.





Your face has fallen sad now
For you know the time is nigh
When I must remove your wings
And you, you must try to fly.

Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around."

[The Ship Song, por Nick Cave & The Bad Seeds]

2008/04/16

A Transição





Where are you going?






[photo by Kraak @ Dublin (IE), 5 Abr '08]

2008/04/05

A Vida Cumpre o Seu Ciclo


No momento em que a agulha continua a tocar o disco, penso na magia de uma fuga e no que me sai através do teclado do computador. Uma magia que não fez de mim a deusa Banba, uma fuga que coincide temporalmente com a minha última absolvição. Como se para me perdoar a mim próprio, preciso primeiro perdoar todos os outros, o que já de si não é uma tarefa fácil. Portanto a clemência alcança-se ao fim de algum tempo, se é que um dia poderemos ter o direito de a reclamarmos para nós próprios.

Revestindo uma saga já passada, embora desta vez sem comparações à minha fragilidade existencial que permitiu a criação desta Paixaum >+++'>, volto a tentar percorrer os caminhos da magia que esta terra me permitiu, mas plenamente consciente de que só os comboios de brincar é que andam aos círculos, por pistas que montamos no chão dos nossos quartos. Consciente de que não se apanha um qualquer comboio temos que ter cuidado com os assentos, sobretudo os de madeira, para que a inercia não nos atire um qualquer cavalinho, um qualquer carrinho, um qualquer boneco Walt Disney, como se estivéssemos num parque de diversões, a girar, ao contrário da Terra, em torno de um eixo vertical assente no chão.

Para quem se apercebeu que nos parques de diversões só existem comboios fantasma, recomenda-se a fuga deles, enquanto ainda há tempo, porque estes andam em circuito fechado.

Certo? Certíssimo!
Um destes dias, quem sabe, volto a falar bonito.

2008/04/04

Stella Polaris

Num livro que não foi escrito, talvez eu não tenha existido. A impressão daquilo que é estranho é tão claro como a Terra girar sobre o seu próprio eixo. O peso da ausência actua como as estrelas que parece girarem à volta da Estrela Polar. Constelações e brilhos à parte, porque as ursas actuam como os sinais matemáticos de desigualdades: maior, menor, mas nunca igual, há que dar o sentido estrito aos pontos que coincidem com a projecção da Terra.

Nas minhas rotas marítimas, deixo-me guiar pela Cynosura. Em terra continuo a guiar-me por ela, já que o eixo da Terra aponta sempre para a Stella Polaris.

[photo by Kraak @ Estação de Entrecampos (ML), Lisboa, 3 Abr '08]

2008/03/21

Músicas Que (Ainda) me Fazem Chorar: Hoje, I Still Remember

Passado pouco mais de 1 ano do aparecimento do tema "I Still Remember" dos Bloc Party, pergunto-me como é que um clip e uma música podem ajudar a fazer o retrato deste blog...


Video Credits: wichitarecordings @ youtube.com
by Bloc Party, "I Still Remember", extraído do álbum 'A Weekend in the City', 2007.


Os comboios não têm mastros, mas no mundo moderno, a maioria deles tem pelo menos um pantógrafo ou se alimentam através de um terceiro carril.

2008/02/11

Os Cegos Também Amam


O amor nos homens é uma figura inconstante. Ao longo da vida chega a ser engraçado ver o que se perdeu e o que se esqueceu. Ou o que ainda está presente, apesar de perdido. Os cegos que se apaixonam, apesar da fraqueza ocasionada pela visão que não possuem, não conhecem a mágoa daqueles que aterram nos seus olhos, não conhecem os olhares demorados de despedida nem conhecem o brilho do sol quando este sorri.

Apesar de tudo, não quero ser cego. Ninguém apaga a cor da luz que vi e que vivia nos teus olhos. Mesmo que permaneça acordado num colchão de espinhos.

2007/12/04

I'm Guided by Strange Lights


Nada como no fim do dia de hoje, após sair descontrolado do cinema, chegar a casa e mais um atribulado episódio da Anatomia de Grey assistir, sentar-me aqui e verificar que as rotas de cada um nem sempre se encontram nos mares, embora por lá possam passar. Espantado ficaria se desse à costa, nu, após a tempestade, sem saber que direcção seguir.

Respiraria contudo, mas a água que traria, só estaria presente na minha face.

Hoje chega o tema #28: "Strange Lights" dos Deerhunter, extraído do álbum 'Cryptograms'.

"In space all things are slow
the sound of speakers blown
the silence fits the scene
the prince is now the king

we walk into the sun
we walk we cannot run
because walkings half the fun
we walk into the sun

and neon blurs my sight
I'm guided by strange lights
I'm rattled and im stunned
as I walk into the sun
"