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2006/11/27

"Queria de ti um país de bondade e de bruma..."



"... queria de ti um mar de uma rosa de espuma."

Mário Cesariny, uma das maiores figuras do surrealismo português, melhor afirmado como artista no mundo da poesia do que propriamente no mundo da pintura, já não está neste mundo connosco. Ele que afirmava que ser surrealista "não significava pintar um porco de patas para o ar", deixou-nos um grande espólio cultural que importa aqui registar.

Com base nas suas palavras, gostaria de acrescentar que num mundo onde hoje já quase ninguém lê poesia, há muita gente que ainda gosta de ler grandes clássicos da literatura. Será isto surrealista? Talvez. Não sei. Só sei que a poesia pode estar dispersa pelos mais variados espaços: quer num artigo técnico de um qualquer jornal quer mesmo na própria música rock. Por exemplo, se determinados compositores compõem canções e letras dirigidas para os jovens, tentando de alguma forma passar a imagem de como a malta mais nova vê e sente o mundo, será que isto não é considerado poesia?

Regista-se aqui um dos poemas mais belos de Mário Cesariny, talvez aquele que mais se identifica comigo.

ESTAÇÃO

"Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te

vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver
se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me,
pois chove miudinho


Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci

embora bem procurado entre os mais que passavam.

Se algum de nós vier hoje
é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça."

Belo, não?

"De outras, esperei-me eu e não apareci."

Para mim, a tua estrela aparecerá sempre a brilhar neste céu imenso...