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2008/06/30

A Atmosfera


Quase que deixava propositadamente passar as horas à espera do dia dia seguinte, dia que ansiava por estes apontamentos de pele alva. Sossegado, esperei que o dia se transformasse em noite, para tornar o meu cérebro alegremente espantado pelas abertas radiações solares do dia que se fez e, pela noite que ainda assimilava tal nudez.

À certa altura, procurava uma palavra certa, um termo adequado, mas nenhum deles me surgiu, apenas o gesto directo e honesto, como se um poderoso encantamento me dominasse ao mesmo tempo que o meu coração batia no interior do meu peito, como se um trovão rasgasse as nuvens que pairavam entre a atmosfera e a Terra.

Lua e mar como testemunhas, todo o brilhante cenário se transformara em maravilhosos momentos, plenos de melodia, no limiar entre dois mundos.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/27

A Falência Técnica


ocorre quando atravesso, no meio do calor da hora do almoço, a Av. da República, e verifico que, ao ouvir numa das minhas intermináveis playlists, o tema "The Other Side", dos The Strokes, o combustível do meu iPOD acabou. De qualquer forma, no meio da avenida e ainda antes do iPOD se apagar, ainda fiquei a saber pelos The Strokes que ninguém estaria do outro lado da avenida à minha espera.

2008/06/23

Pois... É Mesmo Too Loud


Do trabalho ou da universidade pouco importava. De comboio ou de carro também não fazia diferença. Encontraram-se finalmente. Cada um com histórias diferentes, como se tivessem ambos sobrevivido ao fim do mundo, mesmo que durante alguns segundos, parados permaneceram com a cabeça erguida e com um sorriso quase de primeira página. Ninguém comera como deve ser numa conversa tão animada como comprida que tomou conta das personagens, como se a vida adulta não passasse tão depressa, como se o tempo se assustasse consigo próprio pelo prazer dos ponteiros do relógio avançarem de forma lenta.

Nesta mesma manhã ao acordar com o vento que lhe baloiçava as cortinas da casa, apesar do verão já presente, só pensava que o dia hoje, para seu próprio bem, deveria correr muito depressa, num abrir e fechar de olhos, como se as divergências pudessem alguma vez violar a revolução que ambos tentariam alimentar.

A uma determinada altura o relógio tonto teve que dar sinal, mas ao mesmo tempo avisou que ali, ninguém iria morrer, porque a escama prateada talvez fizesse parte da cripta subterrânea que uma deliciosa barra de chocolate traria à superfície, como se ao chegar a casa ambos tivessem a necessidade de elevar o som do amplificador, nem que fosse para sentir o mar mais perto.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/21

Faz Já a Mala!


Foi curioso imaginar que por volta do meio dia de hoje, o tema "Paris", dos Friendly Fires rodava cá em casa em modo repeat. Curto muito esta música. Mesmo. Ela passa uma mensagem tão fortalecedora, como se no meu desconcerto deste dia quente eu estivesse em casa a tremer de frio.

Não que queira ir viver para Paris, mas a música "Paris" ajuda-me a realizar o meu feng shui periódico, respondendo aos amigos porque ando de determinada forma. Não há muitas músicas assim: que nos põem para cima, que nos fazem sorrir e a pensar (de forma ingénua) que vamos ser felizes para o resto da vida com a juventude que o verão apresenta. A vida é muito mais dura que isso. Resta-me, no dia de hoje e nos próximos 3 meses, sem caranguejos, sem escorpiões e sem peixes, acumular energia para nos meses frios continuar a ter a maturidade de ter acumulado um pouco mais do meu crescimento.

O videoclip deste fantástico tema pode aqui ser visto. Outras informações sobre os Friendly Fires podem ser obtidas, via Kraak FM <'+++<, através deste link.

"Paris" é seguramente um dos temas de 2008! :)

2008/06/07

O Contraste


Passar o sábado em casa a descansar e a ouvir músicas entretanto guardadas na cave do meu cérebro permite-me concluir que, quando as nuvens já não sabem a qualquer coisa metalizada, é altura de finalmente acreditar que o tempo quente começa a chegar.

Com ele eu consigo compreender que ainda me possa sentir triste, mas, embora possa ser difícil, tento ver as possibilidades de continuar a aguardar para que eu próprio me compreenda. Olho para mim mesmo e tudo o que vejo é a minha tristeza auto-reflectida. Olho para o exterior e seguramente vejo que o verão está a chegar.

Como se exteriormente tudo corresse bem e interiormente algumas tristezas são dificeis de ultrapassar. Ainda.

O tema "It's Summertime" [MP3 cortesia de Nathaniel através do blog I Guess I'm Floating], dos The Flaming Lips, do álbum 'Yoshmi Battles the Pink Robots' foi um dos responsáveis por este apontamento.

[photo by Mano Joca @ Trinity College, Dublin, 6 Abr '08]

2008/01/31

Palavras em Modo Dinâmico


Não são as palavras que se estragam. Não são as palavras que estragam os corpos que quisemos ou as palavras que não dissemos. Torno-me ao contrário dos outros: em vez de dispensar primeiro o número do telemóvel, acabo por primeiro perder o teu rosto, depois o resto do corpo, depois as palavras, para finalmente dispensar a morada e o telefone. Tudo por ordem contrária. Como num retrocesso. Como partir do fim, para chegar ao princípio até cumprimentar o nada.

Recordo-me que (já) era uma noite de verão, embora amena. O impossível era despedir-me de ti porque chocolate não rima com saudade e entre o chocolate sólido e o seu estado líquido, só tive mesmo tempo de deixar que corresses para mim. Só tive mesmo tempo de voltar a correr para ti.

Fim. Princípio. Fim.
I Am Murdered.

2007/12/09

If You Know What I'm Talking' About


Não moro no verão, sou produto do inverno que tenta transformar, sem auxílio do aquecedor, o frio numa temperatura mais elevada. Encostei-me, encosto-me. Gero energia, dei-te o sol nos dias mais cinzentos. A prova da minha juventude reside na minha ainda frescura fluorescente e adolescente. A primavera iluminou a minha juventude. O verão consolidou-a. O outono, normalmente, vira de pernas para o ar o chapéu de sol ainda implantado nas areias da minha memória.

Para não perder a vida, aqueço-me com a minha residual energia. Nas rajadas de vento do passado. Estou preparado para isto? Tal como os The Go! Team, também dizia Josh Rouse com o seu "Love Vibration", "then you people all know what I'm talkin' about?".

Hoje chega o tema #23, um dos hits de 2007: "Grip Like a Vice" dos The Go! Team, extraído do álbum, 'Proof of Youth'. Mais informações sobre os The Go! Team podem ser lidas aqui.

"so get ready for this
get ready for this
party people in the place, get ready for this
to you!
so what you gonna do?
and do you wanna rock the house and turn this motha out?!

fly girls, are you with us?
and if you're ready to rock,
to help me turn it out
fly girls, are you with us?
and if the world know what we're talkin' about
and if the world know what we're talkin' about

to all the ladies (yeah!):
i want you to listen
hey, ladies! (yeah!)
1980!
watch out for the fellas (yeah)
that'll drive you crazy
look out, ladies! (yeah!)
and if the world know what we're talkin' about!
"

2007/07/30

Varre a Água


Queixavam-se da chuva em julho? Que saudades que eu tenho dela! Nem que tivesse que usar estes sapatos!

O problema não seria usar os sapatos, mas sim decidir qual seria a côr que iria optar.

Este calor dá-me cabo da cabeça e não consigo postar nada de jeito. Felizmente a temperatura baixa amanhã para valores normais.

2006/08/21

Petróleo e Álcool


Não sendo um ciclista que pedala sozinho pelos campos, pelas ruas ou mesmo pelos diques da Holanda, posso sempre falar para o lado ou pensar para mim próprio uma série de coisas, como se a minha cabeça funcionasse, de repente, com 2000 Mb de RAM.

O Verão é uma estação que nos permite pensar como foi a estação anterior onde a paisagem era de um verdadeiro panorama florido. Hoje é bom espreguiçarmo-nos numa daquelas tardes de domingo as quais antecipam o cair da folha e imaginarmo-nos no interior de um bar de cores acastanhadas, onde a nicotina se encontra entranhada pelas paredes há muitos anos. Sentado à mesa ou de pé no palco, a fazer observações mordazes sobre o quotidiano da vida, mesmo quando já se disse o suficiente mal da arte exposta nas paredes e que (suposta e curiosamente) está à venda: aquilo a que se costuma chamar 'Arte de Merda'. Por outro lado, muitos grafitis que insistem em classificar como "abaixo de cão", possuem muitas vezes uma arte simples e directa, sem abstracção.


Queria mais energia, mas menos poluição, para que esta nunca apague as palavras escritas nesse viaduto.

[ photo credits: Lo-Fi-Fnk ]

2006/08/13

As Beatas no Cinzeiro Sabem a Mentol


Há tempos comprei um livro chamado "Is it just me or is everthing a shit?" o qual li praticamente metade quando regressava há 2 meses de Londres. O livro é curioso, não é que seja uma grande literatura, mas serviu para encarar algumas realidades (hilariantes) da sociedade britânica. Ultimamente tenho andado a pensar no livro... especialmente no seu título, porque acho que seria capaz de escrever 5 volumes sobre a sociedade lusa.

Na realidade estes dias que estive por casa serviu para concluir que ando um pouco farto de determinadas pessoas. Parece foleiro dizer isto, mas é que não há mesmo pachorrinha para a gentinha com que um gajo tem que cruzar todos os dias, senão vejamos:

- o movimento rodoviário em Lisboa e arredores, apesar de reduzido, tem estado uma perfeita LOUCURA! Nunca vi tal coisa. Conduzem como anormais e depois ocorrem acidentes desnecessários... desde uma gaja parada em pleno IC19 (faixa central) porque ficou nervosa com um furo e não sabia o que fazer e pumba! este levou com um carro pelas costas;
- este também parado ao sinal (vermelho) leva com um camião;
- as pessoas que andam na rua parece que andam a conduzir os bois e as mulas na terra;
- a minha vizinha interrompe o meu descanso duas vezes para me apresentar o neto com 5 meses. FUCK! Quero lá saber do seu neto!
- a pirosa do 3º andar deu-se ao trabalho de descer 3 andares e vir bater o tapete da sala... na varanda da vizinha do R/C (esta não deu conta);
- o puto gypsy que mora aqui ao pé teve o descaramento de me dizer que o cão não pode fazer cócó na rua a menos que eu limpasse "a merda que ele fazia" (HAHAHA!). Eu perguntei-lhe o que fazia eu de saco e toalhetes na mão... se seria para limpar a trampa que eles mandam da janela para a rua, desde fraldas, comida, vidros e pensos higiénicos;
- o insuportável do monga que mora ao pé do prédio dos meus pais tropeçou no Golfinho (cão dos daddys), quando este estava preso e de trela. O cota foi ao papel e disse que a culpa era do cão e que a minha mãe tinha que lhe pagar uma dentadura nova...;
- há uma imbecil que mora aqui ao pé que praticamente todos os dias a vejo chegar de carro à noite (normalmente estou na rua com o cão). A tipa é completamente DOIDA! Há dias até estive a observar de surra a quantidade de vezes que ela fecha e abre o carro, num vai e volta alucinante, para ver se está tudo OK com a sua latinha, tipo a confirmar se o carro está MESMO fechado;
- outra monga que mora aqui ao pé stressa bué porque não quer que eu passeie o cão ao pé dos gatos vadios que ELA alimenta. É ou não é para embirrar? Quando ela vê que o cão anda sempre preso e quando ela sabe que o cão já nada vê...;
- o brasuca ali do prédio de ladeiros andava ontem às 2 da manhã em cuecas a falar ao telemóvel à porta do prédio...;
- outros brasucas aqui do morro há dias traziam uma gigantesca extensão que partia do 3º andar do apartamento onde se escondem e que passava por dentro da amoreira e culminava no aspirador que tratava de limpar o carro;
- a coitada da mulher do administrador do prédio insiste em chamar o meu cão de "Black" quando há pelo menos 12 anos que ela sabe que o seu nome é "Brac". Não vale a pena...;
- ... e os blogs? Deve ser do verão... por favor! Não é à toa que cada vez que percorro a lista dos links, há sempre um que vai ao ar. ARGH!

Há mais uma data de coisas que eu nem me atrevo a citar... Isto tudo parece um cheiro a perfume de doninha... Se essa malta observasse o que lhes sai da boca e da mente, duvido que os seus olhos estariam acima disso.

Preciso férias e adaptar-me a esta vida moderna.

2006/06/21

Abundância da Vida


E assim continuamos a crescer! Com a harmonia e a energia desta nova estação do ano que hoje começou, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa.

Rios, mares e margens cheios de peixes, escorpiões e caranguejos para o solstício de verão em 2005, sem esquecermos em 2006 a inclusão das plantas que acordam cedo para receberem o alimento do Sol.

Um Feliz Verão é o que vos desejo.

2005/06/21

Navegador Ao Acaso



O que os olhos neste dia abriram

são as cores de um dia quente e
os sítios frios que outrora nos inquietaram

No maior dia do ano
haverá pássaros com asas rasantes sobre um rio
com sede de luz e destino

Rios, mares e margens
cheios de peixes, escorpiões e caranguejos
onde a brisa irá soprar como noutras paragens

Festeje-se o início do verão
mas não devemos esquecer
que o outono é a seguinte estação.

Pausa. Para aquecer.