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2009/01/23

Lo-Fi


A capa pode ser horrível, mas a t-shirt é linda. Como se as horas passassem devagar, penso em como o exterior pode não retratar o interior das pessoas. Ou o contrário. Isto parece a retórica habitual de uma dúvida sobre a existência das pessoas.

Dado o lançamento anunciado do novo álbum dos Handsome Furs, fui levado a recuperar o último e único álbum desta banda canadiana, 'Plague Park'. Às vezes queremos recomeçar as coisas desde o princípio, como se não tivéssemos vindo de lado nenhum, e andamos às voltas até chegar a hora de irmos dormir. Os dias passam-se assim. A vida, ao contrário das horas, passa muito depressa.

É o que eu digo: estar em casa faz-me mal.

Para ouvir:
Cannot Get Started, pelos Handsome Furs
:-:-: Handsome Furs, via Kraak FM <'+++<

2006/02/24

Indignação?


Ainda sobre os Arlequins deste mundo, sentem-se os muçulmanos indignados por uma caricatura de Maomé com um capacete na tola e uma bomba? Pois olhem, na realidade estou-me nas tintas para a vossa primitiva guerra santa e para todos os extremismos que vos une, ou que une pelo menos alguns de vós, ou que une pelo menos alguns interesseiros em criar determinados sentimentos na população mundial, corroborados por alguns países ocidentais, com interesses económicos na manutenção da tensão entre estes dois distintos mundos. Mas a realidade é que também em nada me afecta as caricaturas que se fazem para o lado de cá. Papas, Bushs, Blairs, Cavacos, o Raio que vos parta a todos são coisas que não me incomodam absolutamente. O que me preocupa, incomoda e que de facto me deixa indignado e revoltado, são as fotografias abaixo.

Não se percebe, pois não?

E agora, já se pode imaginar o que se aproxima?



Como é isto possível em pleno Século XXI? O que fez este puto? Gritou com alguém? Roubou um naco de pão? Ao que parece, consta que aconteceu no Irão.

Isto sim, é ofensivo. Para qualquer credo, para qualquer raça, para qualquer mundo.

Perguntas: O que leva uma avó a deixar a neta numa banheira durante 5 horas com água a ferver? O que leva um grupo de 12 putos a espancar um sem-abrigo levando-o à morte?

Viva o Carnaval e os Arlequins presentes! Embora mascarar-nos ou embora tirarmos a máscara?

2006/02/23

Arlequim


Com a aproximação do Carnaval, evento este que não ligo absolutamente nada, sobretudo após a massificada abrasileiração que nos impingem neste rectângulo europeu onde vivemos, fico a imaginar a quantidade de pessoas que poderiam sair à rua mascaradas de Arlequim, imaginando tempos passados com os nossos saltimbancos de hoje.

Uma espécie de contradição existente entre aquilo que as pessoas querem ser e aquilo que elas realmente são. Tal como o Arlequim e as suas metamorfoses, a contradição resume-se na ambivalência de carácter. Ao mesmo tempo dançarino e guerreiro. Sedutor, mas violador. Moderno, porém pensa de uma forma selvagem e primitiva.

Esta imagem, original de Pablo Picasso, penso que quer mesmo ter esse significado. E hoje em dia, não falta quem rebaixa os vencidos mas que depois se preocupa com a sua aparência (narcisista). Não, isso não é nada comigo.

Não. Eu não pertenço ao exército dos mortos nem dos fantasmas. O que o Carnaval faz é recuperar estas lendas arcaicas na tentativa de as extrapolar para os nossos dias. Com máscaras.

Estou inconsciente, mas atento.