
Como o apanha-bolas de serviço numa partida de ténis, sempre de um lado para o outro e cauteloso para não tropeçar na rede, a apanhar bolas e também a levar com elas. Felizmente não tenho talento para num jogador de ténis me tornar.
Não sei se isto é uma regra ou uma tendência previsível por factores empíricos, mas a expectoração provocada pela tosse torna a minha visão apertada, embora curiosamente o meu peito continue macio. Podem cercar-me, podem confiscar a minha fortuna, podem amordarçar-me e podem descartar-me numa qualquer noite, atirando-me do alto do castelo para o rio que serpenteia à sua volta.
Como uma espécie de Peste, avanço sem que haja helicópteros a sobrevoar o curso do rio, com salvadores equilibristas, pendurados por grandes cordas. Assim, levantem as pontes móveis e baixem as persianas para nada verem, para não serem incomodados, porque enquanto houver álcool a jorrar do barril, ninguém estará sóbrio.
Sem pílulas e pastilhas, sem bolas na algibeira, e deste modo, com menor probabilidade de me afundar antes de chegar ao mar, apenas prendo a respiração enquanto as pedras tropeçam pelo meu peito.
Penso na maior parte dos apanha-bolas que seguramente desejariam que as redes dos courts de ténis fossem cada vez mais altas.
"robbed of your fortune
they gave disappointment and lies
they're probably poisioning your body
i hope you're alright
in the morning you'll feel
you're digging your heels
the pills won't help you now"