Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

2008/06/19

Em Todos os Jardins

Precisamente há 3 anos atrás caminhava eu de Menorca para Lisboa. Semana passada recordei essas merecidas mini-férias que nessa altura tive porque fui confrontado com a trágica notícia do falecimento da filha de uma grande colega de trabalho, filha de nome Joana, 28 anos, vítima de um acidente de viação em... Menorca.

Hoje, ao pé das suas cinzas que também hoje aterraram em Lisboa, foi-me oferecido uma pequena folha de papel, cortada às pressas, com a fotografia da Joana e com um poema que comecei a ler.

"Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens."

["Em Todos os Jardins", de Sophia de Mello Breyner Andresen in "De Poesia", 1944]

Joana, (possível) adoradora do mar e de Sophia. Todo o mar é para ti. Todos os jardins são para ti. Toda a poesia é para ti.

2008/03/21

O Chocolate Está Mais Caro


No dia mundial da poesia, no dia mundial da árvore, nesta 6ª feira santa, só tenho a dizer que a representante nacional no poético Eurovision Song Contest '08 é delicadamente assustadora.

Poeticamente mais assustador é o tema que representa Portugal.

2008/02/28

Party On: Up on the Rooftop (by Kraak) é HOJE!

"Ó homem que passas tranquilo na rua
atrás de qualquer próximo perfume
e chegas a casa sem incidentes
ó homem que tens à espera de ti
virada a esquina da rua e do tempo o teu próprio rosto
não tenhas pena de quem morre
de árvore para árvore
e é diferente no princípio e no fim da rua"

[Belo, Ruy - Metamorfose in "Todos os Poemas"]


Fevereiro. Mês do salgueiro. Árvore da Lua.
As cores deste mês são claras e é esta claridade que ajuda a compensar o equilíbrio nas nossas vidas. Assim sendo, este filho da Água deixa o convite para aparecerem em mais uma noite de encantamento indie (brrr, medo!), "Up on the Rooftop", HOJE, 28 Fev '08, a partir das 23h30 no MexeCafé, Rua do Trombeta, 4, ao Bairro Alto, em Lisboa (por trás do Mah-Jong).

Continuando a falar a sério (!??!), sem encantamentos e sem feitiços, haverá sempre 1 fatia de bolo para quem aparecer, atendendo ao dia de ontem. :P

Mais informação sobre o tipo de música a rodar, como habitualmente, via Kraak FM <'+++<. aPAreÇAm! :D

2008/01/17

Kraak Sea Power! @ Bar Agito, 17 Jan '08

"O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo da avenida
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quanto tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
"Mudança possui tudo"? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida"

[por Belo, Ruy, Orla Marítima in Todos os Poemas]

Segue mais um convite musical para quem quiser lavar a alma ao pé do mar: Kraak Sea Power!, hoje, dia 17 Jan '08, a partir das 22hs, no Bar Agito, Rua da Rosa, 261, em Lisboa, ao Bairro Alto.

Apareçam, nem que seja a nadar! :))

2007/12/08

... Or Some Such Thing

Já dizia a Sophia que "o polvo avança no desalinho dos seus mil braços". Pelo fundo do mar, pelos campos magnéticos, pelos jardins marítimos do perfume, pelos corais de côr violeta.

O melhor é correr? Fugir? Complicar? Matamos tantas vezes as nossas vidas, assassinamo-nos outras vezes sem saber como, porém quando realmente morrer e abafar as luzes da minha névoa, que seja num lugar secreto. Nem que seja no Vazio.

Hoje chega o tema #24, outro formidável tema de 2007: "I Better Run" dos The Rosebuds, extraído do álbum, 'Night of the Furies'. Mais informações sobre os The Rosebuds podem ser aqui lidas.

"I think my grandma has a piece of land
I'm supposed to take it when she's dead
My aunt Diane has a lifetime right
I'll have to tell her if she's still alive
She's probably dead but dead in a secret place
From drugs, dirty murder, or some such thing
Under a bridge, in a trailer, or in the woods
I've got to leave, yeah, I think I should
I better run
I better run
"

2007/08/14

O Início do Conto de Fadas


Esta é a tradução (manhosa) do poema "POCZĄTEK BAJKI" de Leopold Staff que a minha amiga Edyta deixou como resposta a este post. Acho que dá para compreender a mensagem.

START OF FAIRY TALE
"must evening of (in the evening of) incoming,
my it futile -.

Look (look) you on I with negative disbelief in smile?
But however, it will come, though with (from) free,
without hasten, fine, sweet.

It is necessary Jeno, in order to there was zloty (gold),
change dark summits (tops) in (to) trees day late echo telling torch.
But we must on it life sunny, without sin against (versus) personal beauty,
that we secret.

So, life, in order to when it will invite we boats of Charon,
look how (as) wave quietly, but coast passes away from eyes west decoration .
And can in order to love (amatory) squeeze of you
I can in order to love (amatory) squeeze of you and,
as sweetest fairy tale,
start story about life from child words I was case (together; time)."

2007/05/19

Mar Sonoro


No rescaldo da Sessão "Rai Convida Kraak", nada como uma conversinha pé-de-orelha com a minha querida Sophia de Mello Breyner...

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,

A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,

Que momentos há em que eu suponho

Seres um milagre criado só para mim."

["Mar Sonoro" in "Dia do Mar", por Andresen, Sophia de Mello Breyner]

2006/11/27

"Queria de ti um país de bondade e de bruma..."



"... queria de ti um mar de uma rosa de espuma."

Mário Cesariny, uma das maiores figuras do surrealismo português, melhor afirmado como artista no mundo da poesia do que propriamente no mundo da pintura, já não está neste mundo connosco. Ele que afirmava que ser surrealista "não significava pintar um porco de patas para o ar", deixou-nos um grande espólio cultural que importa aqui registar.

Com base nas suas palavras, gostaria de acrescentar que num mundo onde hoje já quase ninguém lê poesia, há muita gente que ainda gosta de ler grandes clássicos da literatura. Será isto surrealista? Talvez. Não sei. Só sei que a poesia pode estar dispersa pelos mais variados espaços: quer num artigo técnico de um qualquer jornal quer mesmo na própria música rock. Por exemplo, se determinados compositores compõem canções e letras dirigidas para os jovens, tentando de alguma forma passar a imagem de como a malta mais nova vê e sente o mundo, será que isto não é considerado poesia?

Regista-se aqui um dos poemas mais belos de Mário Cesariny, talvez aquele que mais se identifica comigo.

ESTAÇÃO

"Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te

vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver
se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me,
pois chove miudinho


Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci

embora bem procurado entre os mais que passavam.

Se algum de nós vier hoje
é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça."

Belo, não?

"De outras, esperei-me eu e não apareci."

Para mim, a tua estrela aparecerá sempre a brilhar neste céu imenso...

2006/11/05

Assim... Tal E Qual o Mel


Passei e gozei algumas horas e nem por um único minuto deixava de pensar em ti. No meu tempo ocupado, para além do que te ofereci indirectamente, só gostaria de te ter oferecido flores.

Muitas.

Assim, tal como as abelhas, beberia do seu mel, do mel (já) espalhado pelo teu corpo. O jardim do teu corpo. O teu corpo em formato de flor.

O tempo foi curto, o tempo tem sido cada vez mais curto, mas foram algumas horas muito queridas enquanto duravam. Quando nos separámos, cada um tinha a sua cumplicidade que só as nossas almas merecem saber. Aí, onde reside o meu coração, eu guardo tudo isso. Mesmo que tudo perdesse, a tua imagem, essa noite e as flores permanecerão sempre visíveis na minha consciência.


[ Adaptação livre inspirada no poema de Guido Gezelle, "Die avond en die roze" ("Aquela noite e aquela rosa"), provocada pela fotografia do post "Uma Fotografia Por Dia... Nº 588", no blog do Mfc. ]

[ photo credits: Filipdebont ]

2006/03/21

De Xavier Nguyen para Xavier


No dia internacional da poesia, e uma vez mais presenteado via CTT, após um estafante dia e numa atribulada chegada a casa, dedico esta posta de paixaum >+++'> ao fabuloso escritor galego Xavier Queipo o qual viu recentemente editado em Portugal, pela Editora Deriva, mais um dos seus trabalhos, agora em língua portuguesa, "Os Ciclos do Bambu".

"Chegou a primavera,

Os grous prateados
Sustêm o seu canto"

Xavier, acredita que antes do verão, voltarei aqui para te homenagear :) e falar deste teu livro que ainda hoje vou começar a leitura.

Um obrigado também a ti, Skamiaken, pelo envio do livro e por toda a atenção dispensada. O presente em destaque foi possível graças a ti :)

2006/02/20

Rota das Especiarias


Fácil seria afogar este blogue (para grande alegria de muita gente) e não esperar mais nada do que o reflexo das antigas fronteiras de sal e areia que aqui deslizavam. Como ainda mantenho os olhos abertos, atento como um verdadeiro navegador com bússola e mapas, mudo uma coisa aqui e outra ali, inverto o sentido de navegação nalgumas viagens e tento que o clamor das escamas siga a rota Ocidente-Oriente, sem andar à deriva.

"Através do teu coração passou um barco que não pára de seguir sem ti o seu caminho."

[by Breyner, Sophia de Mello; "XIV" in "Navegações"]

Paixaum >+++'> Ano #2 RULES! :)

2005/08/16

Toma lá + 1

"Como no verso antigo, sou feliz
por 'esta sorte imensa, conhecer-te'
e já me tarda a luz onde procuro
outro mais puro modo de dizer-te.
Aos poucos vou fazendo maus poemas
com a rima calada dos sentidos,
até me descobrir a toda a gente
como um vulgar espelho transparente.
Já me esquecia, por uma qualquer
dor distraída que no corpo tinha,
de desenhar a melodia; mas
quando penso em ti penso sou seguro e claro;
gira a terra sem melancolia,
aceito tudo como o tempo o quis."

[by Alexandre, António Franco in "Duende"]

2005/08/15

Teoria do Duende

"Mesmo se nalgum dia acontecer
nalgum vulgar encontro, ver-me morto,
decerto saberei como nascer
de novo, ser planta e animal
e breve sopro, às vezes, no teu rosto.
Pelo caminho cego da floresta
virei ao pátio, à fonte debruçada,
ao modesto esplendor da jovem faia;
e terei, para dar-te, o riso claro
da vida que não cessa de perder-se.
Pousado o coração dentro do peito,
feito artista da cor, puro fantasma,
na ardósia a giz desenharei um nome
como quem traça um círculo perfeito."
    [by Alexandre, António Franco in "Duende"]

    2005/07/20

    Lá,

    longe de tudo,

    Onde há cavalos e rodas,
    javalis e tocas, coelhos e selas
    peixes e gaivotas e

    porcos e gazelas.

    Lá, onde já não passam comboios
    ou por onde estes nunca passaram,
    há estações móveis e estáticas com edifícios imaginários,
    trajadas de estilo, elegância e que olham

    para

    Vias férreas ramificadas e desactivadas
    como que, se estas quisessem representar fragmentos
    caídos do Espaço na Terra e transformadas
    em crateras com vários céus abertos.

    Para mais tarde renascerem de baixo para cima,
    no meio da confusão de uma cidade em ebulição,
    logo após a partida de um comboio que com chegada também rima
    e que deixa transparecer no teu rosto a tua satisfação

    E no decorrer da viagem,
    corre furiosamente a paisagem
    com casas e árvores a teimarem
    em ficar ou a se apagarem.

    Porém és tu quem permanece estática,

    contudo, ao ritmo de uma carruagem ou um vagão
    que suavemente se desloca
    na minha direcção.

    E numa ansiosa curiosidade,

    canta-me, recita-me, e diz-me sem vaidade
    qual a côr do comboio que te manda para a minha cidade.

    2005/07/10

    Alucínio, #1

    Ik weet niet waarom
    Ik je graag zie, waarom ik van jou hou
    Wanneer ik op je lichaam ben
    Voel ik zoals aan een visje een dikke zoen geven

    [ Jij ziet eruit om te zoenen!! ]

    Kraakaum OP HET BED

    (sorry, mas isto tinha que ser postado)

    2005/06/28

    Revista SÍTIO



    Uma nova revista para ser divulgada e partilhada com os amigos. São as letras que me/nos inspiram todos os dias. Deixo-vos um pequeno toque desta nova revista semestral editada pelo ATV:

    "(...)
    porque há mais do que uma liturgia do medo nesta esplanada de
    outubro que
    apesar de ser já tarde nas toalhas molhadas e no hálito cor-de-rosa
    dos candeeiros
    me recorda as pontes da sírio-palestina e as guerrilhas irreversíveis
    das tuas carícias.
    porque este lago vulcânico com putas de luxo imaginado
    clandestinamente no bairro marginal da minha arterografia
    só pode estar à beira de um atentado
    agora
    quando quem não souber de cor a trajectória dos piares ímpares se
    liquefaz
    num assobio à solidão dos satélites artificiais.

    acredita, amor, que este rebuscar nas malas do passado, esta
    persequisição minuciosa das esperanças só fazem parte de um mero
    controlo de rotina."

    by Golgona Anghel in "Semáforo de Fronteira", Revista Sítio, #1, Junho '05

    Um agradecimento muito especial ao amigo Dracul pelo evento.

    2005/06/21

    Navegador Ao Acaso



    O que os olhos neste dia abriram

    são as cores de um dia quente e
    os sítios frios que outrora nos inquietaram

    No maior dia do ano
    haverá pássaros com asas rasantes sobre um rio
    com sede de luz e destino

    Rios, mares e margens
    cheios de peixes, escorpiões e caranguejos
    onde a brisa irá soprar como noutras paragens

    Festeje-se o início do verão
    mas não devemos esquecer
    que o outono é a seguinte estação.

    Pausa. Para aquecer.

    2005/06/08

    Hollywood

    Bem me basta este expediente
    De te ter visto esta manhã em mente
    Nós plenos de sangue quente
    Uma alegria a subir a corrente

    Um sorriso estalado, um beijo sentido
    Uma música no ar, uma tela a pintar
    Desconhecia que agora a música invadia o teu exílio
    E que eu aprendia como as cores misturar


    É pura ilusão.
    E ainda não começou o verão.

    2005/06/05

    Uma Paixaum >+++'>



    Adoro-te mulher que danças ao sabor dos teus segredos junto aos arvoredos. Esquece os céus atormentados. Tu já aí estás e poderás dizer-nos como são os raios da Lua a incidir tanto na Terra como no longínquo Plutão. Influenciado por Neptuno, naturalmente.