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2009/06/18

(Vento Quente)

Mesmo que em levitação, magnética ou não, as candeias mágicas que iluminam as caminhadas de Bill Callahan, ex-(Smog), ainda trazem a garantia que o ar contido na minha atmosfera não é uma mera ilusão. Se os ventos quentes dos últimos dias transpõem parte do meu ritmo, queria desconcertar-me e voltar a ter uma certa idade para recuperar a minha capacidade de sedução, tal como Bill Callahan (que tem a mesma idade que eu) o faz.

Por mais que se cresça e por mais crescido que se fosse quando novo era, a plenitude da fase adulta ainda me questiona se é possível voar sem bater as asas. Na minha ilusão de 20 e poucos anos.


Video Credits: WaterlooRecords @ youtube.com

Too Many Birds, por Bill Callahan
:-:-: Bill Callahan, via Kraak FM <'+++<
:-:-: (Smog), via Kraak FM <'+++<

2009/06/13

Yes Future

Nem tu adivinhas o que eu de ti me escondo. Nem tu adivinhas o que eu de ti te persigo. Feroz e sem sentido, em perfeita antítese como se não fosse um maquinista, mas sim o chefe da estação que, ao manobrar a agulha para a esquerda, pode um caldinho provocar. Se a deixar na posição normal, monotonia qb, fazendo com que as imagens tendam a continuar a cantar de forma desafinada.

Num comboio que ondula próximo ao mar, é como se a reciprocidade nos impedisse de lá mergulhar, apesar da sua proximidade.




Video Credits: dangerbirdrecords @ youtube.com

Panic Switch, pelos Silversun Pickups
:-:-: Silversun Pickups, via Kraak FM <'+++<

2008/06/07

O Contraste


Passar o sábado em casa a descansar e a ouvir músicas entretanto guardadas na cave do meu cérebro permite-me concluir que, quando as nuvens já não sabem a qualquer coisa metalizada, é altura de finalmente acreditar que o tempo quente começa a chegar.

Com ele eu consigo compreender que ainda me possa sentir triste, mas, embora possa ser difícil, tento ver as possibilidades de continuar a aguardar para que eu próprio me compreenda. Olho para mim mesmo e tudo o que vejo é a minha tristeza auto-reflectida. Olho para o exterior e seguramente vejo que o verão está a chegar.

Como se exteriormente tudo corresse bem e interiormente algumas tristezas são dificeis de ultrapassar. Ainda.

O tema "It's Summertime" [MP3 cortesia de Nathaniel através do blog I Guess I'm Floating], dos The Flaming Lips, do álbum 'Yoshmi Battles the Pink Robots' foi um dos responsáveis por este apontamento.

[photo by Mano Joca @ Trinity College, Dublin, 6 Abr '08]

2008/03/26

O Sonho em Desalinho


[deixado no blog Palavras em Desalinho]

Eu gostaria de voltar a ter o poder de caminhar pela montanha mágica onde outrora me perdi, perto das nuvens, onde tracei vários poemas que se rasgaram na terra onde enterraram o sonho da alma do meu amor.

Sorte de quem arquivou as folhas caídas das árvores, com ou sem perguntas sobre os sentidos que povoavam a imaginação, com ou sem as raízes de uma nudez que não me cabe.


(Um dia também irei aprender a fotografar o sonho)

2008/01/09

É A Fingir?


Nos últimos 2 dias, mais uma vez encontrei uma música a qual por acaso gosto bastante ("A Hand to Take Hold of the Scene", dos Okkervil River) e que parece encaixar-se neste cenário de talkshow sensacionalista que pareço estar exposto.

Não é que este tema me faça chorar, antes pelo contrário. Permite concluir que embora o solo se tenha aberto à minha frente, ainda consigo ter o discernimento, não de arriscar a dizer o preço certo, não de adivinhar qual a letra inicial da capital da Letónia, mas sim de perguntar se não há para ali ninguém a deitar uma mãozinha a esta encenação.

[photo by Kraak/Peixinho @ Prime Club, Colónia (DE), 25 Nov '07]

2008/01/07

A Distância Justa ou a Intersecção de Dois Semi-Planos?


A primeira vez que me apercebi do significado da palavra "acaso" teria eu 16 anos e foi no 11º Ano de escolaridade. Mais tarde, com os meus 18 anos e logo no 1º Ano da Faculdade, compreendi o seu verdadeiro significado. De alguma forma fiquei assustado, pois noutras cadeiras que tinha, o acaso não existia. A geometria do meu determinismo parecia óptima e de forma calorosa me diziam para optar entre o pó que assentava no chão e o pó que pairava no ar. Na realidade não sabia se queria ser essas pessoas ou se queria ser como essas pessoas.

Optei por um misto de aleatoriedade no meu determinismo. Como a realidade da vida. Ficar estocasticamente acordado durante a noite e de boca aberta não é obra do acaso. Talvez um indício probabilístico de algo já teria ocorrido numa estrada qualquer que passava por um desfiladeiro.

Casualmente pergunto-me se serei eu sorte ou se serei eu uma desgraça a convergir para uma regularidade estatística.
Casualmente tudo começa e deterministicamente tudo acaba, portanto somos todos fruto do acaso.
Casualmente não sei o que me esperava há pouco tempo atrás, mas nessa altura o agora viera até aqui, estivesse eu pronto ou não.