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2005/10/13

Comboio de Montanha

Ladear o Tejo. Um movimento de curvas e viaturas invadem os meus olhos. Os meus ouvidos ocupados com The Dead 60’s, Train To Nowhere. Efectivamente ao meu lado um comboio passa. Passa e pára. E arranca. Segue para um destino final. Avança e eu acompanho-o com as minhas mãos cheias de linhas cruzadas. Linhas da vida, do amor, profissionais e umas outras que não conheço o significado.
A mão direita, esta que controla as mudanças de velocidade, rapidamente está no apeadeiro PULSO onde passa sem parar e devagar, até chegar a ELBOW. Neste entroncamento de linhas, uma paragem prolongada permite regar a terra, outrora seca e gasta. O comboio Mão continua o seu percurso, passando por EPAULE até chegar a HALS. Nesta estação de montanha, onde tudo parece estar a pique, uma grande trovoada vinda de uma estação ainda mais alta, QUEIXO, paira sobre os céus mais baixos de HALS. Em grande força e para vencer a pressão atmosférica, Mão segue até LIPPEN, passando por QUEIXO, e aí efectua uma paragem técnica para reabastecimento. Mão funciona como um comboio a vapor que necessita de tomas d’água com alguma frequência para queimar o seu carvão no sentido de vencer os acidentes orográficos à volta do apeadeiro NASO e finalmente estacionar em OJOS. Esta linda estação, retrato expressivo do verdadeiro significado das linhas das mãos e do percurso de Mão, aguarda ansiosamente ao lado do Chefe da Estação a chegada da locomotiva e da sua única carruagem. Mão é recebido com uma bandeira na mão do Chefe de OJOS.

Mão não vai para Nowhere. Ascende numa via onde metade da plataforma é amor para percorrer em sentido contrário a via descendente, onde a outra metade da plataforma tem exactamente a mesma sintaxe e semântica.