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2008/06/10

2008/01/09

A Felicidade Não Passa Por Ter uma Casa com Jardim


Recordo-me que desde miúdo me apercebi que as lágrimas são salgadas (recordo-me também que as moscas são azedas porque certa vez uma entrou pela minha boca sem pedir permissão). Sempre tive, quer por razões de personalidade, quer por razões de percurso pessoal, uma vida muito emotiva. Hoje não me emociono com o que provavelmente a maioria das pessoas sente ao deitar uma lágrima, mas sim com outras coisas, simples coisas, desde um filme, um vídeo, um livro, a chegada de alguém a uma nova cidade, uma música, a minha infância, a minha vida, uma imaginação, um sonho, as pessoas de quem outrora ri ou as pessoas que deixei fugir.

Se calhar por este motivo posso considerar que tive muitos momentos felizes na minha vida. Chorar é maravilhoso. A música sempre foi uma das principais responsáveis por eu derramar lágrimas. Por isso, gosto de presentear as pessoas com músicas, quer seja em formato vinil, K7, CD ou um mp3 solto via e-mail.

Quase chego ao absurdo de dizer que quero viver a chorar para (continuar a) ser feliz.

2007/08/03

O Flautista Hipnotizado



Se a lenda se passa em Hamelin, a verdadeira realidade está mesmo por aqui perto. A doença do meu tio lembra-me o poder do flautista de Hamelin. O meu tio não hipnotizou ratos durante a sua vida, mas as ratazanas que hoje se esquecem do que ele já foi fazem-me pensar nos habitantes daquela aldeia alemã.

Era bom que pudesses afogar estas ratazanas num qualquer ribeiro perto de ti, mas as tuas forças já não existem. A cabeça, sobretudo esta, invadida por algo a que um senhor, também alemão, de apelido Alzheimer, descobriu.

As ratazanas não sabem distinguir um bordel de uma casa de jogos.
Pairam como as moscas e incomodam como as melgas. Precários como o que surge do nada. Adoram-te mas nada por ti fazem. Dão palpites, mas nada resolvem. Como se andassem em círculos e facilmente passam bola para outro lado. Como estes.

Parece que quem foi hipnotizado foste tu, tio. E se há imagens que ficam registadas na minha memória serão as de ontem em que quando te vi, agarraste-me fortemente nas mãos, como se me estivesses mesmo a conhecer. Quando parti, parecias uma das crianças hipnotizadas pelo flautista, deitado, com uma flauta na mão e um ursinho de peluche a brincar como se fosses um bébé. Sem ruídos.

Silêncio e tristeza foi o meu caminho até casa.

2005/12/23

You Just Start Again


(continuação deste post)

Eu sabia que parecia que não era muito, mas era muito mais do que aquilo que eu poderia fazer. E só depois de caminhar no fogo é que me apercebi e fiquei livre da dor e da insanidade. Não foram preciso anos, apenas algumas semanas.
    Sem passar pelo fogo, mas a guardar em memória um dos momentos TOP para mim @ Festival SW '05: Concerto dos Doves.

    Hoje chega a #9 (em audição): Walk In Fire, dos Doves.


    "
    On and on I tell myself
    Fool ourselves we ain't the same
    Everyone who stayed away
    Man I always felt your pain
    You tell me, you say
    'you walk in fire, you walk in fire'
    You're not free till you
    You walk in fire, walk with fire, walk in fire
    "


    (continua)