Mostrar mensagens com a etiqueta Rio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rio. Mostrar todas as mensagens

2009/07/02

Quando a Narrativa Pára

Há rios que insistem ferozmente em desafiar o mar. Na realidade não têm consciência dos limites que a natureza lhes determinou.

2008/11/29

Um Bilhete para a Imortalidade, SFF


Estar em casa doente faz-me, nos tempos em que estou deitado e cheio de mantas por cima, pensar que há certas leis que determinam o comportamento das pessoas. Entre sonos, pensamentos, bocejos e programas idiotas de televisão, encontro-me num rio de rápidos, caudal mais grosso devido às chuvas, a tentar atravessar para a outra margem. Já perto da margem oposta, vejo 5 grandes cães pretos que tentavam fazer o mesmo que eu para se salvarem. Perco o equilíbrio e uma rocha permite-me que eu a agarre. É quando vejo um cachorro, também preto, submerso a olhar para mim.

Afogado, com o braço esquerdo retiro-o da água. Com o braço direito, protejo-nos. Avisto a outra margem e os cães olham para mim como nuvens de côr rosada. Já com algum equilíbrio, as cores do cachorro começavam a ficar mais intensas o que me permitiu chegar à outra margem, como se estivesse a mudar de pele.

Os cães, num estranho sentimento de cordialidade para comigo, cercaram-me enquanto um deles tratava do cachorro que expelia água. Aliviado, os cães protegiam-me. Foi quando apareceste vindo do nada, de forma algo rebelde, algo sisuda. Algo intratável, algo sorridente.

Só me pergunto porque é que os cães se afastaram, foda-se.

Para ouvir:
Pink Cloud Tracing Paper, pelos Asobi Seksu
:-:-: Asobi Seksu, via Kraak FM <'+++<

2008/11/28

River Runs and Takes the Boats Away


É uma sensação estranha passar pelo Largo do Carmo, em plena chuva, com músicas a povoarem os meus ouvidos que supostamente não deveriam estar a tocar. Continuo o meu caminho, sigo a corrente do rio, passo por outros sítios outrora familiares e as músicas, aleatoriamente, parece acertarem de propósito no alvo que não se encontra pendurado na parede. Finalmente, alguém passa por mim e toca-me, cumprimentando.

Apesar de não ter sido de todo agradável, fica o meu agradecimento a quem me acordou deste sono musical.

Para ouvir:
River Card, pelos Atlas Sound
:-:-: Atlas Sound, via Kraak FM <'+++<

2008/10/28

Por Onde É Que Eu Começo?

O vento pode mudar, as estações podem reger-se de acordo com a vontade da tripulação. A âncora, esta é que não se pode desprender. Veleiro outrora sujeito à ondulação e à sua solidão dá de fuga com a sua pouca capacidade de viver atracado, como se vivesse em terra.

Do Tejo não vejo todas as colinas de Lisboa, mas da colina onde agora estou, rodeado de casas, escadas e degraus, conventos, consigo no meio de algum silêncio, ouvir o barulho dos pensamentos que aqui me levaram. Como se estivesse a desobedecer a minha consciência.

Para ouvir:
Still, pelos The Mary Onettes
:-:-: The Mary Onettes, via Kraak FM <'+++<

2008/06/17

Eu Não Tenho B.I.

O comboio que o leva desde Irún a Lisboa percorre várias paisagens, várias serras e várias estações. Paisagens que, a medida que os carris ficam para trás, a temperatura começa a baixar, até que, mais perto do seu destino, ela começa a aumentar. Sentado na sua carruagem couchette, decide ir à carruagem-restaurante, onde passado algum tempo acaba por conhecer uma espanhola, que veio a saber, entrara em Burgos e saíria em Coimbra. B. Coimbra-B. Ana viajava também sózinha. Acompanhava-a um cálice de vinho do Porto sobre a mesa. O que o acompanhava era um walkman enorme, de marca Crown, vermelho, com cassettes gravadas de programas radiofónicos que passavam a altas horas da noite.

Perguntava-se a si próprio porque não teria consigo uma revista ou um livro para ler na carruagem-restaurante enquanto ali permanecia. Ele próprio não obteve resposta. Estava demasiado cansado para pensar no assunto. Pediu o seu habitual café e sabe-se lá por qual motivo, sentou-se ao pé de Ana.

- Sabes, aprendi a viver de outra maneira, tal como tu que trazes esses headphones nos ouvidos.
- Pois, é por essa razão que nesta viagem imagino que esta carruagem é uma esplanada que desliza em cima das águas de um rio.
- Tenho aqui uma fotografia dos meus avós - portugueses - abraçados. (Tira a foto). Queres ver?
- Tens avós portugueses? Que giro. Sim, quero. Claro que quero ver a fotografia.
- Toma.
- Hum... Isto é puro. Vê-se tão bem que são ou foram felizes. Será que hoje em dia estamos dispostos a conceder este tipo de amor?
- Canta-me em voz alta o que estavas a ouvir.
- Não.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 1985, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2007/12/17

In the Morning I Feel I'm Digging My Heels


Como o apanha-bolas de serviço numa partida de ténis, sempre de um lado para o outro e cauteloso para não tropeçar na rede, a apanhar bolas e também a levar com elas. Felizmente não tenho talento para num jogador de ténis me tornar.

Não sei se isto é uma regra ou uma tendência previsível por factores empíricos, mas a expectoração provocada pela tosse torna a minha visão apertada, embora curiosamente o meu peito continue macio. Podem cercar-me, podem confiscar a minha fortuna, podem amordarçar-me e podem descartar-me numa qualquer noite, atirando-me do alto do castelo para o rio que serpenteia à sua volta.

Como uma espécie de Peste, avanço sem que haja helicópteros a sobrevoar o curso do rio, com salvadores equilibristas, pendurados por grandes cordas. Assim, levantem as pontes móveis e baixem as persianas para nada verem, para não serem incomodados, porque enquanto houver álcool a jorrar do barril, ninguém estará sóbrio.

Sem pílulas e pastilhas, sem bolas na algibeira, e deste modo, com menor probabilidade de me afundar antes de chegar ao mar, apenas prendo a respiração enquanto as pedras tropeçam pelo meu peito.

Penso na maior parte dos apanha-bolas que seguramente desejariam que as redes dos courts de ténis fossem cada vez mais altas.

Numa espécie de 2 em 1, o post de hoje foi inspirado em dois grandes temas de 2007: o 14º tema do Top Tracks 31-2007, "Raging in the Plague Age" (em audição no Kraak FM <'+++<), vem pelas mãos dos norte-americanos Les Savy Fav os quais possuem um dos 20 melhores álbuns de 2007, na minha opinião: "Let's Stay Friends". O outro tema não é o 13º melhor do ano, mas sim a primeira menção honrosa a destacar neste Top 31 de 2007: "The Pills Won't Help You Now", composto pelos fabulosos Midlake (os que para mim arrebataram o prémio de melhor álbum de 2006), para os The Chemical Brothers. O tema encontra-se no último álbum dos The Chemical Brothers, 'We Are the Night'.

Informações adicionais sobre os Midlake: aqui no Paixaum >+++'> ou por este link, via Kraak FM <'+++<. Informações adicionais sobre os The Chemical Brothers podem ser obtidas através deste link. Para quem se interessar, por aqui mais informações sobre os Les Savy Fav.

"robbed of your fortune
they gave disappointment and lies
they're probably poisioning your body
i hope you're alright

in the morning you'll feel
you're digging your heels
the pills won't help you now
"

2005/12/27

Cheia


(continuação deste post)

O que é suposto fazer quando vês água a passar por cima da ponte? Será a minha mente que não está bem? Dá-me uma razão. Não. Nada de pensamentos fechados numa concha. Reflito. Volto-me e olho novamente para a ponte e sinto a chuva a cair. As ruas estão inundadas, as sarjetas entupidas, as águas galgaram o leito dos rios. Foi apenas isso. Não perdi nada: a minha mente continua sã.

Hoje chega a #5 (em audição): Abel, dos The National.


"You turn me good and god-fearing
Well, tell me what am I supposed to do with that
I'm missing something
Yeah, I'm missing something
My mind's gone loose inside its shell
My mind's gone loose inside its shell
Well, I'm missing something
Yeah, I'm missing something
Abel, my mind's gone loose inside the shell
My mind's not right
My mind's not right
My mind's not right"

(continua)

2005/12/17

Um Rio na Tua Rua


(continuação deste post)

Muitas vezes os enganos sucedem-se nas nossas vidas e os murmúrios persistem quando (já) sabemos que na realidade quem está a ser enganado somos nós. A natureza morta é apenas nossa e só nossa. Há cartas que não se podem evitar, mas... enterra-me com ela porque já há muito parti.

Hoje chega a #15 (em audição): I'm From Further North Than You, dos The Wedding Present.

"
But how did one crazy night turn into six weeks
How can we be going out if neither of us speaks
I think we're the same in many ways
And I admit we had some memorable days
But just not very many
"


(continua)

2005/10/20

Viajar Pelas Tuas Veias

Os sonos e sonhos que de mim emanam flutuam como motas e notas sobre uma bandeira com cores e tecidos pela tua voz definidos. Adormecer, viajar e dialogar durante poucos e curtos segundos permite-me recuperar e assimilar o doce poder de uma travessia lado a lado. Uma casa em fogo, um espaço vencedor, um canto acolhedor numa das arestas que ligam dois de vários nós a serem percorridas a pé e ao som do tambor. A energia de um corpo solar atravessa rios e vias submersas. Uma física antes adiada e que em conjunto com a química demonstram biologicamente a capacidade de fusão de duas células.

2005/04/28

Sétima Legião, Concerto - 28/4

"Do passado de um rio
ficou por contar a primeira vez
O passado de um rio
Ficou de voltar outra vez
Passaste como um RIO
Que eu cantei e me deixou aqui
Passaste como um rio
e eu não sei passar sem ti"

(Além-Tejo)