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2011/04/06

it's warmer than before

sem saber que músicas trazias nos ouvidos, ficaste a saber parte daquelas que tinha/tenho em mente. não é fácil viver sem música. não foi fácil resistir aos lábios que balbuciavam uma determinada cadência de acompanhamento, mesmo que descompassada. não é fácil sentarmo-nos à mesa para arrancarmos a pele que seguramente não arde nas palavras. de toda a playlist, de toda a noite, este tema foi verdadeiro, como muitos outros. parece que foi o click das mãos e dos olhos que, em segredo, voavam, cantavam e floriam longe dali.

já não se trata de não saber qual a cor do comboio que te traz à minha cidade porque já o sei. trata-se de saber quando é que nele viajas.

esta é a minha música favorita do último álbum dos escoceses Camera Obscura, 'My Maudlin Career', e uma das minhas favoritas de sempre. grande tema. tão pouco poético como tudo o que acima escrevi.


Video Credits: 4ADRecords on youtube.com

Honey in the Sun, pelos Camera Obscura
:-:-: Camera Obscura, via Kraak FM <'+++<

2008/12/02

Top 31-2008-A Alvorada dos Mortos


Parar e decidir-se pela habituação é algo que por vezes pode originar alguma revolta interna, especialmente para pessoas como eu que tenta bastante fugir a determinadas rotinas. Nem que para isso seja preciso partir algum prato e depois, consoladamente apanhar os cacos do chão. Quando se apanham os cacos, aproveita-se para fazer uma limpeza, descobrindo coisas que sem os cacos não encontraria a sua certeza.

Ao fim de horas, dias, semanas e meses o consolo limitou-se a percorrer a noite, observando o silêncio, observando ao longe o nascimento de presenças, vendo o renascer dos mortos, sentindo a proximidade externa da ressurreição dos mesmos. O que origina muito medo. Demasiado.

Nada como estar perfeitamente à vontade para fazer figura de parvo.

O tema #30, "Dawn of the Dead", dos britânicos Does It Offend You, Yeah?, single extraído do álbum 'You Have No Idea What You're Getting Yourself Into', é um tema que me permitiu ter realmente medo de histórias do passado que se poderiam transformar em casos sem resultado, mais uma vez... Já basta quando as pessoas se separam por circunstâncias paranormais.

Para ouvir:
Dawn of the Dead, pelos Does If Offend You, Yeah?
:-:-: Does It Offend You, Yeah?, via Kraak FM <'+++<

2008/06/30

A Atmosfera


Quase que deixava propositadamente passar as horas à espera do dia dia seguinte, dia que ansiava por estes apontamentos de pele alva. Sossegado, esperei que o dia se transformasse em noite, para tornar o meu cérebro alegremente espantado pelas abertas radiações solares do dia que se fez e, pela noite que ainda assimilava tal nudez.

À certa altura, procurava uma palavra certa, um termo adequado, mas nenhum deles me surgiu, apenas o gesto directo e honesto, como se um poderoso encantamento me dominasse ao mesmo tempo que o meu coração batia no interior do meu peito, como se um trovão rasgasse as nuvens que pairavam entre a atmosfera e a Terra.

Lua e mar como testemunhas, todo o brilhante cenário se transformara em maravilhosos momentos, plenos de melodia, no limiar entre dois mundos.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/23

Pois... É Mesmo Too Loud


Do trabalho ou da universidade pouco importava. De comboio ou de carro também não fazia diferença. Encontraram-se finalmente. Cada um com histórias diferentes, como se tivessem ambos sobrevivido ao fim do mundo, mesmo que durante alguns segundos, parados permaneceram com a cabeça erguida e com um sorriso quase de primeira página. Ninguém comera como deve ser numa conversa tão animada como comprida que tomou conta das personagens, como se a vida adulta não passasse tão depressa, como se o tempo se assustasse consigo próprio pelo prazer dos ponteiros do relógio avançarem de forma lenta.

Nesta mesma manhã ao acordar com o vento que lhe baloiçava as cortinas da casa, apesar do verão já presente, só pensava que o dia hoje, para seu próprio bem, deveria correr muito depressa, num abrir e fechar de olhos, como se as divergências pudessem alguma vez violar a revolução que ambos tentariam alimentar.

A uma determinada altura o relógio tonto teve que dar sinal, mas ao mesmo tempo avisou que ali, ninguém iria morrer, porque a escama prateada talvez fizesse parte da cripta subterrânea que uma deliciosa barra de chocolate traria à superfície, como se ao chegar a casa ambos tivessem a necessidade de elevar o som do amplificador, nem que fosse para sentir o mar mais perto.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/12

Little Words on a Mobile Phone

Há vozes que brotam da água e crescem com a corrente. Pelas margens não é o sol que fecunda a terra nem as gotas d'água que caem do céu. Nem a pureza fina do sangue. Nem as cores do arco-íris fundidas numa única.

São apenas as vozes que estão autorizadas a tal: as que conseguem voar por cima das nuvens. :)

2008/04/22

Olhos Fechados. Cara Molhada.

"Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around.

We talk about it all night long
We define our moral ground.
But when I crawl into your arms
Everything comes tumbling down.




Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.





Your face has fallen sad now
For you know the time is nigh
When I must remove your wings
And you, you must try to fly.

Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around."

[The Ship Song, por Nick Cave & The Bad Seeds]

2008/04/20

Uma Parte da Mente Trabalha e Não Damos Conta


Não muito..., nada de vulto..., talvez mesmo nada, embora muitos, por afinidade me digam que sim. Acho que todos nós, se tivermos tempo, fazemos alguma coisa na vida. De qualquer forma e por um determinado lado, nada fiz comparado à escrita de um livro. Pelo menos sei quando abrandar o passo quando a fadiga aparece. Se tivesse jantado, não teria fome, é certo.

O meu juízo felizmente não seca e como não sou filho de pai burro nem de mãe puta, sei que para entrar na piscina, primeiro tenho que me descalçar.

Voar, talvez seja um dos maiores feitos da engenharia humana.

[photo by Kraak @ James Joyce Centre, Dublin (IE), 6 Abr '08]

2008/03/29

Your Black Eyes


Oculto num centro comercial fui à procura dos perfumes que faltavam ao pé do (grande) espelho da minha casa de banho. Num labirinto algo paradoxal, alguns frascos na mão, os cheiros deste e daquele aroma vieram, com a minha alma, ao eco dos ângulos formados pelo (grande) espelho pelos quais observava o teu corpo e pelos quais, em particular, a tua face fitava.

Não sei qual, mas tinha esperança que um dos teus dois olhos mentisse: aquele que escondia algo ou aquele que no futuro me disse que não escondia nada.

Há riscos que (in)felizmente a minha companhia de seguros não cobre.

[photo by Edyta @ Pruderia Bar, Varsóvia (PL), 14 Set '07]

2008/03/14

Fazer a Barba do Corpo

Não tenho perguntas. Tenho respostas.
Tenho sonhos. Não tenho pesadelos.

À medida que desperto, o relógio insiste em avançar. Manda-me alertas. Como se a minha cama estivesse em fogo, levanto-me com um encontro marcado com a manhã.

Lavo o rosto da matéria que habitou a noite. Atravesso a banheira como se precisasse limpar os versos embebidos na minha pele. O sabonete arde. O shampoo queima. A água ferve.

Como se tivesse feito a barba ao meu corpo. De forma cadenciada.

2008/02/16

A Colisão das Rotas


Como é que eu posso esvaziar os meus olhos se a cada volta que faço com a minha amiga Avalanche aqui à beira da linha sempre te vejo num qualquer comboio que insiste em passar sempre que ali passo? Alguém me diga como é que eu posso deixar de te ouvir se cada música que roda no meu iPOD invoca a tua voz canalizada a crackar a password do meu cérebro, quando na realidade eu é que queria ter a chave de acesso da tua mente.

Acho que vou semear manjericos.

2008/01/31

Palavras em Modo Dinâmico


Não são as palavras que se estragam. Não são as palavras que estragam os corpos que quisemos ou as palavras que não dissemos. Torno-me ao contrário dos outros: em vez de dispensar primeiro o número do telemóvel, acabo por primeiro perder o teu rosto, depois o resto do corpo, depois as palavras, para finalmente dispensar a morada e o telefone. Tudo por ordem contrária. Como num retrocesso. Como partir do fim, para chegar ao princípio até cumprimentar o nada.

Recordo-me que (já) era uma noite de verão, embora amena. O impossível era despedir-me de ti porque chocolate não rima com saudade e entre o chocolate sólido e o seu estado líquido, só tive mesmo tempo de deixar que corresses para mim. Só tive mesmo tempo de voltar a correr para ti.

Fim. Princípio. Fim.
I Am Murdered.

2008/01/21

Está Lá? Era um Bilhete Para Ulan Bator, Por Favor

Às vezes sento-me à mesa da cozinha, não para comer, mas para olhar para a fronteira que separa aquele espaço do resto do mundo. A embalagem do compal de maracujá, a caixa do Persil, as bolachas cream-cracker, a caixa do pão, o calgon, o jardim para além da janela, as plantas por trás da minha fronteira.

Medito. Acho que deveria ser produtor de televisão. Medito. Criaria um programa inspirado numa música dos The Chemical Brothers, tipo "As Produções do Salmão", ou mais fino, "Salmon Productions", a qual criaria concursos idiotas, mas de qualidade. Medito. Consulto o relógio. Medito, mas não encontro a solução. Como se me chamasse Enésimo Peixe. Pela n-ésima vez.

2008/01/03

Podo a Minha Rede Neuronal


Hoje, mais que ontem, podo a minha árvore de decisão.

De forma natural, há braços que caem por si. De forma artificial, elimino ramificações da minha rede neuronal porque estas em nada contribuem para uma optimização da minha vida.

Assim, a mesma árvore ganha uma nova forma. Favoreço o seu crescimento com galhos que nem sempre são preenchidos de azul, mas cujas tonalidades são sempre iluminadas.

É como se acendesse o meu cérebro.

2007/12/25

To Be Machine, To Be Wanted, To Be Useful


Após a 2ª menção honrosa de 2007 e do brilhante single do ano, "Mistaken for Strangers" (do álbum 'Boxer', um dos 10 melhores de 2007) dos norte-americanos The National (muito conhecidos neste blog), o 7º tema do ano de 2007 está em audição no Kraak FM <'+++<, e também chega dos US, através dos Voxtrot: "Blood Red Blood". Este tema, extraído do álbum 'Voxtrot' (um dos melhores 30 álbuns do ano, de acordo com a minha opinião pessoal) também já passou por cá, como se a minha vida se inserisse numa personagem de um filme de David Lynch (já falei nisto aqui uma data de vezes...) que já morreu e onde não há nada para filmar. Não vou falar novamente sobre isso. Para quem quiser ouvir o tema #7, é só passar pelo blog de desdobramento, ler e ouvir.

Mais informações sobre os The National, em termos figurados, aqui. Em termos musicais, neste link. Sobre os Voxtrot, aceder através desta ligação.


Neste dia de Natal, nada como uma reflexão sobre nós próprios, através do tema #6 do Top Tracks 31-2007 (eu até acho alguma piada em vomitar estas coisas para este blog nesta altura do ano). Abelhas do demónio, em jeito de metáfora, anéis que possuímos (an indie ring?), mãos que estendemos, tanta coisa..., mas isto o que importa? Parece que todo o meu mundo era propriedade alheia. Uma espécie de máquina que produz energia para um melhor desempenho das tarefas humanas. Dos outros.

Para os dias difíceis desta vida, nada melhor que andarmos de braço dado com o nosso amigo invisível. Friend and Foe?

Hoje, brilha neste blog o tema #6: "Evil Bee" dos norte-americanos Menomena, extraído do álbum 'Friend and Foe', um dos 10 melhores álbuns de 2007, na minha opinião. Mais informações sobre os Menomena (incluindo o fantástico clip do tema "Evil Bee") podem ser obtidas aqui.

"I took a walk with an invisible friend
And on that walk, I gave my hand

O, to be a machine
O, to be wanted
to be useful

With this ring that I wear today
My whole world is your property
"

2007/12/24

Believe Me When I Say


Após alguns dias de ausência, o top tracks 31-2007 continuou por aqui com o seu alinhamento. Hoje quero aqui deixar a 2ª menção honrosa de 2007 a qual vem pela mão dos dinamarqueses The Raveonettes: "With My Eyes Closed", extraída do álbum 'Lust Lust Lust'. É um pouco como descobrir pérolas em álbuns que caminham entre a sombra e o luar, adormecidos pelo ressonar dos incertos. Uma música bela com uma letra triste. Mais informações sobre os The Raveonettes podem ser obtidas aqui.

Neste Natal, fecho os meus olhos para me esquecer de ti e fecho os meus olhos para te deixar.

FELIZ NATAL a todos!

2007/12/09

If You Know What I'm Talking' About


Não moro no verão, sou produto do inverno que tenta transformar, sem auxílio do aquecedor, o frio numa temperatura mais elevada. Encostei-me, encosto-me. Gero energia, dei-te o sol nos dias mais cinzentos. A prova da minha juventude reside na minha ainda frescura fluorescente e adolescente. A primavera iluminou a minha juventude. O verão consolidou-a. O outono, normalmente, vira de pernas para o ar o chapéu de sol ainda implantado nas areias da minha memória.

Para não perder a vida, aqueço-me com a minha residual energia. Nas rajadas de vento do passado. Estou preparado para isto? Tal como os The Go! Team, também dizia Josh Rouse com o seu "Love Vibration", "then you people all know what I'm talkin' about?".

Hoje chega o tema #23, um dos hits de 2007: "Grip Like a Vice" dos The Go! Team, extraído do álbum, 'Proof of Youth'. Mais informações sobre os The Go! Team podem ser lidas aqui.

"so get ready for this
get ready for this
party people in the place, get ready for this
to you!
so what you gonna do?
and do you wanna rock the house and turn this motha out?!

fly girls, are you with us?
and if you're ready to rock,
to help me turn it out
fly girls, are you with us?
and if the world know what we're talkin' about
and if the world know what we're talkin' about

to all the ladies (yeah!):
i want you to listen
hey, ladies! (yeah!)
1980!
watch out for the fellas (yeah)
that'll drive you crazy
look out, ladies! (yeah!)
and if the world know what we're talkin' about!
"

2007/11/08

It Should Be Me... vs We Slow Hands



Cantada, gritada, explodida, retirada, pensada, choramingada e outras coisas acabadas em "ada", em voz alta. TOO LOUD!

2007/11/02

A Não Ser Que Haja Sol


Refrescante como assistir a mais um episódio de "Um Amor no Alaska" é imaginar que no Thanksgiving nacional, se é que ele existe, é possível que esteja a chover neste país. Se sim, nada como poder provar novamente o sabor das gotas de chuva que caem e passam brilhantes pelos candeeiros da cidade.

2007/10/26

Binómio



Neste outono que começa a dar sinais de permanência sobre as nossas vidas, acho que preciso seriamente descongelar o frigorífico.

Com a minha cara fria, uma coisa é certa: seguramente não desmaio de felicidade.

2006/03/01

Espalhar as Cinzas


O Dia do Mar é todos os dias.

Espero pela noite, imaginativo, a pensar nos enigmas das ondas que vão e voltam,
nas linhas interrompidas e contínuas e
no brilho que lhes deste,

porque na minha imperfeição reside a perfeição da manhã.

Aquela que nos leva a ver o mar, aquela que me leva até a noite do teu luar, aquela que nada pela tarde até à prisão do teu amor nos meus dedos. A um ritmo cadenciado.