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2005/05/23

No Surprises

Dedicado aos meus Amigos João e Quim



Não me considero nenhum escritor, nenhum compositor, nem nada que se pareça, mas espero poder expressar-me em poucas palavras para vocês os dois, em especial.

A amizade felizmente não depende de coisas como o tempo e o espaço (isto cheira-me a frase feita, LOL, mas é o que me ocorre no momento). ... E se durante algum tempo ela permaneceu incompleta era porque faltava uma das peças do puzzle. Onde eu tinha força para chorar e muito pouca para rir e/ou sorrir, estivemos juntos em aviões, comboios, autocarros, automóveis, cafés e restaurantes.

Mergulhei de olhos abertos numa água ligeiramente turva onde os olhos ardiam e onde a pouco e pouco naufragava. É simples, mas não sei explicar. Fui alertado por vocês que estava sem fato de banho, que a areia parecia (mas não estava) quente e que a água do mar ainda permanecia fria pelos raios de um sol discreto de Abril. Uma espécie de perigo anunciado onde demonstraram estar mais preocupados comigo do que eu próprio.

Vagueei pelos tormentos do mar e pelas pontes que tinha que atravessar onde por aí senti o cheiro de flores inseguras as quais tinham sido arrancadas de um jardim cheio de paisagens abstractas. Andei separado de mim e com a vossa ajuda voltei novamente a montar o puzzle. Encaixei as peças.

Acreditem que houve momentos de força, segurança e verdade. Mas, como tudo que é corrente, o tempo desbota as cores do nosso coração.

A vida efectivamente poderia ter e trazer muito mais magia aos humanos. Magia... Magia. Gosto desta palavra. Desta palavra partida. Interrompida. Adiada. Sofrida. Acabada. Perdida.

Recuperada. Fortalecida.

Um verdadeiro e sentido MUITO OBRIGADO.
Vamos abrir uma garrafa de champagne?