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2009/01/23

Lo-Fi


A capa pode ser horrível, mas a t-shirt é linda. Como se as horas passassem devagar, penso em como o exterior pode não retratar o interior das pessoas. Ou o contrário. Isto parece a retórica habitual de uma dúvida sobre a existência das pessoas.

Dado o lançamento anunciado do novo álbum dos Handsome Furs, fui levado a recuperar o último e único álbum desta banda canadiana, 'Plague Park'. Às vezes queremos recomeçar as coisas desde o princípio, como se não tivéssemos vindo de lado nenhum, e andamos às voltas até chegar a hora de irmos dormir. Os dias passam-se assim. A vida, ao contrário das horas, passa muito depressa.

É o que eu digo: estar em casa faz-me mal.

Para ouvir:
Cannot Get Started, pelos Handsome Furs
:-:-: Handsome Furs, via Kraak FM <'+++<

2008/12/30

Suspenso em Dezembro

Neste ano que está prestes a terminar, parece que fui sempre posto à prova não sei bem do que. Fiz muitos trabalhos, TPCs, exames e testes, numa espécie de avaliação contínua que, até hoje, ainda não sei o resultado, como se os meus professores fossem todos uns preguiçosos que não corrigem as avaliações a tempo e horas. Já tive mais certezas quanto a obter uma boa média com um desvio-padrão baixo. Hoje, 30 Dez, não sei se me safarei com 10, correndo o risco de chumbar o ano.

2008/11/29

Um Bilhete para a Imortalidade, SFF


Estar em casa doente faz-me, nos tempos em que estou deitado e cheio de mantas por cima, pensar que há certas leis que determinam o comportamento das pessoas. Entre sonos, pensamentos, bocejos e programas idiotas de televisão, encontro-me num rio de rápidos, caudal mais grosso devido às chuvas, a tentar atravessar para a outra margem. Já perto da margem oposta, vejo 5 grandes cães pretos que tentavam fazer o mesmo que eu para se salvarem. Perco o equilíbrio e uma rocha permite-me que eu a agarre. É quando vejo um cachorro, também preto, submerso a olhar para mim.

Afogado, com o braço esquerdo retiro-o da água. Com o braço direito, protejo-nos. Avisto a outra margem e os cães olham para mim como nuvens de côr rosada. Já com algum equilíbrio, as cores do cachorro começavam a ficar mais intensas o que me permitiu chegar à outra margem, como se estivesse a mudar de pele.

Os cães, num estranho sentimento de cordialidade para comigo, cercaram-me enquanto um deles tratava do cachorro que expelia água. Aliviado, os cães protegiam-me. Foi quando apareceste vindo do nada, de forma algo rebelde, algo sisuda. Algo intratável, algo sorridente.

Só me pergunto porque é que os cães se afastaram, foda-se.

Para ouvir:
Pink Cloud Tracing Paper, pelos Asobi Seksu
:-:-: Asobi Seksu, via Kraak FM <'+++<

2008/06/20

Passatempo

Qual é a capital da Lua?

2008/02/26

A Liberdade Reflectida num Comboio InterCidades



As pessoas vão e voltam. Perdem-se num intervalo onde julgam arrumar no roupeiro a vestimenta de verão até a próxima meia-estação, mesmo sabendo que no inverno e, nos casos especiais de dias como o de hoje, podemos andar de manga curta.

Não sei se tal característica tem algum nome. Se são pessoas, se são figuras, se são como algumas estrelas vistas cá da Terra que ora brilham ora se apagam. Será que são como alguns cometas que passam de tanto em tanto tempo? Serão cíclicas? Entidades que chegam de comboio a contrariar tudo isso, em nome de uma liberdade residual, em nome de um "prefiro que não vejas como sou", em nome de um graffiti indecifrável, em nome de uma ausência que clamava pelo amor da liberdade.

Com o bónus deste lado, fico com as pautas da minha música rasgadas, com as folhas de papel reciclado da minha mente queimados, com o meu candeeiro tapado, tal como uma estátua petrificada, sem a liberdade de movimentos para ser efectivamente livre.

Não sei, mas parece que há qualquer coisa escondida nos meus olhos. Para além de já ter assumido que era a "tragedy", também sou a drug e nunca me disseram. Se "tragédia" e "droga" podem estar relacionados, qual a verdadeira diferença entre "liberdade" e "ser livre"?

2008/02/16

O Alívio do Vento


Qual será a sensação do vento quando após meses, meses e meses de passagem e paragem numa determinada estação, ele continuar a passar nessa estação, mas sem parar?

Há dias não sabia fotografar o nevoeiro. Hoje confesso que também não sei fotografar o vento.

2008/01/18

Fotografar o Nevoeiro


Não sei se a minha visibilidade horizontal se reduz a menos de 1000 metros. Não sei se as nuvens que por mim sobrevoam são compostas por poluição, prendendo-me estas à minha própria superfície. Não sei se a obscuridade presente na minha atmosfera é uma consequência do meu espírito.

Será que existe alguma forma de levar o nevoeiro ao lume? Pô-lo numa forma untada com manteiga, por exemplo. Será que existe alguma maneira de assar o nevoeiro? Com castanhas?

Nevoeiro com manchas de fumo.
Gostava de saber fotografar o nevoeiro. Alguém sabe como se faz?
Smog.
(Não. Não é o Bill Callahan)

2007/12/18

Things You Know How to Maximize


O tema proposto para hoje, ou seja a 13ª melhor música de 2007, na minha opinião, pode ser ouvido aqui através do clip oficial. Refiro-me a "Must Be the Moon", dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), extraído do álbum 'Myth Takes'. Uma música que inspirou este post do passado que curiosamente é presente, tipo "Inland Empire". Sem novidades, portanto. Tocou muito. Dançou-se muito. Vibrou-se em viagem, fez-se presença, alcançou o fundo das rochas de um espaço que outrora foi mar. Reapareceu num local fustigado pelos ventos fortes do Atlântico,
ao se passar na linha imaginária do Meridiano de Greenwich.


Mas nessa altura, estando as pessoas ou não no mundo da lua, o 12º tema do ano também brilhou. Brilhou como se muita coisa quisesse crescer, maximizar, optimizar, como fogo na noite, como chama de dia, como facho que iluminava o meu corredor. Hoje, tempo presente, quem precisa de se actualizar sou eu. Por este motivo, continuo a ouvir, e muito (como se cantasse para mim próprio), "Pogo", dos alemães Digitalism, extraído do álbum 'Idealism'.

Informações adicionais sobre os !!! (Chk Chk Chk) podem ser obtidas aqui. No que diz respeito aos Digitalism, consultar este link, em caso de interesse, embora infelizmente não haja nada que esteja solto pelo ar que respiro.

"it's been quite a while since i could experience your brightness
now you've got a brighter smile and i think i'm going to like it
talking bout the better things you know how to maximize
everything around you will become super sized

you have to set up
away from
what matters
is get it prepared
forward!

yeah whoa-ho there's something in the air
yeah whoa-ho there's something in the air
yeah whoa-ho there's something in the air
yeah whoa-ho there's something in the air
woohoo

cus i been dreaming we can be the fire for this night
"

2007/11/03

Os Áureos Macaquinhos no Sótão



Ouvir aquele que provavelmente será, para mim, um dos temas do ano de 2007, sabendo eu que esta música que me deixava tão alegre e bem disposto, faz-me conseguir trazer uma carga de verdade nua que estimula o meu cérebro. No princípio desta estação fria, poderia pôr à prova a nudez de algumas outras mentes. Sem vícios aparentes, estou viciado.

"Woah oh
can't you see that people have their troubles
woah oh oh
and yes I think there all about their mom..."

(sigam a letra, se quiserem obviamente)

2007/11/01

Estação em Eclipse



Curioso como duas músicas de há alguns anos atrás voltam a fazer sentido na minha vida e tocadas de forma conjunta. Antes, apareceram de maneira isolada e em situações distintas, hoje tenho-as em conflito no meu interior. Coisas que escrevi há 2 anos atrás, fora deste contexto, parecem ser reais em 2007.

Como abrir um livro e encontrar apontamentos sobre "the true sense of being in love" e não rejeitar que ninguém compreende tal coisa. Complicado? Palavras difíceis? Palavreado nonsense? Será que são tão inconsequentes como tentar perceber se é a posteridade ou a posterioridade que causa vómitos?

[photo by Kraak/Peixinho @ Flaçà (ES), 8 Set '07]

2007/10/15

Locomotivas a Vapor



Os amigos são uma daquelas coisas mais preciosas que temos. Mas, às vezes acho que abusam, sobretudo quando te deitam abaixo uma série de vezes.

Malta, decidi-vos! Ter uma vida à medida é pensar que já estou demasiado velho para andar aí às voltas com o que já não é próprio para a minha idade e ao mesmo tempo pensar que sou demasiado novo para morrer?

Back off folks!
Dianne, am I a man for you?

2007/10/04

Must Be the Moon



Sometimes it's just one of those days
ain't u never had it happen 2 u?
then u go home 2 soon go home 2 soon
u could blame it on the music
but it wouldn't b right
cuz i've gotten lucky 2 some pretty bad tunes



must be the moon
must be the moon

2007/08/08

A Morte Não Tem Fotografia

Estarei eu preparado para a morte? Há pessoas que têm medo dela. Eu sinceramente não sei se tenho medo ou da vida ou da morte. A morte é um estado sereno. A vida nem sempre é serena. Toda a cultura ocidental vê o fim da vida como algo que se acaba, que se perde.

Esta madrugada estive ao telefone com uma grande amiga. A Ana Lúcia. Falávamos precisamente sobre o falecimento do seu pai, facto que ocorreu há uma semana. Se para ela é muito difícil, para a sua mãe, mais difícil se torna. Tudo passa. O tempo ajuda. O que sobra?

Ainda ontem respondi a um comentário sobre o tema: a minha idade começa a ser crítica em relação a pessoas muito próximas. Estarei eu efectivamente preparado para tal?

A seguir ao almoço, recebo de repente a notícia da morte de um ex-director meu. Fulminante. Finou-se em 4 meses. Estou chateado. Já estava triste de manhã. Pior fiquei durante a tarde. Ainda ontem à noite também melancólico estava ao lembrar-me do pai da minha grande amiga Ana e no que ela e a mãe estariam a passar.

Até onde vai a dimensão da morte? Até onde vai a experiência da vida? Será isto um paradoxo? Um dilema? Uma dúvida? Um axioma? Um teorema? O meu ex-director, sempre tão forte, tão frontal, tão blindado, não foi capaz de combater a morte, apesar de toda a sua resistência. E o pai da Ana Lúcia? Tão católico que era, estaria ele apto a aceitar tal destino? A religião ensinou-lhe que seria assim?

(E de repente, lembro-me do Brac, do meu tio que faleceu ano passado, da minha prima passada à ferro na A2, dos pais do Quim, do meu colega de faculdade e amigo Paulo, ...)

Eu não sei, mas acho que tenho que cortar os meus pulsos para recuperar a minha voz.

Este post não é ilustrado... a morte não tem fotografia.

2007/07/25

Saca o Coelho da Cartola


Estranho porque dizemos "contigo" e não dizemos "sentigo". Curioso dizermos "sem ti" e não dizermos "com ti".

Este post também é simultaneamente estranho e curioso. Será ele poderoso ou terei eu sido por ele hipnotizado?

2007/07/15

O Destino de um Blog



Não sei como é que este blog vai continuar daqui para a frente. Tendo o Paixaum >+++'> nascido para gravitar à volta das minhas paixões, começa a ficar restrito este espaço.

Os comboios infelizmente já não me dão a pica que outrora davam. Começo a ter raiva dos mesmos;
O Brac morreu;
A música tem um blog próprio;

O que resta? A poesia e o café?
Tu? Eu?

2007/04/24

iPOD Nano. Pode?


Inseparáveis? Sim, até que a morte nos separou. Infelizmente, este já morreu.

Não sei qual a côr que vou escolher... Hum...
Vou deixar cair todos ao chão e aquele que ficar ao pé de mim será o eleito.

Espero que não seja o rosa-choque, senão quem fica em choque é o Kraak.

2007/04/22

Arroz Com Fiambre


Após a pausa ditada pelos esclarecimentos efectuados no post anterior, nada como nos refrescarmos com uma brisa ligeira a soprar nesta real primavera ensolarada.

O Brac não se trata apenas de um animal, trata-se daquele que me tem vindo a acompanhar em vários momentos, como já expresso neste blog. Aquele que outrora já expressou livremente a sua agilidade através das correrias loucas que fazia bem como dos engates de bairro com as suas amigas. Hoje, apesar do olhar triste e infeliz que transmite, não consegui esconder uma valente gargalhada com esta louca fotografia tirada, quase que, por fracções de segundos.

Será que lhe faz falta o cheiro da carne?
Mas... qual será a carne que ele quer?

2007/02/21

Não sei se

compro papel higiénico vermelho ou preto. Ou normal.

2006/05/11

Despenhamento ou Naufrágio?


O meu maior mistério é o meu desejo de parar, estar de pé, fixar-te o meu olhar, mordiscar o teu ouvido e cheirar o meu oceano no teu cabelo. As dores que tenho e que me deixam numa teia cheia de nós diluem-se quando surges. Vejo o frio de Plutão com os meus olhos azuis de Neptuno, esquecidos.

Sinto-me com vida quando os alarmes intermitentes e os tinónis das sirenes, também intermitentes, se apagam na minha mente e nesta altura o que mais queria era agarrar-te e simplesmente... beijar-te..., desprovidos de qualquer sentido de cobrança. Anda! Senta-te aqui à minha beira.

A magia negra arrastou-me para os subúrbios longínquos de onde, por acaso, me libertaste de um passado que já estava fora de mim. Todos esses dias feios que me deixaram assim tão enjoado são apenas fósseis. Conheces o truque da elevação?

[ Adaptação livre de "The Party's Crashing Us", by Of Montreal
, (em audição nesta data) ]

2006/04/05

Kraakinho @ Moinho - Miss You Everynight

Gostaria de escrever um texto sem palavras, contudo creio ser uma batalha impossível. Ele terminaria onde teria começado: na dúvida.

Considero-me um homem livre, com desejo de felicidade, a inventar artistas, a beijar obras de arte, a cantar amor como sendo um fragmento do eterno. Para isto não preciso de inimigos estimados, mas o que têm as pessoas contra este mar?

Há músicas que deveriam ser proibidas ("Lost In Time", by Stellastarr*, em audição nesta data), principalmente em dias como o de hoje. Ainda não me considero maluquinho, mas se não estou submerso, foi porque não foi preciso.