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2008/05/03

A Melhor É a de Trigo


Mas é claro que apesar da minha alegria relativa e mesmo que me liberte das coisas comezinhas de trazer por casa, já James Murphy muito me ensinara sobre as nossas tribulações. Se há perguntas que antes fazia com alguma amargura, hoje verifico que há consolos próprios pelos quais nos devemos agarrar e através deles conquistar os nossos próprios méritos.

Há dias dizia que confiava no poder da minha confiança. Quanto mais confio, mais acho que ela se concretiza.

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/03/17

Intervalo Mental

Renovar. Renovar. Renovar.

2008/02/04

Um Guia Para o Forasteiro

Ao longo de muitos anos, sempre me ensinaste que cada vez que descemos, estamos ao mesmo tempo a subir. Engraçado, não? Nesta etapa algumas coisas caem e outras se elevam. Todo um processo. Toda uma vida. Todo um conjunto que nós próprios não nos apercebemos, excepto apenas quem nos vê de fora dos diagramas.

Mesmo hoje em particular, quando envelheces mais um ano, continuas a dizer-me que a vida é um gesto e que se alguém me quiser raptar que me deixe ir, sobretudo porque segundo as tuas palavras, alcançar a plenitude passa por amar, ajudar os outros e faze-los felizes. O resto é mundano.

Mãe, obrigado pelo esforço que fazes para que eu deixe de sentir o presente. Parabéns a ti!

2007/12/09

If You Know What I'm Talking' About


Não moro no verão, sou produto do inverno que tenta transformar, sem auxílio do aquecedor, o frio numa temperatura mais elevada. Encostei-me, encosto-me. Gero energia, dei-te o sol nos dias mais cinzentos. A prova da minha juventude reside na minha ainda frescura fluorescente e adolescente. A primavera iluminou a minha juventude. O verão consolidou-a. O outono, normalmente, vira de pernas para o ar o chapéu de sol ainda implantado nas areias da minha memória.

Para não perder a vida, aqueço-me com a minha residual energia. Nas rajadas de vento do passado. Estou preparado para isto? Tal como os The Go! Team, também dizia Josh Rouse com o seu "Love Vibration", "then you people all know what I'm talkin' about?".

Hoje chega o tema #23, um dos hits de 2007: "Grip Like a Vice" dos The Go! Team, extraído do álbum, 'Proof of Youth'. Mais informações sobre os The Go! Team podem ser lidas aqui.

"so get ready for this
get ready for this
party people in the place, get ready for this
to you!
so what you gonna do?
and do you wanna rock the house and turn this motha out?!

fly girls, are you with us?
and if you're ready to rock,
to help me turn it out
fly girls, are you with us?
and if the world know what we're talkin' about
and if the world know what we're talkin' about

to all the ladies (yeah!):
i want you to listen
hey, ladies! (yeah!)
1980!
watch out for the fellas (yeah)
that'll drive you crazy
look out, ladies! (yeah!)
and if the world know what we're talkin' about!
"

2007/12/06

In the Treasure Chest below My Breast


Dizer que a música de hoje é um dos (grandes) temas de 2007 é, nesta quinta-feira que foi ligeiramente ensolarada, algo que pode causar algum incómodo. Mas é um facto: de forma independente do curso das correntes, ela já estava separada para o efeito. Seria falso se não a listasse neste Top 31-2007.

É o rosto das personagens que se ancoraram, que procuraram o impossível, que julgaram ter encontrado o possível, que subitamente, como que a oscilar por cima das ondas, sopram a vela e escalam as colinas ensonados pela insónia da noite, mas que possivelmente tenham aprendido alguma coisa sobre viver, amar e cantar. Mesmo que em sonho ou pesadelo.

Sim, eu sei. Foi cantada de forma bilateral. Nada como fazer de conta que estamos todos a resolver as nossas vidas, nem que seja através de uma magia, para temporariamente estarmos bem.

Hoje chega o tema #26: "The Magic Position" de Patrick Wolf, extraído do álbum 'The Magic Position'. Mais informações sobre Patrick Wolf podem ser lidas aqui.

"And I know how you've hurt
And been dragged through the dirt
But come on get back up
It's the time to live
So give your love to me
I'm gonna keep it carefully
So deep in the treasure chest below my breast

'Cause out of all the people I've known
The places I've been
The songs that I have sung
The wonders I've seen
Now that the dreams are all coming true
Who is the one that leads me on through?

It's you
Who puts me in the magic position, darling now
You've put me in the magic position, darling so
Let me put you in the magic position, darling 'cause
I'm singing in the, the major key

Let me put you in the major key
"

2007/12/03

Twisted by Design


Nada como relembrar a frescura deste post e perceber a vontade de dançar, perceber a vontade de (re)viver, perceber que não podemos passar a vida sós no alto de uma montanha, como vigia de incêndios, sempre atento aos sinais de fogo. Um dia de lá teremos que sair.

Hoje chega o tema #29: "You! Me! Dancing!" dos Los Campesinos!, extraído do EP 'Sticking Fingers into Sockets', um dos EPs de 2007! Mais informações sobre os Los Campesinos! podem aqui ser lidas, para quem quiser.

"Not sure if you mind if I dance with you,
But I don't think right now that you care about anything at all.
And oh, if only there were clothes on the floor,
I'd feel for certain I was bedroom dancing.
And it's all flailing limbs at the front line.
Every single one of us is twisted by design
And dispatches from the back of my mind
Say as long as we're here everything is alright.

If there's one thing that I could never confess,
It's that I can't dance a single step.

It's you!
It's me!
And there's dancing!
"

2006/08/21

Petróleo e Álcool


Não sendo um ciclista que pedala sozinho pelos campos, pelas ruas ou mesmo pelos diques da Holanda, posso sempre falar para o lado ou pensar para mim próprio uma série de coisas, como se a minha cabeça funcionasse, de repente, com 2000 Mb de RAM.

O Verão é uma estação que nos permite pensar como foi a estação anterior onde a paisagem era de um verdadeiro panorama florido. Hoje é bom espreguiçarmo-nos numa daquelas tardes de domingo as quais antecipam o cair da folha e imaginarmo-nos no interior de um bar de cores acastanhadas, onde a nicotina se encontra entranhada pelas paredes há muitos anos. Sentado à mesa ou de pé no palco, a fazer observações mordazes sobre o quotidiano da vida, mesmo quando já se disse o suficiente mal da arte exposta nas paredes e que (suposta e curiosamente) está à venda: aquilo a que se costuma chamar 'Arte de Merda'. Por outro lado, muitos grafitis que insistem em classificar como "abaixo de cão", possuem muitas vezes uma arte simples e directa, sem abstracção.


Queria mais energia, mas menos poluição, para que esta nunca apague as palavras escritas nesse viaduto.

[ photo credits: Lo-Fi-Fnk ]

2006/06/21

Abundância da Vida


E assim continuamos a crescer! Com a harmonia e a energia desta nova estação do ano que hoje começou, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa.

Rios, mares e margens cheios de peixes, escorpiões e caranguejos para o solstício de verão em 2005, sem esquecermos em 2006 a inclusão das plantas que acordam cedo para receberem o alimento do Sol.

Um Feliz Verão é o que vos desejo.

2006/03/29

História Marginal


As nuvens, cada vez mais nervosas, mostravam ao longo do dia de hoje como este estava a correr.

Sombrio.

Sentia-me como se tivesse levado um raspanete do abade da aldeia, qual pregador a rezar antes da comida e ao mesmo tempo a abençoar o vinho onde ele próprio se vai embebedar e que a seguir à larpança, chafurdará na cama com a sua amiga (também conhecida por irmã) que com ele vivia, o porco. Queria ter feito algum escárnio, mas a boa educação impediu-me tal subtileza.

Por mais que tentem e se esforcem, continuam a preferir dormir no palheiro e a comer frango assado da churrasqueira.

Que bom chegar a casa e acender as luzes... mesmo que artificiais.

2005/12/28

Em Brasa


(continuação deste post)

Quem me conhece sabe que não sou nenhum coração de pedra, antes pelo contrário, mas sabem também que tenho uma arma que, por vezes, deita fumo. Não sou ninguém para dar e tirar vida a outras pessoas, mas sempre que é necessário, tento renascer de uma luz brilhante que me faz crescer cada vez mais.
    Não estás de fora. Pura e simplesmente estou a ver-te de outro lado, por outro prisma. Porque seja qual for o ângulo, o que importa é que estou sempre em brasa quando te aproximas.

    Hoje chega a #4 (em audição): Banquet, dos Bloc Party.

    "Turning away from the light
    Becoming adult
    Turning into my soul
    I wanted to bite not destroy
    To feel her underneath
    Turning into my soul
    And if you feel a little left behind
    I will see you on the other side
    Cos I'm on fire
    I'm on fire when you come"

    (continua)

    Kraakinho já escreveu sobre os Bloc Party aqui.

    2005/11/29

    O Nariz da Minha Mãe

    Fecho os olhos e vejo-te neste momento. Há uma intensidade de energia que irradia do meu corpo e que envio para ti. Levaste uma injecção de sono, uns comprimidos para a inconsciência, e eu fico ao teu lado em consciência, como um peixe carinhoso dentro de ti, submergido nesse teu aquário com o meu coração que de vez em quando pára a pensar em ti. Hoje está sol, mas tu não sabes. Imaginas que sim. Parece que sim. Mas nesta noite e como passaste o dia sem ver a luz de tal astro, levo-te o calor que precisas bem como o brilho dos meus olhos ao ver-te que estás bem.
      Amo-te, Mãe.
        [ photo by Luis Albero from http://www.aquaonline.com.br ]

        2005/10/24

        Candeeiro

        Apago as luzes dos cantos da casa e chego
        atrasado ao último espaço doméstico ainda aceso.
        Curiosamente és tu quem faz o clique no candeeiro.

        Mas antes,
        com os meus olhos ainda abertos,
        vejo mais um novo pormenor em ti,
        como se a luz do teu sol fortalecesse os meus ossos.

        E com os meus olhos semi-abertos,
        falas com os meus sonhos,
        observo o som da tua sombra
        que canta numa varanda sonolenta à minha janela.
        Durante este tempo aspiro nos teus lábios
        uma deliciosa fragrância de estrelas.

        Fecho os olhos.
        De manhã cedo, dormes e não há luz no candeeiro.

        2005/07/01

        Perímetro de uma Dança

        Hoje é um daqueles dias em que queria estar em casa, deitado na minha cama, a olhar para o tecto do meu quarto. Um daqueles dias em que teria flashes dos passados recentes e distantes. Um período de tempo em que voltaria a ter metade da minha idade. Nesse tempo em que olhávamos as estrelas com outro olhar e que nos céus encontrávamos sempre uma mais brilhante que outra. E mais outra. E outra ainda. E mais uma.

        Satélites de estrelas.

        Substituir o demónio em mim preenchido por uma recompensa própria, na esperança de bem colher algo lançado ao mar. Atenuar a sua saída das areias profundas das águas tépidas de um mar azul e verde, cheio de corais e recifes e de cores fortes e preenchidas.

        Admirar os segredos ocultos das profundezas, mesmo que em fantasia e sem efeitos secundários, sem que o pólen presente no ar das águas pare de entrar pelas minhas narinas, mesmo que me provoque alguma alergia. Num comboio sobre o mar, viajar no tejadilho da locomotiva, quase em tensão entre a corrente eléctrica e as águas desse oceano, sem me deixar ficar electrocutado, a contemplar as estrelas e a impedir que haja algumas nuvens carregadas e pesadas a tapar a minha visão.

        Com isto, iluminar a minha escuridão invisível.