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2008/05/10

Kafka à Beira-Mar




levanto-me. vou à janela de trás. respiro. de pé permaneço. olho para as minhas mãos. uma força impressionante leva-me até ao meu disco externo. aqui revejo algumas fotografias. depois desta imagem, ficam aqui mais estas duas.

nada a fazer. as células do corpo renovam-se todos os meses. depois de publicar isto, voltarei novamente a olhar para as minhas mãos.

[photos by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08 e @ Porto Santo, 30 Abr '05]

2008/05/08

O Milagre das Coisas Que Eram Minhas


A propósito da Undergrave Productions, ainda hoje me tornaram a dizer: "Fogo! Tu consegues tudo o que queres.", afirmação bonita e de certa forma, expressiva, embora algo me tenha novamente caído mal...

Wrong! Consegui algumas coisas nesta vida, a maior parte delas com muito suor. Não tenho a pretensão de conseguir tudo o que quero, até porque duas delas, apenas duas, são praticamente impossíveis de as (voltar a) ter, confesso.

Assim, vou conseguindo outras, através de mapas da surpresa, através de cabos que se contornam para nascente, através de ilhas com nomes novos, através de bússolas transparentes e compassos luminosos.

Sempre a tentar que o longe fique mais perto.

[photo by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/05/06

Não Sei Quantos Sentidos Tenho


"A distância que se invalida..." palavras d'O Piano. De um pranto que se forma através de um elogio que não mereço. O pranto é uma parte das nossas palavras instrumentais e instrumentalizadas que saem geometricamente dos seus contornos. Como se tirássemos as palavras de nós próprios e ao mesmo tempo tivéssemos uma pá para as recolher.

Fecho os olhos e aguardo pelos raios de sol que andam aí a chegar. Sem distâncias e na altura própria, o meu pranto fica para a minha sepultura, como numa reflexão fora de prazo, roído pelos arranhões dos gatos que povoam o subterrâneo do caixão.

Quando aí estiver realmente só, darei largas à imaginação da minha dor e lembrar-me-ei de um dos grandes álbuns dos Built to Spill: 'There's Nothing Wrong with Love'. Pois não. Não há nada de errado. Nós é que muitas vezes o matamos. Quer sejamos obrigados. Quer por não termos dado conta. Quer por não termos paciência.

Como se cada verso fosse uma diferente história.

"I thought I bored me but I learned to think like you
Now nothing bores me that's that nothing is thought through."

[photo by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/05/05

A Comunicação do Facto


A confiança que deposito no meu poder de confiança pronunciou-se diversas vezes e das mais variadas formas neste blog, através de muitas palavras. Uma em particular, alinhada ou não, com ou sem pranto a ouvir "All the Wine" dos The National, persegue-me muitas vezes... não é que esteja a querer mais vInHo, mas sim lutar pela salvação da minha própria existência.

Um dia pedi todo o vinho apenas para mim. Outra vez achei que todo o vinho era mesmo para mim. Mais tarde, achei que estaria sendo demasiado egoísta e concluí que esse vinho seria quase todo para mim.

Domingo, 11 Mai '08, aproxima-se... e partilho todo este vinho convosco e contigo em particular, mesmo que tenha que fazer um press-release da prisão.

[photo by Anna @ Praga (CZ), 24 Abr '08]

2008/05/04

Tune In For... MAMI


Mãe, felizmente poucas foram as noites que te dei sem descanso, medo e incerteza. Mesmo nestas sempre bem soubeste os seus significados e logo a seguir reencontraste-me a um nível superior.

E tu... tens uma coisa linda, aquelas coisas próprias de
mãe, ou seja, guardas tudo no teu coração, mesmo quando algum sofrimento te oprime. Os teus planos de amor e sabedoria ajudam-me sempre a partir os tijolos do muro que me rodeia. E não me queixo. E agradeço-te. E sinto-me sempre assim quando me dás a tua mão. Amo-te! Vem comigo mais uma vez, desta vez não a Hollywood, mas a Praga. :)

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 27 Abr '08]

2008/05/03

A Melhor É a de Trigo


Mas é claro que apesar da minha alegria relativa e mesmo que me liberte das coisas comezinhas de trazer por casa, já James Murphy muito me ensinara sobre as nossas tribulações. Se há perguntas que antes fazia com alguma amargura, hoje verifico que há consolos próprios pelos quais nos devemos agarrar e através deles conquistar os nossos próprios méritos.

Há dias dizia que confiava no poder da minha confiança. Quanto mais confio, mais acho que ela se concretiza.

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

Cheers!


Eu nada sou... cabeleireira curta, parte dela branca como a neve. A sua brancura pode reflectir-se na minha relativa alegria que pode abranger muita coisa, quanto mais não seja porque há outras pessoas que bem se encontram e esta felicidade é a mais importante, apesar das minhas dificuldades exteriores no longo e estreito corredor que percorro.

Revelo-me relativamente alegre porque felizmente, e tal como esperava, inveja e ciúmes não se prendem no meu coração e não invadem a minha alma, como se estivesse num inferno sepulcral criado por terceiros.

Preocupar-me comigo mesmo é tão desinteressante como os flocos de neve que caem e se dissolvem antes de tocarem alguma coisa... pois até a simples neve pode ser tipificada: a que se acumula e a que se dissolve.

À tua!

[photo by Michal @ Praga (CZ), 25 Abr '08]

2008/05/01

O Imperador Kraak IV


À minha frente, ao meu lado e atrás de mim, gente. Aos magotes. Homens de meia-idade, mulheres novas, homens novos, mulheres de meia-idade. Jovens. Estudantes. Grupos. Parzinhos. Máquinas fotográficas, telemóveis, cigarros, sorrisos, falatórios, gritos e bandeirolas.

Por associação de ideias, lembrei-me de ti, como se me tivesse naquele instante dado conta que não estava em Lisboa, o que não deixa de ser intrigante. Fecho os olhos - como se durante 4 segundos conseguisse dormir e sonhar - com paciência e amor observo-me-te em silêncio e acordo. Acordo numa [(in)feliz] realidade, mas com uma visão cativante.

Confio no poder da minha confiança.

[photo by Kraak @ Karlův Most, Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/04/30

O Silêncio Infiltra-se


Às vezes dizemos frases e damos respostas que nos saem de forma espontânea, directa, sem termos tido tempo para reflectir. E assustamo-nos. Não nos foi permitido tempo para dormir sobre o assunto e no dia a seguir, voltar a meditar sobre o tema. Não há tempos para hesitações nem para falsas humildades. O que há após isso é tempo para reflectir, aguardar de cara erguida pelos sofrimentos que se aproximam, confessar a nossa miséria por tudo o que não compreendemos.

A única referência que temos é o nosso próprio reflexo.

[photo by Kraak @ Praga (CZ), 25 Abr '08]

2008/04/29

Kraak (Com FranJapanalak), Fever-Set, 26 Abr '08


A quem possa interessar, um resumo do set da noite "Fever", onde partilhei o djing com o norte-americano Franjapanalak, encontra-se aqui disponível! :)







[photo by Anna @ Blind Eye, Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/04/28

Uma Questão de Fuso Horário


Quando os sinos das igrejas de Praga anunciam, em voz alta, os simples mistérios da minha própria vida, é altura de pensar que a minha alegria é pequena comparada à insignificante dor que sinto quando, próximo à minha garganta, se encontra um bocado de comida quente. De alguma forma também misteriosa ando com ela a rolar, entre os dentes e o céu da boca, até que ela arrefeça.

Como a comida quente custa a arrefecer o melhor mesmo é empurrá-la com um copo de vinho. Aceita-se portanto que ela não sabe a nada.

São estes pequenos acontecimentos que me permitem concluir que o tempo não se expande.

[photo by Kraak @ Castelo de Praga, Praga (CZ), 26 Abr '08]