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2008/03/26

O Sonho em Desalinho


[deixado no blog Palavras em Desalinho]

Eu gostaria de voltar a ter o poder de caminhar pela montanha mágica onde outrora me perdi, perto das nuvens, onde tracei vários poemas que se rasgaram na terra onde enterraram o sonho da alma do meu amor.

Sorte de quem arquivou as folhas caídas das árvores, com ou sem perguntas sobre os sentidos que povoavam a imaginação, com ou sem as raízes de uma nudez que não me cabe.


(Um dia também irei aprender a fotografar o sonho)

2008/01/18

Fotografar o Nevoeiro


Não sei se a minha visibilidade horizontal se reduz a menos de 1000 metros. Não sei se as nuvens que por mim sobrevoam são compostas por poluição, prendendo-me estas à minha própria superfície. Não sei se a obscuridade presente na minha atmosfera é uma consequência do meu espírito.

Será que existe alguma forma de levar o nevoeiro ao lume? Pô-lo numa forma untada com manteiga, por exemplo. Será que existe alguma maneira de assar o nevoeiro? Com castanhas?

Nevoeiro com manchas de fumo.
Gostava de saber fotografar o nevoeiro. Alguém sabe como se faz?
Smog.
(Não. Não é o Bill Callahan)

2007/08/16

O Cenário da Despedida


Ao escrever aqui sobre o último trabalho dos Two Gallants, o EP 'The Scenery of Farewell', só me vinha à cabeça uma situação que gostaria de ter ontem gritado para este blog.

Se calhar a idade já me permite ser directo em determinados assuntos ou não acreditar em certas coisas. Bem, na realidade nunca acreditei muito nas propostas de separação conjugal quando um dos componentes do par diz para "darmos um tempo". Pá, sorry, mas isto não existe. As razões invocadas podem ser todas válidas de ambos os lados (ou apenas do que quer "tempo para pensar"), mas sinceramente, acho que há coisas que não têm volta, pelo menos (quase que) imediata.

Custa-me muito ver pessoas a sofrerem pelo egoísmo de outras. Para quem "perde" é como realmente passar o tempo a contar as horas pelas colheres de café que se ingere.

Pela ilusão de alguns, pela delicadeza de outros, perdem-se vidas. Encontram-se desencontros inferindo que tiveram a vida errada no local errado.

E assim, tu princesa, que nunca foste dançarina, começarás atada, a bailar na prisão do rei.

2005/03/21

Utopia

Hoje é um dia estranho... Não tenho cores nem formas nem sons na minha cabeça. Às vezes esqueço-me quem sou... Haverá razão? Haverá sentido? Seria suposto por vezes esquecer-me de mim?
Na realidade acho que o meu cão precisa é de novos ouvidos para que os seus olhos vejam para sempre, faze-lo viver como eu... Again and again!
Sem alarmes, sem surpresas.

(let me out of here)