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2007/08/20

Haverá Vida Após a Morte?


Por falar em coice, quem na realidade merecia um era Alberto João Jardim pelas suas bacocas afirmações no arraial que usualmente faz em Porto Santo para marcar a rentrée política, não estaríamos nós nesta estação do ano propícia a alarvidades.

É curioso quando no degredo por ele proporcionado, cospe afirmações saídas de uma mixtape tipo Álvaro Cunhal que já (quase) ninguém suporta tamanha ignorância. Como pode ele afirmar que o Estado se sobrepõe aos direitos individuais e fundamentais dos cidadãos quando é o próprio Estado que dá a oportunidade aos cidadãos de optarem por um casamento gay ou por uma interrupção voluntária da gravidez? Se isto é degradação ou deboche, o que será então a política discutida na barraquinha das espetadas na Madeira?

Promover-se provincianamente para uma assistência de imbecis é precisamente incrementar o que os nossos pais não ensinaram, mas sim aquilo que aprendeu no berço político suburbano. É fácil criticar o sistema político português. Mais difícil é explicar que o líder e os seres rastejantes do PSD-Madeira vivem à pala da pouca-vergonha desse sistema.

Na minha opinião sincera, continuo a achar que Alberto João Jardim tem traumas de infância/adolescência/juventude que ainda não foram resolvidos. Talvez a quantidade de milho frito que lhe chega ao estômago atrofie o seu cérebro.

2007/07/24

De Bestas a Bostas é uma Diferença de Vogais



A ruralidade bacoca é algo que me assusta é não é tema novo aqui neste blog.

Pergunto-me que República é esta onde as mulheres que vivem na Madeira e que quiserem interromper voluntariamente a sua gravidez tenham que se deslocar ao Continente para algo a que têm direito.


A Região Autónoma da Madeira (RAM) não tem médicos capazes para tal? É preciso o Ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmar que vai mandar uma equipa de treino? Ridículo.


Alberto João Jardim diz que a RAM não tem dinheiro para tal e que a "
República não manda no Orçamento Regional".

Digam-me que isto não está a acontecer.
E menos festas nas assoalhadas da Casa Côr-de-Rosa? Pode ser?

Sim, sim e Daft Punk is playing at my house.

2007/02/13

Civilização

Ao ver os jornais na segunda-feira de manhã, tive a oportunidade de ver o mapa eleitoral do resultado do referendo. Se se nota nitidamente duas classes de portugueses, digamos que os druidas e os cavaleiros, verdade também é que a maioria das pessoas que participou no referendo demonstrou ter presente o duo sabedoria e conhecimento, recusando-se a conjugar o aspecto ciência sagrada, baseada em conhecimentos empíricos do chamado mundo vil.

Antes, ou seja, em '98, parecia que a maioria concordava com esse moralismo burguês, tantas vezes perverso, tantas vezes fraternal. Quando a neve se derreteu, para muitos que votaram "NÃO", acabou por ser um alívio o resultado final, como se já não tivessem que se preocupar com a própria natureza arcaica existente dentro de si, criando conflitos de consciência entre o ser e o parecer.

Não deixa de ser excitante pensar que alguém disse que as flores preferidas das cozinheiras são os ramos de salsa. Excitante e perverso.

2007/02/11

2007/02/07

Paixaum >+++'> pelo SIM


Esta é a última semana de campanha do Referendo Nacional sobre a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Muita coisa aconteceu ao longo de toda a campanha e se calhar até 6ª feira, mais alguns disparates irão acontecer, disparates estes sempre a pender para o lado das Plataformas que defendem o "NÃO".

Acho ridículos os argumentos totalitários dos defensores do "NÃO", sempre a pensarem nos seus umbigos e ignorando a própria realidade que os rodeia. O argumento bacoco-provinciano sobre o "surgimento da vida" também é uma bandeira que não cabe na cabeça das pessoas, por mais que estas tenham pouco desenvolvimento cerebral. Os aspectos económico-financeiros reinvindicados pelo "NÃO" são de ir às lágrimas com tanta inutilidade e contradição expostas, sobretudo quando a campanha pelo "NÃO" está em grande parte a ser financiada por grandes grupos económicos, o que no meu entender, é no mínimo hipócrita.

Só queria relembrar uma vez mais que no próximo referendo não temos que nos pronunciar sobre a partir de qual momento começa a haver vida, conforme tentam passar os sectores conservadores da sociedade nacional, com a escandalosa ajuda falso-mesquinha da Igreja. Acho que cada religião vê a existência de vida de formas diferentes e portanto tudo varia consoante as características de cada uma delas.

Teorica e cientificamente e de acordo com o que li, a vida só existe quando o ovozigoto expelido do útero consegue sobreviver no mundo exterior, o que equivale, em termos práticos, a mais ou menos 20 semanas.

Estas cenas do "divino", "concepções imaculadas", "mistérios do universo", "cartinhas de um feto à suposta mãe", etc., são indecentes e mais uma vez não é para aqui chamada no próximo referendo. Essas parvoíces são um atentado à mente humana portuguesa. O que se pretende referendar é se as mulheres podem decidir interromper a sua gravidez, sob determinadas condições, sem terem que ir para a prisa como se fossem umas vacas assassinas.

Uma mulher não quer ter obviamente o prazer de abortar. Se há motivos importantes (não só para a mulher mas para também para o pai), associados com aquilo a que se chama maternidade/paternidade consciente e responsável, há que ter o direito de não deixar vir um rebento ao mundo o qual não viverá nas melhores condições sociais e por consequência interromper a gravidez voluntariamente e em condições sãs de saúde.

Os partidários do "NÃO" que se desiludam quanto ao aborto clandestino: ele vai continuar a existir e continuar a dar receitas chorudas a muitos desses médicos que andam a apelar ao "NÃO", embora os mesmos mantenham algumas clínicas clandestinas destinadas a tal. Se votarmos "SIM" ele também não desaparecerá, mas tem uma tendência forte para ser atenuado.

Ao votarmos "SIM" continuamos a apelar à vida e damos um passo civilizacional em frente (que tanto precisamos), passo este que a Igreja Católica bem como alguns sectores da sociedade teimam em manter-nos quase na era da Inquisição onde os opositores iam para a fogueira e onde a vida de facto era só para alguns. Desta forma pretendem continuar a condenar as famílias com menores recursos bem como as jovens grávidas a interromperem a sua gravidez em condições deficientes e humilhantes, sujeitas a um julgamento e uns anitos enjauladas.

Kraak é "PELO SIM" e pelo fim do Artº 140 do Código Penal e pelo fim da hipocrisia reinante neste país.

..:: Jovens Pelo Sim; Movimento Voto Sim; Movimento Médicos Pela Escolha; Movimento Cidadania e Responsabilidade; Em Movimento Pelo Sim.

2007/01/31