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2005/03/07

Comboios (Divagações Sobre Recordações)


[ Kraak/Peixinho @ Estação de Santarém, 1988 ]

O comboio avança, as estações sucedem-se, as horas correm. Pensando nas fases da vida que não são já as de infância, acho que uma viagem de comboio é, também, como uma representação do tempo da própria vida, da sua duração com as suas frases e ilusões distintas, com as suas repetições também previstas e também com as suas monotonias. Porque em determinada estação é previsível que ocorra algo sempre igual, sempre e em outra ocorrerá algo também parecido por experiência anterior.


Só que a chegada a uma determinada estação poderia ser comparada com a abertura de uma grande ópera. Porque de facto anunciava algo prometedor e grandioso.

Os comboios mudaram... mas deixaram a sua consciência romântica desde o seu nascimento no século XIX (século romântico por excelência).