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2008/05/10

Kafka à Beira-Mar




levanto-me. vou à janela de trás. respiro. de pé permaneço. olho para as minhas mãos. uma força impressionante leva-me até ao meu disco externo. aqui revejo algumas fotografias. depois desta imagem, ficam aqui mais estas duas.

nada a fazer. as células do corpo renovam-se todos os meses. depois de publicar isto, voltarei novamente a olhar para as minhas mãos.

[photos by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08 e @ Porto Santo, 30 Abr '05]

2008/02/22

A Teoria dos Corvos

Há coisas que já me esgotam. Há palavras que me faltam.
A inspiração derrete-se como se estivesse a fundir o ferro.
Há elementos que vão de uma forma e voltam de outra, como se lançasse um boomerang e verificasse de seguida que o boomerang que regressa não é o mesmo.

- Posso deixar a música ligada? Incomoda-te?
- Não. The National nunca me incomoda.

2008/01/14

A Beleza Que Nos Aniquila a Vida

Nos tempos que correm e reduzido a quase nada, pensava eu que já conseguia distinguir a diferença entre ingenuidade e sacanice.

2008/01/09

É A Fingir?


Nos últimos 2 dias, mais uma vez encontrei uma música a qual por acaso gosto bastante ("A Hand to Take Hold of the Scene", dos Okkervil River) e que parece encaixar-se neste cenário de talkshow sensacionalista que pareço estar exposto.

Não é que este tema me faça chorar, antes pelo contrário. Permite concluir que embora o solo se tenha aberto à minha frente, ainda consigo ter o discernimento, não de arriscar a dizer o preço certo, não de adivinhar qual a letra inicial da capital da Letónia, mas sim de perguntar se não há para ali ninguém a deitar uma mãozinha a esta encenação.

[photo by Kraak/Peixinho @ Prime Club, Colónia (DE), 25 Nov '07]

A Felicidade Não Passa Por Ter uma Casa com Jardim


Recordo-me que desde miúdo me apercebi que as lágrimas são salgadas (recordo-me também que as moscas são azedas porque certa vez uma entrou pela minha boca sem pedir permissão). Sempre tive, quer por razões de personalidade, quer por razões de percurso pessoal, uma vida muito emotiva. Hoje não me emociono com o que provavelmente a maioria das pessoas sente ao deitar uma lágrima, mas sim com outras coisas, simples coisas, desde um filme, um vídeo, um livro, a chegada de alguém a uma nova cidade, uma música, a minha infância, a minha vida, uma imaginação, um sonho, as pessoas de quem outrora ri ou as pessoas que deixei fugir.

Se calhar por este motivo posso considerar que tive muitos momentos felizes na minha vida. Chorar é maravilhoso. A música sempre foi uma das principais responsáveis por eu derramar lágrimas. Por isso, gosto de presentear as pessoas com músicas, quer seja em formato vinil, K7, CD ou um mp3 solto via e-mail.

Quase chego ao absurdo de dizer que quero viver a chorar para (continuar a) ser feliz.

2007/12/17

In the Morning I Feel I'm Digging My Heels


Como o apanha-bolas de serviço numa partida de ténis, sempre de um lado para o outro e cauteloso para não tropeçar na rede, a apanhar bolas e também a levar com elas. Felizmente não tenho talento para num jogador de ténis me tornar.

Não sei se isto é uma regra ou uma tendência previsível por factores empíricos, mas a expectoração provocada pela tosse torna a minha visão apertada, embora curiosamente o meu peito continue macio. Podem cercar-me, podem confiscar a minha fortuna, podem amordarçar-me e podem descartar-me numa qualquer noite, atirando-me do alto do castelo para o rio que serpenteia à sua volta.

Como uma espécie de Peste, avanço sem que haja helicópteros a sobrevoar o curso do rio, com salvadores equilibristas, pendurados por grandes cordas. Assim, levantem as pontes móveis e baixem as persianas para nada verem, para não serem incomodados, porque enquanto houver álcool a jorrar do barril, ninguém estará sóbrio.

Sem pílulas e pastilhas, sem bolas na algibeira, e deste modo, com menor probabilidade de me afundar antes de chegar ao mar, apenas prendo a respiração enquanto as pedras tropeçam pelo meu peito.

Penso na maior parte dos apanha-bolas que seguramente desejariam que as redes dos courts de ténis fossem cada vez mais altas.

Numa espécie de 2 em 1, o post de hoje foi inspirado em dois grandes temas de 2007: o 14º tema do Top Tracks 31-2007, "Raging in the Plague Age" (em audição no Kraak FM <'+++<), vem pelas mãos dos norte-americanos Les Savy Fav os quais possuem um dos 20 melhores álbuns de 2007, na minha opinião: "Let's Stay Friends". O outro tema não é o 13º melhor do ano, mas sim a primeira menção honrosa a destacar neste Top 31 de 2007: "The Pills Won't Help You Now", composto pelos fabulosos Midlake (os que para mim arrebataram o prémio de melhor álbum de 2006), para os The Chemical Brothers. O tema encontra-se no último álbum dos The Chemical Brothers, 'We Are the Night'.

Informações adicionais sobre os Midlake: aqui no Paixaum >+++'> ou por este link, via Kraak FM <'+++<. Informações adicionais sobre os The Chemical Brothers podem ser obtidas através deste link. Para quem se interessar, por aqui mais informações sobre os Les Savy Fav.

"robbed of your fortune
they gave disappointment and lies
they're probably poisioning your body
i hope you're alright

in the morning you'll feel
you're digging your heels
the pills won't help you now
"

2007/12/16

The Oceans Were Your Eyes, The Pastures Were Your Curves


Há alguns meses atrás eu não percebia porquê a música proposta para hoje me arrepiava e me fazia chorar.

Hoje, eu percebo.

Se tivesse bola de cristal ou fosse o David Lynch, diria que o mês de Outubro seria o mês de Agosto. Ao escrever estas palavras para terceiros, parecia que já estava por casa em auto-terapia, a contar as horas a passar, pelas colheres de café que depositava na máquina da louça.

Hoje chega o tema #15: "Seems Like Home to Me" dos Two Gallants, extraído do EP 'The Scenary of Farewell'. Mais informações sobre os Two Gallants podem aqui ser obtidas.

"Baby, when I was young of age, I took you for my world
The oceans were your eyes, the pastures were your curves
But now I'm all alone stranded in the West
Where you sleep tonight I can only guess

Baby, let your light shine on me
When I'm lost on the road
You know you could set me free
You could ease my load
There's something on the hills you know I gotta see
I've been gone so long, it seems like home to me

Well, baby, I gave you all I got and told you all I know
But you want someone I'm not so it's time for me to go
When a sparrow needs its rest, it takes the nearest tree
But if I pass back this way, there's still light on me
"

2007/12/12

Meet You There Sometime, Wasted but So Fine


As coisas que as outras pessoas não acreditam fazem-me sempre pensar nos corações que não falam, mas que em conjunto com o cérebro, sentem. Sentem como eu me sinto incompleto. Não é a mágoa que sai do repuxo dos meus olhos, mas a sensação de réptil que um dia gostaria de ter pernas. Sou mais um na lista.

Poderia ser como o autor da música hoje em audição: James Chapman (Maps). Quando escreveu esta canção, de nome "Elouise", lembra-se que era verão, e um daqueles bem quentes. A sua inspiração foi totalmente proveniente de uma mulher que conheceu numa dessas noites (a suposta Elouise). Elouise que passava por momentos muito maus na sua vida.

Basicamente, além de ser um tema belíssimo, ensina-nos a nunca desistir das coisas. Sem que eu queira ser um cenário, continuo com o meu sentido de permanência na vida e a lutar por aquilo que vale a pena. Se ainda há brilho nesse mundo, quero que ele atinja a minha alma. Tal como dedicado à Elouise, também posso aproveitar a boleia e dedicar-me, a mim próprio, este tema.

Hoje chega o tema #19: "Elouise" dos Maps, extraído do álbum 'We Can Create'. Mais informações sobre os Maps podem ser lidas aqui.

"so you can read my mind
but it takes you time
to lead them from the lies

cos hypocrites can't look me
in the eyes
they won't make you change your mind
some people they are born
and they are kind
cursed upon the starting line
some people they are born
and they are kind
elouise don't change your mind
"

2007/12/10

Shadows They're Good, Then I Know There's Light


Quando alguns momentos da vida são desperdiçados, nada como pensar que estamos cada vez mais perto daquilo que nunca iremos ter. Como já há muito referi neste blog, existimos entre parênteses, vivemos num mundo incerto, não sabemos quantas lágrimas irão escorrer dos nossos olhos até ao nosso queixo, desde a nascença ao fim da nossa existência.

Mas também se o mundo fosse certinho e se todos fossemos igualinhos, qual seria a piada de viver? Estes são os nossos maiores desafios e a graça e a inteligência de viver, residem nesse ponto. Nem que seja com o auxílio da luz das sombras a desbravarem os nossos trilhos. É como viajarmos de avião à noite: na altura da descolagem e da aterragem, as luzes da cabina são reduzidas: se acontecer alguma coisa má, já estamos habituados ao escuro.

Certo? Certíssimo!

Hoje chega o tema #22, de um dos grandes álbuns de 2007: "61" dos dinamarqueses The Kissaway Trail, extraído do auto-intitulado álbum, 'The Kissaway Trail'. Mais informações sobre os The Kissaway Trail podem ser lidas aqui.

"Yeah!

Writing everything down
In order to keep track of time
The scent, the day, the moment!

With hands covering my eyes
Shadows they're good, then I know there's light
We can, we're strong, we'll beat it!
We can, we're strong, we'll beat it!
We can, we're strong, we'll beat it!
"

2007/12/06

In the Treasure Chest below My Breast


Dizer que a música de hoje é um dos (grandes) temas de 2007 é, nesta quinta-feira que foi ligeiramente ensolarada, algo que pode causar algum incómodo. Mas é um facto: de forma independente do curso das correntes, ela já estava separada para o efeito. Seria falso se não a listasse neste Top 31-2007.

É o rosto das personagens que se ancoraram, que procuraram o impossível, que julgaram ter encontrado o possível, que subitamente, como que a oscilar por cima das ondas, sopram a vela e escalam as colinas ensonados pela insónia da noite, mas que possivelmente tenham aprendido alguma coisa sobre viver, amar e cantar. Mesmo que em sonho ou pesadelo.

Sim, eu sei. Foi cantada de forma bilateral. Nada como fazer de conta que estamos todos a resolver as nossas vidas, nem que seja através de uma magia, para temporariamente estarmos bem.

Hoje chega o tema #26: "The Magic Position" de Patrick Wolf, extraído do álbum 'The Magic Position'. Mais informações sobre Patrick Wolf podem ser lidas aqui.

"And I know how you've hurt
And been dragged through the dirt
But come on get back up
It's the time to live
So give your love to me
I'm gonna keep it carefully
So deep in the treasure chest below my breast

'Cause out of all the people I've known
The places I've been
The songs that I have sung
The wonders I've seen
Now that the dreams are all coming true
Who is the one that leads me on through?

It's you
Who puts me in the magic position, darling now
You've put me in the magic position, darling so
Let me put you in the magic position, darling 'cause
I'm singing in the, the major key

Let me put you in the major key
"

2007/10/13

Explosões no Metro e Algures no Céu



Não tenho noção do espaço. Tento um novo sinal. Esforço-me.
Não.
Não quero.

Às vezes penso se não serei uma espécie de monstro. Como se tivesse necessidade de me identificar com a minha impressão digital no meu próprio computador.

Eu sou um ponto. Subterrâneo. Por aí, por onde circula o metropolitano.

O lamento transforma-se um real problema quando decido transportar comigo um carregamento superior de explosivos.

2007/06/16

Já Não Posso Mais


Dado o meu estado de dependência do braço esquerdo, não sei como é que irei participar no Bike Tour Lisboa, no próximo dia 24 Jun '07. Eu a pensar que iria poder começar a pedalar no Deserto... Nunca se sabe se não me atiro da Vasco da Gama antes de chegar ao Parque das Nações.

2007/03/17

O Triunfo


Será que é possível inventar um abrigo onde eu possa albergar as pessoas de quem gosto, mas dando-lhes sempre a hipótese de movimento dentro e fora do abrigo?

Nunca acreditei no triunfo isolado de ninguém: acho que precisamos sempre dos outros para progredir.

2005/05/10

Terra, Marte, Neptuno e Plutão

Hoje, durante o almoço, tive uma alucinação.
...

O reflexo de Marte atingiu-me por baixo dos meus pés.
Se Plutão não estivesse tão longe, diria que o reflexo viria daí.

Tão longe do Sol e tão longe da Terra.
Plutão é mesmo um planeta ou um satélite de Neptuno?

;=)

Refugiado

Num



é como me sinto. É como aguardo.
Em silêncio. Neva lá fora.
Não sei qual é a tonalidade do céu.


Tristeza nos teus olhos

Fumo de um antigo comboio a vapor
Faúlhas em brasa soltas
Que povoavam o interior do teu corpo

Sabes, eu não queria dizer-te adeus

E não quero concluir que o amor é uma grande ilusão
Não quero e não posso ser
Contraditório com as antigas estações onde desci

Há coisas que esqueço, mas… ainda existem

Algumas
Presentes
No meu cérebro

Sinal verde – arranque de saída
Não havia semáforos vermelhos
A via estava livre
Frenagem. Emergência.

Descarrilamento.


Sou o único que se sente ainda um pouco

Perdido
No meio da via, junto aos carris
Junto à erva que cresce ao seu lado

Há coisas que esqueço, mas… ainda existem

Algumas
Presentes
No meu cérebro

Não sou seguramente o passageiro

Pelo qual o teu coração chama e
Por isso, partiste
Eu sei

Sentado numa das carruagens

Sózinho no meio do Nada
Não sei qual caminho seguir, não sei qual linha apanhar
Não sei qual transbordo fazer

Eis que há vozes que anunciam nesta minha 3ª paragem

Informações e palavras deslocadas
Não muito de ti
Já não muito mais de mim

Adiam-se os momentos de

Apanhar o comboio para a
4ª paragem
como o tempo que uma árvore leva a crescer

(Foto enviada pelo meu amigo Sérgio)

(dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)

2005/05/06

A Responsável, #2 (agora em versão audio, LOL)



Após vários pedidos expressos de alguns bloguistas (e eu feito troglo fazer ouvidos de mercador), aí está ela, ela, ela, esta letra
do lado direito do monitor. --->
A responsável que já teve direito a post.

Hoje não me apetece nem escrever nem comentar nada. Posso?

2005/04/16

A Responsável


Foi esta música a responsável pelo sucedido ontem de manhã.

2005/04/15

I Don't Care If This Sounds Weird

Chorei esta manhã.
(já passou...)
I'm not a perfect blue :(

'dasse

2005/03/23

Completamente "ONTSPOORD"

Daar lig ik dan, mooier dan ooit, 't is net alsof ik je al jaren ken. Je kijkt me aan het voelt zo compleet, volmaakt gelukkig als ik bij je ben.
Je weet nog wel, die allereerste blik, dit had niemand nog met mij gedaan. Je nam me mee, verder dan ooit, ik wist dit zou nooit meer overgaan.
In de bergen op de fiets, op de wolken in het niets, waar we zijn maakt mij niet uit. Want als ik in je ogen kijk, voel ik mij er zo in thuis, ik leef voor jou, ik heb je lief.
Want er is niemand die weet hoe ik me voel, die zegt wat ik bedoel, die mij zo goed begrijpt.
Want er is niemand, waar ik zo diep voor ga, niemand zoals jij.
:(

2005/02/17

Desabafo

Sinto-me cada vez mais frágil, mais vulnerável a tudo o que me possa ferir, pelo simples facto de ter aberto a porta, sem reservas, a algo que me pudesse fazer feliz.

[ Adaptado de Lourenço, Frederico in "O Curso das Estrelas" ]