Para a Edite
Era uma vez um peixinho que trabalhava muito e que não se queixava em demasia. Há muito tempo atrás através de uma queimadela de cigarro, recebeu uma carta para ir ao encontro de uma ex-cabeluda de cabelo curto. Nessa altura, onde o eclipse da véspera ainda persistia e onde o sol e a lua estavam na sua estação de sonho.
- Olá, que gira estás com este corte de cabelo. :)
E a tua vontade era esconderes-te num local onde ninguém te encontrasse. Mas não, nem te assustaste nem te escondeste. E porquê? Porque és uma mulher que detesta normas e que procuras sempre viver num mundo aberto e liberal. E o que se passou a partir desse dia? Continuei a voar nesta altura e tu acompanhaste-me. Imparcialmente ajudaste-me em afirmar que não seria um erro em lutar pelo que queria. E de alguma forma deste-me uma estrela para me guiar. Valeu a pena. Valeu a pena a tua capacidade de ligação à tua inovação e ideal.
Entretanto, muito tempo depois, confrontado novamente nas minhas dúvidas, a minha tarefa não era assim tão fácil e eu tinha que de alguma forma conquistar a minha amada e o que eu precisava era aprender a apanhar estrelas, pois já me tinha esquecido como se fazia.
E durante algum tempo lá corria para a beira da minha amada cheio de estrelas nas mãos. Até que houve um dia que eu me tornei um triste caçador porque ela já havia dado o seu coração a outro navegador.
Nestes momentos em que a luz da lua foi encoberta pelos céus carregados de tormentas, onde eu fui ao topo da montanha e aí me sentei, com muito frio, tu ofereceste-me um cobertor cortado dos teus vestidos e permaneci num reino quase que invisível. Como que a observar baleias em alto mar onde só havia golfinhos a brincar. Ofereceste-me os teus ideais lógicos e a verdade acima de tudo, de mãos dadas com o teu espírito humanitário e voluntarioso.
A luz emanada desse cobertor era suficiente para iluminar toda a minha cabeça que estava, de repente, caída no chão. E tu deste a mão a este jovem que recuperou linhas do seu passado em forma de poemas.
Este suposto jovem poeta vagueou por espaços estranhos, viajou por galáxias longínquas, começou a fazer cálculos malucos a tentar encontrar uma solução óptima para o problema. Pilhas de papel, de contas, de desenhos, gráficos e esquemas sem encontrar uma explicação plausível para tudo o que tinha visto.
Mas tu, com a tua coragem e tolerância, sempre me ajudaste a encontrar a porta. Era tudo um sonho e eu precisava era de dormir. Eu dormia acordado entretanto afogado.
Até que finalmente disseste:
- Até que enfim! Estava a ver que nunca mais dali saías.
- Pois, eu também.
E porque o mundo é feito de estrelas, breve breve mais uma estrela connosco estará, resposta do amor de duas pessoas que se amam e que se querem muito. Ela brilhará tão forte, tão forte, que será mais rápida que o sol a aquecer a Terra todas as manhãs. Como luzes eternas entre os Amigos. Uma passagem pelo Reino das Cegonhas de onde virá possivelmente um peixinho. Ou uma peixinha. :D
PS – Podes achar ridículo, mas o livro dos Stereophonics que me trouxeste há 7 anos de Edimburgo e o Kit Origami ocupam lugares muito importantes comigo.