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2008/06/12

Cogumelos de Amesterdão


A trip que esta madrugada não tive foi mesmo real. Justifico:

Posso ser a droga mas nenhuma tomei.

Não se trata de estar num deserto com quatro camelos e um cão. Trata-se de viajar em alta velocidade por um túnel que me levava para o infinito. Fatalmente apanhado fui por algo que consegui fugir e que, mais calmo, como se fosse um vidro, vi a serena água que se aproximava lentamente e que, ao escorrer, penetrou os poros de toda a minha pele.

Atento e sensível, com medo e assustado, nesta madrugada, dei-me conta do que estaria fora do meu alcance. Hoje, mais tarde, disseram-me que eu era exemplar.

Indiquem-me uma imagem no mapa onde para sul possa rumar. E voltar.

2007/09/26

O Triunfo da Gaivota



Hoje pela manhã recebi uma visita inesperada: a minha amiga de sempre voltou a visitar-me, só que desta vez consegui tirar-lhe uma fotografia. Como habitualmente, instalou-se no parapeito da janela e dali me observava. Movimentava-se de um lado para outro sem ignorar os meus olhos. Normalmente esta minha amiga aparece sempre em situações em que a minha mente está conscientemente a atravessar um túnel ou um desfiladeiro com alguma dificuldade.

Fiquei feliz ao cumprimentá-la. Trouxe-me satisfação, forçou-me um sorriso e passou-me a mensagem do triunfo, tal como sempre as gaivotas fazem.

Mais que isso, serviu-me para chegar ao outro lado do percurso, concluindo que até posso ser como o gato Zorbas que ensinou a gaivota Ditosa a voar, mas sem perfil para chocar o ovo do qual nasceu Ditosa.

Na realidade, tudo aquilo a que nos dignamos fazer, se tivermos mesmo vontade que elas aconteçam, seguramente o conseguimos.

[photo by Kraak/Peixinho @ Lisboa, 26 Set '07]

2005/09/13

Túnel


[photo @ Giba, Sardenha (I), 2005.09.09]

...e se a neve por algum motivo te escondesse de mim, eu escavaria um túnel da minha janela à tua, sim, um túnel desta praia à tua baía.
Tu treparias pelo mastro do barco acima e encontrar-me-ias no meio, no meio de uma cidade.
E desde que não houvesse ninguém por perto, esqueceríamos tudo o que supostamente conhecíamos, e então a nossa pele tornar-se-ia mais espessa para vivermos fora, na neve.
Tu mudas tudo quando dormes na minha cabeça, assim como quando o dia cresce sombrio e eu oiço-te a cantar um hino doirado.
Então tentámos dar nomes diferentes a nós próprios, mas esquecemos todos os nomes que, todos os nomes que supostamente conhecíamos.
Porém às vezes, lembramo-nos dos nossos quartos, e dos quartos dos nossos pais, e dos quartos dos nossos amigos.
Então pensamos nos nossos pais, bem o que lhes terá acontecido?
Purifica as cores, purifica a minha mente.
Purifica as cores, purifica a minha mente, e espalha as cinzas das cores sobre este meu coração!

[Adaptação livre de "Neighborhood #1 (Tunnels)" by Arcade Fire, do álbum 'Funeral']

:: Neighborhood #1 (Tunnels) [ para ouvir aí ao lado :) ]