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2007/12/19

Light Touch Your Hand, in a Dream of Golden Skans


Caro Amigo,

esta escrita esteve desde domingo pronta para ti. No meio de uma noite branca, no meio de gestos irrequietos, no meio da música em audição, no meio da madrugada de sábado para domingo senti como os teus brilhavam, senti como as luzes tocavam as tuas mãos, senti os espaços que ainda tens por explorar, senti toda a tua colecção infinita de discos que ainda tens para mostrar.

É bom ver-te assim navegar. Foi bom ter-me sentido feliz e agradeço-te por este momento mágico que, sem querer me proporcionaste. Com o teu gesto e sem quereres e sem fazeres a menor ideia do que me ia na alma, deixei durante algumas horas de tecer os meus recentes dias, de alinhavar as minhas últimas semanas, de costurar os meus anteriores meses. Qualquer que fosse o significado da palavra "Skan", quer seja um deus mitológico, quer seja um jogo de luzes especial, próprio para as noites que os Klaxons proporcionam ao seu público.

Mas o que é isto de deuses? Nós não somos perfeitos como eles. Tentamos içar a vela com alguma exactidão, tentamos encontrá-los à volta das nossas caminhadas à beira do ribeiro, tentamos no meio das danças afastar tormentos, tentamos ser como a luz do mar e ao mesmo tempo tentamos que os reflexos das Skans se transformem em sombras que se cruzam. Só quero que continues a seguir esse teu fantástico caminho.

Tal como tu, o que eu mais queria neste momento, era passar horas e horas e mais horas nos areais à beira-mar, com quem eu realmente amo, até ser ou não acordado pelo Skan do amanhecer.

Sei que é difícil, mas se aparecesses amanhã no Incógnito, verias que no dia a seguir, através dos Skans do solstício de inverno, as árvores só começarão a ter folhas novas.

Desculpa este meu mau jeito para este tipo de post, até porque já tinha imposto a mim próprio que não escreveria mais sobre pessoas amigas neste blog, mas, querido Amigo, o tempo urge e tu mereces.

Hoje, trago o tema #11: "Golden Skans" dos Klaxons, extraída do álbum 'Myths of the Near Future". Mais informações sobre os Klaxons podem ser obtidas aqui.

"A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.

Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
"

2007/07/20

A Colagem de Rótulos


A publicidade da Rádio Belga Studio Brussel, associada a esta fotografia, e que pretendia divulgar os óculos "Incógnito", é esta que se encontra aqui ao lado.

"Protege a tua privacidade" era o lema da divulgação da promoção dos óculos a qual se encontrava em todos os festivais de música onde estive.

No ano europeu da igualdade e oportunidade para todos, nada como promover a evolução das mentalidades. Do preconceito à discriminação estamos a um passo.

Cada um abastece com o combustível que melhor alimenta a sua máquina de pulsações.

2007/07/18

2005/06/15

Incógnito

1ª Parte
O revisor grunhe uns ruídos estranhos as quais muito pouca gente percebeu. Rapidamente concluímos todos que, na realidade, o selvagem queria era ver os bilhetes. Eram todos válidos. Com o passar das horas o compartimento onde viajávamos ficava mais vazio. Antes povoado de passageiros vários, à medida que as paragens ocorriam e que o fim do trajecto se aproximava, fomos ficando eu e tu sentados de frente. O que é a tua vida? Tens um ar de amargura ao mesmo tempo que de frescura. Não sei o que pensas de mim ao fim destas horas consecutivas de companhia casual. Não te dei muita atenção, porém vi que eras gira e que lias uma revista de cães. Observei-te discretamente quando foste fumar um cigarro. Fechei os olhos dentro do meu livro, dentro da minha música. Inevitavelmente começaríamos uma conversa, nem que fosse de ocasião. Reparo agora melhor em ti e antecipo o que mais tarde me disseste.

2005/03/05

A Incógnita

A equação, na página do seu caderno de apontamentos, começou a abrir uma cauda muito larga, manchada de olhos e de estrelas como a de um pavão; e depois, quando os olhos e as estrelas dos expoentes foram eliminados, começou a dobrar-se lentamente. Os expoentes que apareciam e desapareciam eram os olhos que se abrem e voltam a fechar; os olhos que se abriam e fechavam eram as estrelas que nasciam e se apagavam. O vasto ciclo de rutilante vida atraía o seu espírito exausto era para o seu limite exterior ora para o seu núcleo interno; uma música distante acompanhava-o para dentro e para fora. Mas qual música? As estrelas começaram a fragmentar-se e uma nuvem fria de poeira de astros caiu através do espaço.

A luz opaca caía debilmente sobre a página onde uma ou outra equação começava a desdobrar-se vagarosamente, com a cauda cada vez mais ampla. Era a sua própria alma a caminho da experiência, desdobrando-se pecado após pecado, alargando o sinal de perigo das suas estrelas ardentes, dobrando-se depois sobre ela própria, enlanguescendo devagar, extinguindo as suas próprias luzes e as suas chamas.

[ Joyce, James in "Retrato do artista quando jovem" (Título Original: "A portrait of the artist as a young man", '64) ]

Extinguiram-se?