Às vezes sento-me à mesa da cozinha, não para comer, mas para olhar para a fronteira que separa aquele espaço do resto do mundo. A embalagem do compal de maracujá, a caixa do Persil, as bolachas cream-cracker, a caixa do pão, o calgon, o jardim para além da janela, as plantas por trás da minha fronteira.
Medito. Acho que deveria ser produtor de televisão. Medito. Criaria um programa inspirado numa música dos The Chemical Brothers, tipo "As Produções do Salmão", ou mais fino, "Salmon Productions", a qual criaria concursos idiotas, mas de qualidade. Medito. Consulto o relógio. Medito, mas não encontro a solução. Como se me chamasse Enésimo Peixe. Pela n-ésima vez.