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2009/07/02

Quando a Narrativa Pára

Há rios que insistem ferozmente em desafiar o mar. Na realidade não têm consciência dos limites que a natureza lhes determinou.

2009/06/13

Yes Future

Nem tu adivinhas o que eu de ti me escondo. Nem tu adivinhas o que eu de ti te persigo. Feroz e sem sentido, em perfeita antítese como se não fosse um maquinista, mas sim o chefe da estação que, ao manobrar a agulha para a esquerda, pode um caldinho provocar. Se a deixar na posição normal, monotonia qb, fazendo com que as imagens tendam a continuar a cantar de forma desafinada.

Num comboio que ondula próximo ao mar, é como se a reciprocidade nos impedisse de lá mergulhar, apesar da sua proximidade.




Video Credits: dangerbirdrecords @ youtube.com

Panic Switch, pelos Silversun Pickups
:-:-: Silversun Pickups, via Kraak FM <'+++<

2009/02/25

O Toblerone Lindo

Sigo em frente, minha querida. Com o apoio das tuas palavras. Como se estivesse atolado no meio da areia, no meio do deserto ou de uma qualquer duna e me mandasses alguém com um tractor para me ajudar.

Depois, é seguir a via férrea até ao mar. Com um toblerone no bolso. Voltar a aprender uma série de coisas, mas sem a cabeça a prémio. :)

Para ti, deixo-te este toblerone de música, para o caso de eu não regressar da boa esperança trazendo o Adamastor comigo.

Para recordar os nossos bons momentos.


Video Credits: ppdourado @ youtube.com

Under the Guillotine, pelos The Mary Onettes
:-:-: The Mary Onettes, via Kraak FM <'+++<

2009/02/05

O Mar Tem Falado Por Mim nos Últimos Dias


e portanto não tem sido muito necessário escrever o meu estado de espírito através de músicas que me dão muito prazer, até porque ando viciadíssimo no último álbum dos Parts & Labor, 'Receivers', logo sem grande oportunidade para dar atenção a outros temas.

De qualquer forma, um belíssimo tema que há pouco tempo me prendeu à televisão, não propriamente o tema em si que já o conhecia, mas sim o seu clip oficial. "I Feel Better", dos Frightened Rabbit, os responsáveis por um dos melhores álbuns de 2008, 'The Midnight Organ Fight'. Seguramente um tema com o qual muita gente se identifica.

Não que isto possa parecer uma verdade espiritual ou um insulto científico, mas de há pouco tempo para cá, sinto que me fizeram um qualquer download de uma parte bela presente no meu interior. A ver se encontro um local para adquirir um add-on e fazer o respectivo upload para voltar a ser quem era... porque... se eu assim continuo, através da minha defesa verbal, continuo a partir vidros com o meu cuspo.



Video Credits: sammolleur @ youtube.com

I Feel Better, pelos Frightened Rabbit
:-:-: Frightened Rabbit, via Kraak FM <'+++<

2008/07/02

23 Minutos


As viagens de comboio permitem-me sentir a natureza de várias formas distintas: ver as gravatas dos homens, ver as revistas que algumas mulheres folheam, ver os pássaros a voarem misturados com os alucinados anúncios que povoam os caminhos à beira da linha ou mesmo imaginar esquilos saltitantes entre os assentos das carruagens.

Acima de tudo, permitem-me sentir um estrondoso desejo de água, subir à piscina, descer até à praia, como se eu um dia voltasse a me descalçar nos arredores do meu interior. Sensibilidade de rara possibilidade.

2008/06/23

Pois... É Mesmo Too Loud


Do trabalho ou da universidade pouco importava. De comboio ou de carro também não fazia diferença. Encontraram-se finalmente. Cada um com histórias diferentes, como se tivessem ambos sobrevivido ao fim do mundo, mesmo que durante alguns segundos, parados permaneceram com a cabeça erguida e com um sorriso quase de primeira página. Ninguém comera como deve ser numa conversa tão animada como comprida que tomou conta das personagens, como se a vida adulta não passasse tão depressa, como se o tempo se assustasse consigo próprio pelo prazer dos ponteiros do relógio avançarem de forma lenta.

Nesta mesma manhã ao acordar com o vento que lhe baloiçava as cortinas da casa, apesar do verão já presente, só pensava que o dia hoje, para seu próprio bem, deveria correr muito depressa, num abrir e fechar de olhos, como se as divergências pudessem alguma vez violar a revolução que ambos tentariam alimentar.

A uma determinada altura o relógio tonto teve que dar sinal, mas ao mesmo tempo avisou que ali, ninguém iria morrer, porque a escama prateada talvez fizesse parte da cripta subterrânea que uma deliciosa barra de chocolate traria à superfície, como se ao chegar a casa ambos tivessem a necessidade de elevar o som do amplificador, nem que fosse para sentir o mar mais perto.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/19

Em Todos os Jardins

Precisamente há 3 anos atrás caminhava eu de Menorca para Lisboa. Semana passada recordei essas merecidas mini-férias que nessa altura tive porque fui confrontado com a trágica notícia do falecimento da filha de uma grande colega de trabalho, filha de nome Joana, 28 anos, vítima de um acidente de viação em... Menorca.

Hoje, ao pé das suas cinzas que também hoje aterraram em Lisboa, foi-me oferecido uma pequena folha de papel, cortada às pressas, com a fotografia da Joana e com um poema que comecei a ler.

"Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens."

["Em Todos os Jardins", de Sophia de Mello Breyner Andresen in "De Poesia", 1944]

Joana, (possível) adoradora do mar e de Sophia. Todo o mar é para ti. Todos os jardins são para ti. Toda a poesia é para ti.

2008/03/20

Equinócio da Primavera


Muito me foi dado. Nem as correntes mais agitadas do mar fizeram apagar as chamas que se mantiveram sempre acesas durante alguns anos.

Ontem, ao longe e não à minha janela, as minhas amigas, silenciosas, observavam as espumas que traziam o retrato das nódoas provocadas por algumas cores que libertaram tinta. Cores fingidas que, misturadas com as outras, afogaram os astros presentes diante dos meus e dos teus olhos.

2008/02/20

O Quadro-Negro Que Não É Verde


É possível transformar uma imensa alegria num infinito ardor?

Procuro o mar: brilhante, fulgurante, transbordante. Pelo caminho, vejo ribeiros que galgam as suas margens. Chego à praia e encontro gaivotas a voarem... em direcção a umas escadas construídas nas rochas. Do alto, querem partir para conhecer o mundo.

E a espuma?

2008/01/17

Kraak Sea Power! @ Bar Agito, 17 Jan '08

"O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo da avenida
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quanto tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
"Mudança possui tudo"? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida"

[por Belo, Ruy, Orla Marítima in Todos os Poemas]

Segue mais um convite musical para quem quiser lavar a alma ao pé do mar: Kraak Sea Power!, hoje, dia 17 Jan '08, a partir das 22hs, no Bar Agito, Rua da Rosa, 261, em Lisboa, ao Bairro Alto.

Apareçam, nem que seja a nadar! :))

2008/01/05

O Incremento da Dimensão

Um dia, no futuro ou na eternidade, irei encontrar uma estrela ou um planeta onde possa sentir o que vivi há algum tempo atrás. Saltarei de anéis nebulosos para astros os quais esclarecerão os triunfos que não tive. Como uma sucessão matemática de números naturais, mas recorrente. Programam-se os sonhos e projectam-se os sentimentos como se o hálito da vida pudesse ser definido de forma dinâmica.

A minha amiga ontem apareceu novamente...
Não na minha janela.

Feliz fiquei eu porque, apesar de a desejar novamente na minha janela, ela fez com que outros se sentissem felizes. Assim concluo que o mundo não é só feito de variáveis discretas, mas também de variáveis reais. Como se vivesse em R(n+1).

2007/12/19

Light Touch Your Hand, in a Dream of Golden Skans


Caro Amigo,

esta escrita esteve desde domingo pronta para ti. No meio de uma noite branca, no meio de gestos irrequietos, no meio da música em audição, no meio da madrugada de sábado para domingo senti como os teus brilhavam, senti como as luzes tocavam as tuas mãos, senti os espaços que ainda tens por explorar, senti toda a tua colecção infinita de discos que ainda tens para mostrar.

É bom ver-te assim navegar. Foi bom ter-me sentido feliz e agradeço-te por este momento mágico que, sem querer me proporcionaste. Com o teu gesto e sem quereres e sem fazeres a menor ideia do que me ia na alma, deixei durante algumas horas de tecer os meus recentes dias, de alinhavar as minhas últimas semanas, de costurar os meus anteriores meses. Qualquer que fosse o significado da palavra "Skan", quer seja um deus mitológico, quer seja um jogo de luzes especial, próprio para as noites que os Klaxons proporcionam ao seu público.

Mas o que é isto de deuses? Nós não somos perfeitos como eles. Tentamos içar a vela com alguma exactidão, tentamos encontrá-los à volta das nossas caminhadas à beira do ribeiro, tentamos no meio das danças afastar tormentos, tentamos ser como a luz do mar e ao mesmo tempo tentamos que os reflexos das Skans se transformem em sombras que se cruzam. Só quero que continues a seguir esse teu fantástico caminho.

Tal como tu, o que eu mais queria neste momento, era passar horas e horas e mais horas nos areais à beira-mar, com quem eu realmente amo, até ser ou não acordado pelo Skan do amanhecer.

Sei que é difícil, mas se aparecesses amanhã no Incógnito, verias que no dia a seguir, através dos Skans do solstício de inverno, as árvores só começarão a ter folhas novas.

Desculpa este meu mau jeito para este tipo de post, até porque já tinha imposto a mim próprio que não escreveria mais sobre pessoas amigas neste blog, mas, querido Amigo, o tempo urge e tu mereces.

Hoje, trago o tema #11: "Golden Skans" dos Klaxons, extraída do álbum 'Myths of the Near Future". Mais informações sobre os Klaxons podem ser obtidas aqui.

"A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.

Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
"

2007/12/17

In the Morning I Feel I'm Digging My Heels


Como o apanha-bolas de serviço numa partida de ténis, sempre de um lado para o outro e cauteloso para não tropeçar na rede, a apanhar bolas e também a levar com elas. Felizmente não tenho talento para num jogador de ténis me tornar.

Não sei se isto é uma regra ou uma tendência previsível por factores empíricos, mas a expectoração provocada pela tosse torna a minha visão apertada, embora curiosamente o meu peito continue macio. Podem cercar-me, podem confiscar a minha fortuna, podem amordarçar-me e podem descartar-me numa qualquer noite, atirando-me do alto do castelo para o rio que serpenteia à sua volta.

Como uma espécie de Peste, avanço sem que haja helicópteros a sobrevoar o curso do rio, com salvadores equilibristas, pendurados por grandes cordas. Assim, levantem as pontes móveis e baixem as persianas para nada verem, para não serem incomodados, porque enquanto houver álcool a jorrar do barril, ninguém estará sóbrio.

Sem pílulas e pastilhas, sem bolas na algibeira, e deste modo, com menor probabilidade de me afundar antes de chegar ao mar, apenas prendo a respiração enquanto as pedras tropeçam pelo meu peito.

Penso na maior parte dos apanha-bolas que seguramente desejariam que as redes dos courts de ténis fossem cada vez mais altas.

Numa espécie de 2 em 1, o post de hoje foi inspirado em dois grandes temas de 2007: o 14º tema do Top Tracks 31-2007, "Raging in the Plague Age" (em audição no Kraak FM <'+++<), vem pelas mãos dos norte-americanos Les Savy Fav os quais possuem um dos 20 melhores álbuns de 2007, na minha opinião: "Let's Stay Friends". O outro tema não é o 13º melhor do ano, mas sim a primeira menção honrosa a destacar neste Top 31 de 2007: "The Pills Won't Help You Now", composto pelos fabulosos Midlake (os que para mim arrebataram o prémio de melhor álbum de 2006), para os The Chemical Brothers. O tema encontra-se no último álbum dos The Chemical Brothers, 'We Are the Night'.

Informações adicionais sobre os Midlake: aqui no Paixaum >+++'> ou por este link, via Kraak FM <'+++<. Informações adicionais sobre os The Chemical Brothers podem ser obtidas através deste link. Para quem se interessar, por aqui mais informações sobre os Les Savy Fav.

"robbed of your fortune
they gave disappointment and lies
they're probably poisioning your body
i hope you're alright

in the morning you'll feel
you're digging your heels
the pills won't help you now
"

2007/11/30

Os Últimos Dias dos Meses Marcam Como o Caraças

Onde anda esta minha amiga?

Marcado pelas minhas próprias ventosas de polvo, espero pelo inverno para ver se a minha dita amiga trará no seu bico uma poção para eu me (re)transformar em Menino do Mar.

2007/11/01

Mar e Bolo


A Hug the DJ alegrou-se por ter ido ao Kraak FM <'+++< e ter sido presenteada de imediato com cheiro a "mar e bolo".

Apesar de estarmos no outono, há árvores que conservam as suas folhas, protegendo-nos assim o corpo e sobretudo a alma, com o sol que ainda brilha, apesar de menos uma hora de luz. O vento revolta o mar, faz-nos ficar em casa mais cedo a comer bolos, mas não atiram para longe a folhagem de algumas árvores com cheiro a natureza verde.

Aqui também há Mar e bolo.
mar e Bolo.
Mar e Bolo. Ou como outrora dizia: I wish, I wish and I wish.

2007/09/07

Nu No Liso Mar Azul

Enquanto as fotografias deslizavam pelos dedos, eu só pensava em banhar-me nu naquele mar liso, onde ao virar da montanha, nada encontraria senão uma tormenta no meu mar azul, mas também a criação do rosto de Eurydice. Sem neblinas.


Para mim este fim de tarde poderia parar (no tempo) só pelo facto de ali estar.

2007/08/09

Sou Um Fóssil-Preciso Férias


Se a minha cabeça pisca é porque vejo lágrimas intermitentes nos teus olhos.

Morro assim.

Aprendi que quando cai o amarelo, é necessário abrandar. Se passo pelo semáforo com amarelo intermitente, ajo com precaução e por vezes, com menos canção. Busco a face mas não a encontro.
Gravito. Choro. Falta-me. Coço as pulgas da minha pele.

Trituro-me com os dentes.


Desespero-me quando vejo tal alarme: como se houvesse bombas a fazerem tik-tik na minha cabeça, faltando apenas 60 segundos para a explosão. Neste escritório caótico não sei do telecomando para a desactivar. Parece que tenho um nó no cérebro e continuo a assistir a um episódio do 24.

Para além de , resta-me o cheiro do oceano para que, à deriva, passe pelo semáforo a verde e siga este barco com as minhas escamas a brilhar. Isto dá-me ainda mais anos de vida.


Se fosse um fóssil, precisava de um estomatologista. Se não fosse, precisava de férias.

Como é que dizia aquela rapaziada? "The Skin of My Yellow Country Teeth"?

2007/05/19

Mar Sonoro


No rescaldo da Sessão "Rai Convida Kraak", nada como uma conversinha pé-de-orelha com a minha querida Sophia de Mello Breyner...

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,

A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,

Que momentos há em que eu suponho

Seres um milagre criado só para mim."

["Mar Sonoro" in "Dia do Mar", por Andresen, Sophia de Mello Breyner]

2007/02/15

Terapia


Nos últimos dias tenho andado a sentir vários helicópteros a sobrevoarem a minha cabeça. Pensei em ir ver o mar, como habitualmente, mas hoje achei que o melhor seria atenuar os atormentos com momentos de terra.

Gostaria por vezes de ter a energia de um helicóptero para poder descolar em posição vertical. Subir para além da atmosfera e de repente deixar de ter noção do resto. PUFFF!


Qual mar energético, qual atmosfera, qual ramo de salsa. Nada como apanhar um pouco de vento nas trombas e deixar de pensar que um dia os planetas irão colidir.

2006/12/30

Ao fundo, como uma pedra


[continuação deste post]

Um dia vais sentar-te à minha beira e respirar todo o meu amor. Nesse dia ficarás a saber algumas das minhas memórias que vi e sonhei.

Perdi alguns amores e amigos, não só pelas ruas de São Paulo, mas também por outras cidades bem mais perto de nós. Por este motivo, poderia chorar, produzir quilómetros de rios com as minhas lágrimas, mas não... já não o faço. Já lá foi.

Pelo meio, fazia a minha mala, bagagem na mão, mochila às costas, andava outros tantos quilómetros e vivia a minha própria vida. Chorava. Ia ao fundo. Emergia. Chorava.


Numa praia um coração caiu novamente e, sem ir ao chão, já no meu colo a sua pele foi restituída, o seu passo acelerado e eu choro. Choro sempre que vou ao mar. Choro por tristeza. Choro por alegria. Já não me percebo. Não sei se preciso de um quiropata, não sei se preciso de um soldado que lute por mim nesta guerra, não sei se preciso de uma saída - uma janela ou uma porta -, não sei se preciso de um advogado que processe o mundo por mim, não sei se preciso de uma pessoa que não seja eu, porque de mim já estou cansado.

Na realidade eu não pertenço a este mundo. Vôo de um penhasco e atiro-me ao mar e deixo-me afundar como uma pedra. Lá fico. A
té que já não haja mais pele nos meus ossos.

Choro.
Continuo a chorar... e ainda vou chorar muito.

Para hoje, chega-nos a música do ano, o tema #1 (em audição), cujo título fala português: "São Paulo", dos Guillemots, álbum 'Through the Window Pane', por mim eleito como sendo o 2º melhor álbum de 2006. A música é grande, mas vale a pena ouvir até ao fim.

"sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
but I don't

sometimes I could cry ah sometimes
drop my bags and run for miles
and sometimes I could live my life
but I won't, but I won't

have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
till there's no skin left on your bones

thrown across water
thrown across water
thrown across water
like a stone"