Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens

2009/01/19

Uma Vida de Marinheiro


Sem dúvida, João Aguardela. Dá cabo de todos nós. O que mais me surpreende, mas que não me espanta dado o país onde até ontem vivias ou lutavas pela vida, são algumas vozes que hoje, em 2009 e ao contrário de 1992, tecem os maiores elogios à toda a tua carreira. Um bem-haja para eles, não achas, caro marinheiro? Tu agora és feliz e os parvos que se ponham no lugar deles.


[image credits: Sitiados]



Video Credits: PORTUGALMETAL @ youtube.com

Vida de Marinheiro, pelos Sitiados
:-:-: João Aguardela, via Kraak FM <'+++<

2008/07/04

Spreading the Ashes




Dormi confortado com a música que lindamente me cantaram aos ouvidos.

Viajei, por várias vezes, no mesmo túnel para confortar, de certa forma, o ser, que agonizava pelos seus últimos momentos de vida, e que para o seu próprio bem, partiu.

Eu, durante algum tempo, tentava agir como um girassol que roda e roda e protege do sol as suas raízes.

Só tu é que agora me restas, com chuva ou com um sol abrasador, ansioso por voltar, ansioso por te encontrar.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, Bruges, 4 Jul '07, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/19

Em Todos os Jardins

Precisamente há 3 anos atrás caminhava eu de Menorca para Lisboa. Semana passada recordei essas merecidas mini-férias que nessa altura tive porque fui confrontado com a trágica notícia do falecimento da filha de uma grande colega de trabalho, filha de nome Joana, 28 anos, vítima de um acidente de viação em... Menorca.

Hoje, ao pé das suas cinzas que também hoje aterraram em Lisboa, foi-me oferecido uma pequena folha de papel, cortada às pressas, com a fotografia da Joana e com um poema que comecei a ler.

"Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens."

["Em Todos os Jardins", de Sophia de Mello Breyner Andresen in "De Poesia", 1944]

Joana, (possível) adoradora do mar e de Sophia. Todo o mar é para ti. Todos os jardins são para ti. Toda a poesia é para ti.

2008/01/11

A Humidade da Cova

Eu não tenho medo da vida. Da morte, acho que também não: habituei-me há alguns anos à ideia da sepultura. Apesar de seco, ainda tenho água para alimentar o contorno do meu caos. Sem humidade, também consigo valer-me dos fósforos ou do isqueiro para acender o rastilho do inesperado.

A questão é que a água é um bem cada vez mais escasso.

2007/12/28

All the Bolts and Balls Couldn't Satisfy Your Interest



Hoje este blog cala-se. Apaga a sua música. É o mínimo que posso fazer para aqui deixar um grito em honra da ex-primeira-ministra paquistanesa, Benazir Bhutto a qual, como sabem, foi ontem brutalmente assassinada.

Hoje Benazir Bhutto sobe ao mais alto pedestal da sua liberdade, partindo de um solo à beira do abismo e sem nenhum respeito pelos direitos humanos. Partindo de uma sociedade onde Benazir Bhutto incomodava e atentava à liberdade e à falsa democracia dos seus reinantes. Foi obrigada a partir definitivamente para acabar de vez com o caminho da democracia e da liberdade.

Benazir, hoje também choro contigo. Eles mentiram-te. Transformaram criminosos em hérois. Deixo para ti, o 4º melhor tema de 2007, "And You Lied to Me", dos The Besnard Lakes, extraído de um dos melhores álbuns do ano: 'The Besnard Lakes Are the Dark Horses". Um álbum que tem uma capa lindíssima e cujo cavalo em fogo te irá ajudar a rapidamente saíres desse mundo vil onde te inserias, a galopar para a tua verdadeira liberdade. Que a música te possa acompanhar...

Outros apontamentos escritos por mim sobre os The Besnard Lakes podem aqui ser lidos.

"All the sporting goods you once sold on Mondays
All the bolts and balls couldn't satisfy your interest
All the things you tried but that remind you of the day

When you went around defusing bombs
Changing into costume to follow all the criminals in the land
Who'd ever thought you'd join a band

You aren't even who you said you are
And you lied to me, you aren't even who you said you are
"

2007/08/08

A Morte Não Tem Fotografia

Estarei eu preparado para a morte? Há pessoas que têm medo dela. Eu sinceramente não sei se tenho medo ou da vida ou da morte. A morte é um estado sereno. A vida nem sempre é serena. Toda a cultura ocidental vê o fim da vida como algo que se acaba, que se perde.

Esta madrugada estive ao telefone com uma grande amiga. A Ana Lúcia. Falávamos precisamente sobre o falecimento do seu pai, facto que ocorreu há uma semana. Se para ela é muito difícil, para a sua mãe, mais difícil se torna. Tudo passa. O tempo ajuda. O que sobra?

Ainda ontem respondi a um comentário sobre o tema: a minha idade começa a ser crítica em relação a pessoas muito próximas. Estarei eu efectivamente preparado para tal?

A seguir ao almoço, recebo de repente a notícia da morte de um ex-director meu. Fulminante. Finou-se em 4 meses. Estou chateado. Já estava triste de manhã. Pior fiquei durante a tarde. Ainda ontem à noite também melancólico estava ao lembrar-me do pai da minha grande amiga Ana e no que ela e a mãe estariam a passar.

Até onde vai a dimensão da morte? Até onde vai a experiência da vida? Será isto um paradoxo? Um dilema? Uma dúvida? Um axioma? Um teorema? O meu ex-director, sempre tão forte, tão frontal, tão blindado, não foi capaz de combater a morte, apesar de toda a sua resistência. E o pai da Ana Lúcia? Tão católico que era, estaria ele apto a aceitar tal destino? A religião ensinou-lhe que seria assim?

(E de repente, lembro-me do Brac, do meu tio que faleceu ano passado, da minha prima passada à ferro na A2, dos pais do Quim, do meu colega de faculdade e amigo Paulo, ...)

Eu não sei, mas acho que tenho que cortar os meus pulsos para recuperar a minha voz.

Este post não é ilustrado... a morte não tem fotografia.

2007/07/04

Arquivo Recuperado: Brac Reencontra-se Com os Amigos

Amigos, o Brac partiu esta manhã, após uma das minhas visitas via túnel. Seguramente está melhor agora. Rodeado de tapetes fofinhos e dos seus amigos, que entretanto também partiram.

Eu não me conformo por ter estado estes dias longe dele.


Ele deixou-me uma carta, se quiserem ler.


Um abraço de grande carinho é o que aqui deixo a todos os que expressaram a sua preocupação. Obrigado.

A Partida do Brac


"Nunca vivi na rua, mas fiz dela grande parte da minha vida. Contrariamente a outros cães não precisei de suplicar por comida em lares ou estabelecimentos alheios. Fui um cão feliz com toda a liberdade que tive. Sempre fizeste tudo por mim durante estes 13 anos (ralhavas comigo algumas vezes, mas tinha que ser, claro, senão nunca iria aprender determinadas coisas...).

Sempre soube também o meu lugar. Tive alguns mimos e sempre te defendi como podia assim como me safavas quando achavas que já estava a abusar. Fui mesmo feliz! Tivemos muitos momentos particulares juntos e eu sempre te compreendi e sempre estive ali ao teu lado para o que foi preciso.
Arranjavas sempre uma solução para mim, tratavas-me sempre que era necessário e no meu último ano de vida, deste-me muito (vou dizer "muito" em vez de "máximo" porque sei que ainda darias muito mais se ainda de ti necessitasse) de ti próprio com muitos sacrifícios da tua parte.

Entretanto, chegou a minha hora. Parti. Estou ao pé do meu mano de sempre, o Talgo. Já tinha saudades dele pois já não o via há 6 anos. Já não me conseguia coordenar e já pedia para que me levassem deste mundo pois imaginarias que estaria com algum sofrimento. Tu estiveste comigo nesta última noite. Era só isso que queria. Que me visitasses pelo túnel que construiste. A partir daí fiquei mais calmo e parti como num sonho em que esboçava um focinho rufia enquanto ladrava.

Até Sempre,
Brac."
O Brac partiu esta manhã, pelas 9h30.
E eu não estava por perto fisicamente. Já imaginava, pois utilizei o túnel esta noite e hoje pela manhã quando me levantei. Quando ia de comboio para Bruxelas também viajei pelo túnel. Espero que ele tenha ficado reconfortado.

:'(

2007/05/04

Músicas Que Me Fazem Chorar: Hoje, "Bones"

Isto... antes de ser, já era. Mais uma: "Bones" dos Editors, presente no seu novo álbum 'An End Has a Start'1, a sair no próximo dia 25 Jun '07.

Kraak ultimamente numa fase muito sensível... e a apresentar a versão acústica do tema "Bones", via Prefix Mag.



1Kraak escreveu sobre o novo álbum dos Editors aqui.

2005/02/22

Uit: IK // De: "EU"

O meu olho direito pôs-se branco; o esquerdo negro.
Eis-me em pé: uma torre entre os dois olhos.

Uma flor abre-se num pulo. E o dia abre-se num pulo.
Eu próprio? Espanto. Todavia: nem um estampido.

Hora: asa que se esvai, relampejo. E... uma rosa
que cheira ao poente, ah morte enfim chegada.

Não, sou cego como uma rosa sangrenta
que se põe luminosa à noite.

(Karel Van De Woestijne)

2005/02/18

Sophia

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."