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2006/04/16

"A mi, las alas me sobran"

Numa fuga, à procura do dia de ontem, de anteontem e de antes de anteontem, fui à garagem e depois à adega. Inevitavelmente perdido no escuro daqueles espaços, lembrei-me de ti e invariavelmente, a luz acendeu-se em cada passo que dava, como se estivesse a ser guiado e memorizado.



- Posso dar-te uma parte do meu vinho agora? Neste momento?


Tudo estava silencioso, só os sons dos meus passos ecoavam num ambiente que cheirava a néctar (dos Deuses).

- Não. Espera. Eis que qualquer coisa está a movimentar-se pelas escadas...

(pausa) Ohh! É o cão que veio espreitar...





Espreitou e permaneceu. Caminhou junto comigo, sem ver, com receio de se ver afogado numa chuva que já não caía. Abri a porta das traseiras








e encontrei-me pronto a descolar, como um helicóptero. Até que já não haja som.

2005/04/29

MÃE, 2005.MAI.01

Mãe Querida, neste dia que não vou poder estar contigo, deixo-te aqui um pequeno pedido meu. Um pedido que não te verbalizei, mas que tu implicitamente atendeste. Num dos meus dias mais tristes deste ano, deste-me colinho. Não foi preciso que tivesses lido isto nem pedir-to: tu (já) sabias.

Deixo-te aqui também alguns dos nossos momentos pelos pontos por onde passámos: os 2 juntos ou eu sózinho... E tu vinhas sempre visitar-me. Chaves, Valpaços, Porto, Oeiras, Funchal. Estive tanto tempo sem ti. Ainda bem que voltaste.


1984, g'anda deboche, naum? Estavas a rir de uma cena
qualquer sobre uma melhoria de nota que naum melhorei, LOL



Arrábida, '91. Repara nas tuas perninhas... hehe. Estavas
cansadita? Tu querias era dançar que eu bem me lembro...


Porto, 1982. Que dia! Querias ir a pé da Boavista à Batalha,
bia antigo estádio do DRAGAUM! Estabas impossíbel nesse dia! (LOL)
E eu tinha que me lembrar dos caminhos que fazias nos teus
tempos de moçoila quando andabas pela Imbicta


Porto Moniz, '88. Lembras-te quando fugimos para o Funchal?
E o teu atrofio em Porto Santo? Haha :)


Valpaços, 2004. Pai! Obrigado por teres casado com a Mami.
O que fazem aí o Brac e o Golfinho? Que é do Talgo?

Mãe, já ninguém se lembra. Só tu. Dança comigo uma daquelas danças antigas.
Bailemos
com os teus cabelos soltos, a voar, a enrolarem-se à nossa volta.
Deixa-me olhar-te... que bela és! Os teus olhos doces impedem-me de dizer seja
o que for, mas...
Tu sabes o que eu tinha para te dizer.
Finalmente, o tempo parou...

Fala-me de ti, quero saber o
que fazias, se era esta a vida que querias,
como te vestias e como te penteavas.

Nesta noite farçola, esqueçamos tudo:
os teus problemas e os teus discursos sobre o pai, rugas, idade e
juízo...
Embora fugir! Há tanto tempo que não estamos os dois juntos...
Não, Mãe, a culpa não é tua e apesar de tudo,
sinto-te sempre à minha beira mesmo quando não estás e
Estás dentro de mim, hoje que sou um homem.

Quero ver-te mais feliz, dizer-te muitas coisas,
mas... sabes, Mãe
esta vida faz-me, por vezes, tremer e são sempre os sentimentos
os primeiros responsáveis.

Amanhã queria desaparecer para parte incerta, entretanto,
vou passear contigo e
eu
só queria que me levasses
a dançar.

Volta a ensinar-me uma daquelas tuas danças
que ninguém sabe fazer, que ninguém mais sabe fazer.

Beijaste as minhas lágrimas salgadas
com o teu sorriso e o teu abraço.
Agarraste-me como se fosses um Aquário.

Kraak/Peixinho, 12 Fev '05

[Aos meus amigos: se eu não voltar do MAR, mostrem isto à minha MÃE, sff]