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2009/04/04

Se Eu Tivesse um Coração... ?

Com certeza, se tivesses coração amar-me-ias e eu se tivesse voz também cantaria. Tretas. Resta o fim, não a separação do meu mano como aconteceu profissionalmente à vocalista Karin Dreijer (alter-ego Fever Ray), porque no meu caso isto já ocorreu há muito tempo, mas sim a não existência de um duo que apenas um dos membros tocava os instrumentos. Como se eu tivesse o dever de partir os dentes a quem fazia covers das minhas canções.


Video Credits: FeverRayMusic @ youtube.com

If I Had a Heart, por Fever Ray
:-:-: Fever Ray, via Kraak FM <'+++<

2008/11/21

Segure-se Bem Quando Viajar de Pé


Às vezes penso se as nossas vidas não serão algo que possa ser considerado como supérfluo, como se os meus pensamentos gastassem mais do que aquilo que um orçamento se propõe na tentativa de se chegar a um valor absoluto.

Há vozes que tocam a superfície do meu terreno, mesmo que de forma imperiosa não atinjam o que realmente importaria e que ao mesmo tempo alcançam os elos das minhas palavras. Tarefa difícil pois nunca sei como evidenciar textualmente alguma descontinuidade presente nos meus pensamentos.

É como se tentasse eliminar o que não consigo corrigir.

[image credits: Heiko Windisch @ The State of Things]

Para ouvir:
Nothing Ever Happened, pelos Deerhunter
:-:-: Deerhunter, via Kraak FM <'+++<

2008/06/12

Little Words on a Mobile Phone

Há vozes que brotam da água e crescem com a corrente. Pelas margens não é o sol que fecunda a terra nem as gotas d'água que caem do céu. Nem a pureza fina do sangue. Nem as cores do arco-íris fundidas numa única.

São apenas as vozes que estão autorizadas a tal: as que conseguem voar por cima das nuvens. :)

2008/05/30

Repleta de Areia

Há vozes que assustam durante a noite. Há narizes que farejam o ar imundo.
E uma faquinha de fruta aguçada, hein?

2008/04/17

Xeque ao Rei


Os corações das cidades recordam-me outros portos, nostálgicos, onde os tempos modernos ainda permitiam alguma harmonia. O porto, esse era e ainda é pequeno. Um cenário vivido intensamente onde se desenrolavam diálogos a dois cujas testemunhas eram as paredes com azulejos pintados de castanto claro, as plantas ora verdes ora amareladas pelo sol e as janelas que se escondiam por trás de uns cortinados também claros.

Portos intemporais, recatados, povoados pela calma transmitida pelas cores, pelas frutas na mesa presentes, pelos olhares de conforto que só sentimos em casa. Tudo acompanhado com um bom café que através da sua suave e espumante alegria líquida se derramava por estas palavras.

2008/04/03

April Sun


Não era "Roscoe". Não era "Neighborhood #1 (Tunnels)". Não era "Mr. November". Não era. Não era. Não era. Não era. Não era. Não era. Não era...

De cada um dos lados da multidão, os olhares cruzaram-se, o espanto chegou-me aos ouvidos como a surpresa em forma de expressão real, mesmo que com a minha voz abafada.

Se eu pensava que só a vida nos feria, apercebi-me que também a música, de certa forma, o pode fazer. Se duas flautas (ou pelo menos uma delas) procura(m) a absolvição do tempo, repõe-se a música do princípio - contador do tempo = 00:00 - e, entre portas que se abriam e fechavam, fiquei sem adivinhar em que estação iria descer. 4 minutos e 21 segundos depois, a força e a doçura da música permitiram-me sair na estação habitual.

Não me roubem esta canção. E tu, que música ouves?


2008/03/03

O Meu iPOD Alimentado Pela Energia do 3º Carril


Ou eu cheguei tarde ou partiste demasiadamente cedo. Snowden nos ouvidos, a correr uma qualquer playlist criada. No cais onde estava sobraram algumas identidades com ou sem documento e que traziam muita ou pouca cidadania. Do lado do teu cais, apareceu o comboio que trazia "Rato" como destino. Aí nada sobrou. Levaram os corpos, levaram o frenesim, levaram o tumulto. Ficou um sorriso, embora não valesse a pena esperar muito por algo que pudesse vir de tão perto, mesmo com a certeza de não saber para onde ir com as portas da carruagem fechadas.

Como ninguém escuta a minha voz, nem eu próprio, o meu iPOD continua a debitar músicas para não ouvir a razão do murmúrio presente nos olhos do comboio com destino "Campo Grande".

O Metropolitano de Lisboa ajuda-me a pensar naquilo que a minha voz abafa.

2007/12/13

He Never Had a Voice Likely to Scream When He Wanted Something


Hoje, agora, há pouco, daqui a bocado (não esquecer este convite) ou sempre, uma canção escrita para um cão, o Derek, de Noah Lennox. Sim, para o cão e não para este Derek. Para o seu cão. Para um cão que se chama Derek. Mas também poderia ser para um amigo imaginário. Ou para um amigo real. Ou para alguém. Ou para tudo aquilo que nos faz sentido em várias etapas da nossa vida. Os cães ladram, a caravana passa, os cães não gritam mas sabem ladrar quando querem algo. O Brac sabia-a toda.

Ao contrário dos cães, a maioria das pessoas têm voz. Algumas delas, entretanto, não gritam quando querem alguma coisa. EXPRESS YOURSELF!.

Hoje chega o tema #18, uma dupla homenagem a dois grandes discos do ano: 'Strawberry Jam' dos Animal Collective e 'Person Pitch' de Panda Bear. Dupla homenagem porque esta música deveria estar no álbum a solo de Noah Lennox (aka Panda Bear) que também é membro dos Animal Collective (este tema, de nome 'Derek', foi escrito por ele e está presente no álbum 'Strawberry Jam'). como habitualmente, mais informações sobre os Animal Collective podem aqui ser lidas e sobre Panda Bear, podem também consultar este link.

"Derek never woke up at night
and in the morning he's ready to go
and he never had a voice likely
to scream when he wanted something

should have been so much more willing
to held out with all the things that I thought Michael needed

what do you, what do you...
see what it is, see what it is
see inside of the eye, of the eye...
see inside of the eye, of the eye...
"

2005/11/16

Parabéns, Natinhas

Atravessas a rua com uma respiração em que o ar quase se extingue. Silenciosa chegas ao outro lado, como se algo tivesse queimado a tua língua ou abafado as tuas cordas vocais. E eis que esta longa distância que passaste para ires de um lado do passeio ao outro permitiu-te concluir que viva estavas. E num momento de sol, recuperaste a tua voz e voltaste a ser inteira. E eu, hoje, vivo e inteiro, neste blogue azul, digo-te apenas duas palavras para sorrires: FELIZ ANIVERSÁRIO!