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2008/02/26

A Liberdade Reflectida num Comboio InterCidades



As pessoas vão e voltam. Perdem-se num intervalo onde julgam arrumar no roupeiro a vestimenta de verão até a próxima meia-estação, mesmo sabendo que no inverno e, nos casos especiais de dias como o de hoje, podemos andar de manga curta.

Não sei se tal característica tem algum nome. Se são pessoas, se são figuras, se são como algumas estrelas vistas cá da Terra que ora brilham ora se apagam. Será que são como alguns cometas que passam de tanto em tanto tempo? Serão cíclicas? Entidades que chegam de comboio a contrariar tudo isso, em nome de uma liberdade residual, em nome de um "prefiro que não vejas como sou", em nome de um graffiti indecifrável, em nome de uma ausência que clamava pelo amor da liberdade.

Com o bónus deste lado, fico com as pautas da minha música rasgadas, com as folhas de papel reciclado da minha mente queimados, com o meu candeeiro tapado, tal como uma estátua petrificada, sem a liberdade de movimentos para ser efectivamente livre.

Não sei, mas parece que há qualquer coisa escondida nos meus olhos. Para além de já ter assumido que era a "tragedy", também sou a drug e nunca me disseram. Se "tragédia" e "droga" podem estar relacionados, qual a verdadeira diferença entre "liberdade" e "ser livre"?

2005/07/20

Lá,

longe de tudo,

Onde há cavalos e rodas,
javalis e tocas, coelhos e selas
peixes e gaivotas e

porcos e gazelas.

Lá, onde já não passam comboios
ou por onde estes nunca passaram,
há estações móveis e estáticas com edifícios imaginários,
trajadas de estilo, elegância e que olham

para

Vias férreas ramificadas e desactivadas
como que, se estas quisessem representar fragmentos
caídos do Espaço na Terra e transformadas
em crateras com vários céus abertos.

Para mais tarde renascerem de baixo para cima,
no meio da confusão de uma cidade em ebulição,
logo após a partida de um comboio que com chegada também rima
e que deixa transparecer no teu rosto a tua satisfação

E no decorrer da viagem,
corre furiosamente a paisagem
com casas e árvores a teimarem
em ficar ou a se apagarem.

Porém és tu quem permanece estática,

contudo, ao ritmo de uma carruagem ou um vagão
que suavemente se desloca
na minha direcção.

E numa ansiosa curiosidade,

canta-me, recita-me, e diz-me sem vaidade
qual a côr do comboio que te manda para a minha cidade.