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2008/03/26

O Sonho em Desalinho


[deixado no blog Palavras em Desalinho]

Eu gostaria de voltar a ter o poder de caminhar pela montanha mágica onde outrora me perdi, perto das nuvens, onde tracei vários poemas que se rasgaram na terra onde enterraram o sonho da alma do meu amor.

Sorte de quem arquivou as folhas caídas das árvores, com ou sem perguntas sobre os sentidos que povoavam a imaginação, com ou sem as raízes de uma nudez que não me cabe.


(Um dia também irei aprender a fotografar o sonho)

2008/01/03

Podo a Minha Rede Neuronal


Hoje, mais que ontem, podo a minha árvore de decisão.

De forma natural, há braços que caem por si. De forma artificial, elimino ramificações da minha rede neuronal porque estas em nada contribuem para uma optimização da minha vida.

Assim, a mesma árvore ganha uma nova forma. Favoreço o seu crescimento com galhos que nem sempre são preenchidos de azul, mas cujas tonalidades são sempre iluminadas.

É como se acendesse o meu cérebro.

2007/12/19

Light Touch Your Hand, in a Dream of Golden Skans


Caro Amigo,

esta escrita esteve desde domingo pronta para ti. No meio de uma noite branca, no meio de gestos irrequietos, no meio da música em audição, no meio da madrugada de sábado para domingo senti como os teus brilhavam, senti como as luzes tocavam as tuas mãos, senti os espaços que ainda tens por explorar, senti toda a tua colecção infinita de discos que ainda tens para mostrar.

É bom ver-te assim navegar. Foi bom ter-me sentido feliz e agradeço-te por este momento mágico que, sem querer me proporcionaste. Com o teu gesto e sem quereres e sem fazeres a menor ideia do que me ia na alma, deixei durante algumas horas de tecer os meus recentes dias, de alinhavar as minhas últimas semanas, de costurar os meus anteriores meses. Qualquer que fosse o significado da palavra "Skan", quer seja um deus mitológico, quer seja um jogo de luzes especial, próprio para as noites que os Klaxons proporcionam ao seu público.

Mas o que é isto de deuses? Nós não somos perfeitos como eles. Tentamos içar a vela com alguma exactidão, tentamos encontrá-los à volta das nossas caminhadas à beira do ribeiro, tentamos no meio das danças afastar tormentos, tentamos ser como a luz do mar e ao mesmo tempo tentamos que os reflexos das Skans se transformem em sombras que se cruzam. Só quero que continues a seguir esse teu fantástico caminho.

Tal como tu, o que eu mais queria neste momento, era passar horas e horas e mais horas nos areais à beira-mar, com quem eu realmente amo, até ser ou não acordado pelo Skan do amanhecer.

Sei que é difícil, mas se aparecesses amanhã no Incógnito, verias que no dia a seguir, através dos Skans do solstício de inverno, as árvores só começarão a ter folhas novas.

Desculpa este meu mau jeito para este tipo de post, até porque já tinha imposto a mim próprio que não escreveria mais sobre pessoas amigas neste blog, mas, querido Amigo, o tempo urge e tu mereces.

Hoje, trago o tema #11: "Golden Skans" dos Klaxons, extraída do álbum 'Myths of the Near Future". Mais informações sobre os Klaxons podem ser obtidas aqui.

"A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone.
Ruins, or relics, disciples and the young.

Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
Light touch my hand, in a dream of Golden Skans, from now on.
You can forget our future plans.
Night touch my hand with the turning Golden Skans,
From the night and the light, all plans are golden in your hand
"

2005/11/07

Uma Árvore no Vondel Park

Estavas do outro lado e eu cauteloso e espantado abrigado nas minhas mantas outonais. Com uma luz que brilhava ao lado do meu abrigo. O candeeiro revelava-se como uma árvore cujas folhas ainda estavam presentes. E ela, a árvore, não queria ver as suas folhas arrastadas por um qualquer vento marítimo de norte e agia como um jovem a chamar pelo fim do inverno.

- Não te arrasto, disse o Vento. As tuas folhas são como os meus cabelos e a tua copa como a minha mente sadia. O teu tronco, esbelto, como o meu corpo indomado.

[Amesterdão, 17 Nov '01]