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2006/08/01

O Som, #6 - Final


Pode ser lido aqui.

2006/07/24

O Som, #5 - Continuação


[continuação deste post]

Já em casa e depois de vir todo o caminho a pensar no que tinha acontecido, reflectiu bastante e concluiu, apesar de tudo, que não estava arrependido do sucedido. Mais até: "viver na ignorância é para os fracos e eu não sou assim. Vou resolver esta trampa toda e ficar limpo de toda esta sujidade".


Num repin, decidiu ir tomar café (coisa que nunca fazia no exterior à noite) e ao sair de casa voltou para apanhar o seu telemóvel. Os seus pais estavam um pouco baralhados com todo aquele alvoroço mas como sempre não faziam perguntas. Saiu e disse que não se iria demorar.

No café, começou a percorrer a lista dos seus contactos no telemóvel. Pensava em ligar a Marta. Mas (já) não tinha o seu contacto. Procurou 'Júlia'. Mas Júlia também não existia... e lembrou-se que se calhar não estaria registado como 'Júlia', mas sim como 'Dada' (foi assim alcunhada há muitos anos atrás...). Encontrou 'Dada'. Felicidade.

Após algumas hesitações decidiu não telefonar a Júlia e ao sair do café atalhou rapidamente para a praça de táxis que ficava no quarteirão seguinte ao do café.

- Boa noite. É para Estrela, mesmo ao pé da basílica, por favor.

Durante os 10 minutos da corrida, Miguel pensava "mas que porra vou eu fazer?". Mas rapidamente Miguel divergia do seu pensamento, sabendo que, fosse o que fosse, teria que ter aquela atitude para regressar à Holanda, pelo menos descansado com a sua consciência.

Basílica; táxi pago, andou alguns metros até ao prédio onde Dada ou melhor Júlia vivia. Tocou. A porta abriu-se. Subiu.

- Heeeeeee! Por cá? Mas que surpresa...
- Posso entrar Júlia?
- Claro! Entra. Sirvo-te um café?
- Não, obrigado. Já tomei café antes de vir até aqui.
- Um whiskey ou outra coisa qualquer?

Miguel, sem grandes cerimónias, ignorou a pergunta e sentou-se no sofá da sala onde alguns segundos depois Júlia também abancou.

- Júlia, é assim: a minha visita não vai demorar muito tempo nem quero entrar em grandes pormenores sobre o passado. Vim mesmo aqui expressamente para te pedir uma coisa.

Júlia com uma expressão facial um pouco modificada conseguiu balbuciar um "pede-me".

- Júlia, sei que as coisas não foram fáceis para ti e todos nós tivemos as nossas razões... O que é um facto foi que Marta decidiu dar-te crédito e quem ficou na merda fui eu, não só por perder a Marta mas também pelo peso que andei a carregar no meu ombro.
- Mas...
- Cala-te se fazes favor. Deixa-me continuar. O que é uma realidade é que as vidas mudaram e se queres mesmo saber já tinha orientado este assunto comigo mesmo de outra forma. O acaso juntou-nos novamente e não vou desperdiçar esta oportunidade para esclarecer algumas coisas. Não tenho o menor interesse em Marta. Este assunto já está emoldurado no meu museu particular.
- Ainda não percebi o que queres...
- Se queres continuar a ter a amizade de Marta, não apareças amanhã ao nosso encontro. Inventa uma desculpa qualquer, marca com ela no sítio onde combinámos e depois liga a desmarcar, ou que apareces mais tarde, olha não sei, faz o que entenderes melhor, mas deixa-me ter algum tempo de conversa a sós com ela. É importante. Hoje mesmo consegui antecipar a minha viagem para Amesterdão para sábado porque não quero estar com esta treta na mente.
- Oh pá... isso é complicado... ela iria desconfiar. Que iria eu dizer-lhe?
- Não. Ela não vai desconfiar. Aliás até pode desconfiar, mas acredita que é isso que ela quer. Pode ser?
- Mas eu gostava de estar convosco...
- Fodass Júlia! Que porra! Tu sempre foste a 'Dada', agora 'loira' é que não. Duh! Custa-te assim tanto? Ou preferes que as coisas tenham outro rumo?
- Do que me estás a ameaçar, hein?
- Nada. Pode ser? Sim ou sopas?
- Tu sempre foste um bardino, a fazer todas aquelas coisas à Marta, e...
- Hey! Espera aí... interrompendo Júlia e com a voz num tom acima. - Nada disso. A fazer aquelas coisas que TU supostamente imaginaste... e que NUNCA esclareceste à Marta. E mais: queres saber? O Frog sabe disso. Imagina! Até aquele ghetto absurdo sabia como as coisas eram. Só mesmo a tonha da Marta para te passar cartão... Essa sim, aloirada. Bah.
- O Frog??
- Sim, ele sempre te deu protecção porque gostava de Marta e sabia que vocês eram inseparáveis. Conquistando-te a ti, teria Marta com mais facilidade. Burra! Nem pareces mulher.

Mas a mente de Júlia era muito mais poderosa que Miguel supunha.

- Olha, caguei. Não sei. Vou fazer um café e respirar um pouco. Pensava que já não iria viver este filme outra vez. Dasse! Se arrependimento matasse, eu já morava na Buraca.
- Pois olha Júlia, eu vou para casa. Não vou ficar aqui à espera das tuas incursões pelo planeta dos robots. Se quiseres dar-me uma satisfação podes ligar-me ainda hoje para casa dos meus pais. Imagino que ainda tenhas o número. Caso contrário, lá estarei às 23 horas no Bairro, no sítio onde combinámos. Quer vás ou não, garanto-te que não vou ficar estático como se as coisas se remetessem novamente à paranóia.

Levantou-se, abriu a porta e saiu. Nem se despediu de Júlia. Apanhou um táxi e começou a mexer nos bolsos à procura de qualquer coisa. Era o seu iPod que buscava o qual ficou em casa. Ao chegar começou violentamente a percorrer a lista das 4000 músicas à procura daquela que se assemelhava ao som que lhe percorreu a mente no encontro vespertino com Marta e Júlia.

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Continuação aqui quando a partner tiver pachorra e inspiração :)
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Cronologia: Início; O Som, #2; O Som, #3; O Som, #4.

2006/07/20

O Som, #5

Continua durante o fim-de-semana pois Marta e Miguel marcaram um encontro para amanhã, às 23hs na "Calling At Omaha" :P A Júlia não sabe de nada. Agora não se ponham a bilhardar à Júlia que eles agendaram um encontro secreto :P

2006/07/16

O Som, #3


[continuação deste post]

Ao reparar no pequeno embaraço em que Miguel se encontrava e apesar da (disfarçada) indiferença de Marta, foi esta que rapidamente mudou o curso da resposta de Miguel à pergunta de Júlia. Não se sabe ao certo o que lhe passou pela cabeça durante 2 segundos: talvez a recordação dos momentos que teve com Miguel, desde o momento do primeiro beijo fugaz ao à vontade que se seguiu, sobretudo quando um dia Miguel lhe disse que a queria na sua banheira - "É na minha banheira que te quero!".

- Miguel!, exclamou Marta. Que surpresa ver-te!

Miguel, um pouco aliviado com o corte da tensão, mas ao mesmo tempo surpreendido com a atitude de Marta, não teve outro remédio senão começar a fazer conversa de ocasião...

- Olá Marta. Como estás? E tu Júlia? Imaginava-te definitivamente a viver no Porto. Voltaste ou estás cá a passar uns dias?
- Não, já não vivo no Porto. Voltei para Lisboa definitivamente. É aqui que quero estar. Aquilo lá pelo Norte não correu muito bem... mas também não quero falar disto agora. E tu? Conta-me! Ouvi dizer, ou melhor, soube pela Clarinha que terias ido viver para Amesterdão por razões profissionais. Que tal? Que andas a fazer?

Marta, um pouco incomodada com o seguimento da conversa e, verdade seja dita, irada com a tentativa de monopolização da conversa por parte de Júlia, tentou intervir, mas sem grande sucesso, pois Miguel já estava a dizer que estaria em Lisboa durante 4 dias e que depois regressaria à Holanda. E Marta apercebeu-se que quando Miguel lhes dizia sobre o seu regresso que os seus olhos não fixavam os de Júlia, mas sim os dela.

- Mas tu estás giro, pá! Bem, sempre foste um poço de tentação para mim, mas nunca levei o teu cântaro à minha fonte, ahah! Foi pena a minha nora nunca ter por aí rodado.

Durante alguns segundos ouviram-se as moscas... Marta olhava, a fingir-se distraída, para umas folhas caídas pelo passeio e Miguel não sabia bem o que dizer e começava a aparentar um ar ligeiramente furioso ("esta cabra não perde uma hipótese"). Sempre pronto a dar uma resposta aos imprevistos, Miguel começava a sentir-se efectivamente como um baralho sem trunfos.

- Não digas isso Júlia. Mas, olha, temos que combinar um café ou um jantar com mais calma. Hoje é 5ª feira. Tenho vôo no domingo à tarde. Apesar de alguns compromissos que vou ter, era fixe encontrarmo-nos. O que vos parece?
- Claro que sim!, responde prontamente Júlia. Quando? Quando? Marta, quando é que pode ser?
- Vão vocês os dois. Eu não sei se vou poder porque amanhã tenho um jantar com uma malta especial e sábado tenho o baptizado do filho de uma amiga.
- O baptizado é ao fim do dia? Vá, deixa-te de coisas, Marta. Ou é amanhã à noite, tomamos um copo no Bairro Alto ou jantamos os três no sábado porque no domingo não vou ter muito tempo.
- Três?!? Sabes Miguel, é que houve algumas mudanças... posso dizer-lhe Marta?, grasnava Júlia excitadíssima por querer contar ao Miguel as novas do burgo.

Marta olhava meio apática para aquela conversa e só pensava: "mas que raio... acho que tenho que pôr as minhas tropas em combate... e já." - Sê a minha porta voz, Júlia.
- A Marta está prestes a ir viver com o Frog. Lembras-te do Frog?

Miguel fez um ar incrédulo.
- Wat?(1) O Frog? Aquele ghetto?

(1) Interjeição típica neerlandesa que significa "O quê?"

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Continua no blog da Sea, quando ela entender oportuno :)
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Cronologia:

Início
O Som, #2