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2008/07/04

Spreading the Ashes




Dormi confortado com a música que lindamente me cantaram aos ouvidos.

Viajei, por várias vezes, no mesmo túnel para confortar, de certa forma, o ser, que agonizava pelos seus últimos momentos de vida, e que para o seu próprio bem, partiu.

Eu, durante algum tempo, tentava agir como um girassol que roda e roda e protege do sol as suas raízes.

Só tu é que agora me restas, com chuva ou com um sol abrasador, ansioso por voltar, ansioso por te encontrar.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, Bruges, 4 Jul '07, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/30

A Atmosfera


Quase que deixava propositadamente passar as horas à espera do dia dia seguinte, dia que ansiava por estes apontamentos de pele alva. Sossegado, esperei que o dia se transformasse em noite, para tornar o meu cérebro alegremente espantado pelas abertas radiações solares do dia que se fez e, pela noite que ainda assimilava tal nudez.

À certa altura, procurava uma palavra certa, um termo adequado, mas nenhum deles me surgiu, apenas o gesto directo e honesto, como se um poderoso encantamento me dominasse ao mesmo tempo que o meu coração batia no interior do meu peito, como se um trovão rasgasse as nuvens que pairavam entre a atmosfera e a Terra.

Lua e mar como testemunhas, todo o brilhante cenário se transformara em maravilhosos momentos, plenos de melodia, no limiar entre dois mundos.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/23

Pois... É Mesmo Too Loud


Do trabalho ou da universidade pouco importava. De comboio ou de carro também não fazia diferença. Encontraram-se finalmente. Cada um com histórias diferentes, como se tivessem ambos sobrevivido ao fim do mundo, mesmo que durante alguns segundos, parados permaneceram com a cabeça erguida e com um sorriso quase de primeira página. Ninguém comera como deve ser numa conversa tão animada como comprida que tomou conta das personagens, como se a vida adulta não passasse tão depressa, como se o tempo se assustasse consigo próprio pelo prazer dos ponteiros do relógio avançarem de forma lenta.

Nesta mesma manhã ao acordar com o vento que lhe baloiçava as cortinas da casa, apesar do verão já presente, só pensava que o dia hoje, para seu próprio bem, deveria correr muito depressa, num abrir e fechar de olhos, como se as divergências pudessem alguma vez violar a revolução que ambos tentariam alimentar.

A uma determinada altura o relógio tonto teve que dar sinal, mas ao mesmo tempo avisou que ali, ninguém iria morrer, porque a escama prateada talvez fizesse parte da cripta subterrânea que uma deliciosa barra de chocolate traria à superfície, como se ao chegar a casa ambos tivessem a necessidade de elevar o som do amplificador, nem que fosse para sentir o mar mais perto.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2008/06/17

Eu Não Tenho B.I.

O comboio que o leva desde Irún a Lisboa percorre várias paisagens, várias serras e várias estações. Paisagens que, a medida que os carris ficam para trás, a temperatura começa a baixar, até que, mais perto do seu destino, ela começa a aumentar. Sentado na sua carruagem couchette, decide ir à carruagem-restaurante, onde passado algum tempo acaba por conhecer uma espanhola, que veio a saber, entrara em Burgos e saíria em Coimbra. B. Coimbra-B. Ana viajava também sózinha. Acompanhava-a um cálice de vinho do Porto sobre a mesa. O que o acompanhava era um walkman enorme, de marca Crown, vermelho, com cassettes gravadas de programas radiofónicos que passavam a altas horas da noite.

Perguntava-se a si próprio porque não teria consigo uma revista ou um livro para ler na carruagem-restaurante enquanto ali permanecia. Ele próprio não obteve resposta. Estava demasiado cansado para pensar no assunto. Pediu o seu habitual café e sabe-se lá por qual motivo, sentou-se ao pé de Ana.

- Sabes, aprendi a viver de outra maneira, tal como tu que trazes esses headphones nos ouvidos.
- Pois, é por essa razão que nesta viagem imagino que esta carruagem é uma esplanada que desliza em cima das águas de um rio.
- Tenho aqui uma fotografia dos meus avós - portugueses - abraçados. (Tira a foto). Queres ver?
- Tens avós portugueses? Que giro. Sim, quero. Claro que quero ver a fotografia.
- Toma.
- Hum... Isto é puro. Vê-se tão bem que são ou foram felizes. Será que hoje em dia estamos dispostos a conceder este tipo de amor?
- Canta-me em voz alta o que estavas a ouvir.
- Não.

[dedicado à Humanidade, by Kraak, 1985, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-20XX]

2005/10/02

Outro Poiso


[ Kraakinho @ Sta. Margherita di Pula, Sardenha (I), 10 Set '05 ]

Recordava-te.
Absorvia o frutado olor
Das flores que voaram com vigor

Ao jardim suspenso do teu interior.

Recordo-te.
Hoje ofereço-te uma nova flor
Do meu permanente calor
Directo ao teu esplendor.

Recordar-te-ei.
Amanhã será uma flor de uma outra cor
Um amor de maior valor
No nosso poiso num lugar exterior.

[Dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho, in "Viagens de Comboio pelo Mar", 1965-XXXX, e pensado @ Vôo AZ23 Roma-Lisboa, 11 Set '05]

2005/07/14

Le Train Poursuit Son Voyage

Sentir-me
particularmente bem como que à descoberta de
novas formas
e de todas as coisas boas (e más) que me concedem.
    Estará a liberdade entre essas coisas?
    É a liberdade livre?
      Aqui onde tudo começou tremidamente...
        Se eu tivesse o dom de mudar coisas, não saberia por onde começar (uff... cálculo integral com quantas variáveis?). Mas mudar para quê? Mudar 'paisagens marginais' no sentido marginal da palavra?
          Eu só quero é começar a NAVEGAR, afastado de tudo isto. Yeah, a liberdade é impossível, isto eu sei. Antes assim.
            Aproximo-me e escondo-me. Aqui onde tudo começou. A noite traçada firmemente à minha volta, fraca por uma sede de luar reflectido nas areias deste mar. Fiquei ciente de que no ar por onde eu me movimento, eu era apenas uma das mais pequenas estrelas cadentes a deslocar-se pelos céus célticos das minhas chamas.
              No dia seguinte continuei levemente, ilimitado dentro das minhas limitações, suportado apenas pelas fronteiras do indie rock 'N' roll e com um presente de casamento nas mãos.
                Navegas comigo? Afastados do mundo.
                Like lovers do.
                  [Dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho, in "Viagens de Comboio pelo Mar", 1965-XXXX, e pensado @ Arrastão Beach, 13 Jul '05]

                  2005/07/12

                  Next To Nothing



                  (Photo by Kraak/Peixinho @ Larissa Station, Atenas (GR), 14 Set '02)

                  PARTE #1
                  De repente, quando menos esperamos, damo-nos conta da realidade. É sempre assim. Explicar-me o motivo para pôr as mãos no fogo. Mais dia menos dia seria assim. Com as mãos ao lume, muda-se do coração para a razão. Deveria ter feito uma pequena caminhada. Apesar do dia solarengo, sentia-me como se houvesse nuvens carregadas a perseguirem-me e que vestia uma gabardina para me abrigar da tormenta que se aproximava.

                  PARTE #-1
                  Numa estação bem diferente desta, segui o meu norte através de caminhos luxuriantes e ao mesmo tempo simples os quais se transformaram em vias férreas sinuosas. Pendurado na cauda de um peixe-cometa brilhante, assisti do alto a forma em como tudo rapidamente se transforma em lixo. Até como um nome pode ir parar ao esgoto do esquecimento para desaguar num mar de cores escuras.

                  PARTE #2
                  Vou fazer uma viagem imprevista de barco e de comboio, em águas aparentemente pouco agitadas e claras e sobre carris numa via renovada. Permaneço céptico, calado e sem perguntas. A ver a paisagem. Sem aparentar grandes surpresas como ouvir vozes ao telefone que brincam, cantam e parece que não têm nada para dizer. Vozes que apenas escrevem.

                  Às vezes pergunto-me se efectivamente não estou perto do Nada.

                  [by Kraak/Peixinho 2005, Viagens de Comboio Pelo Mar, 1965-XXXX]

                  2005/06/03

                  Tudo



                  Tudo o que eu fazia
                  Tudo o que eu via
                  Tudo o que eu sentia
                  eras tu
                  Tudo o que eu sabia
                  Tudo o que eu daria
                  Tudo o que eu quero
                  és tu

                  (by Kraak/Peixinho 2004, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)

                  2005/05/10

                  Refugiado

                  Num



                  é como me sinto. É como aguardo.
                  Em silêncio. Neva lá fora.
                  Não sei qual é a tonalidade do céu.


                  Tristeza nos teus olhos

                  Fumo de um antigo comboio a vapor
                  Faúlhas em brasa soltas
                  Que povoavam o interior do teu corpo

                  Sabes, eu não queria dizer-te adeus

                  E não quero concluir que o amor é uma grande ilusão
                  Não quero e não posso ser
                  Contraditório com as antigas estações onde desci

                  Há coisas que esqueço, mas… ainda existem

                  Algumas
                  Presentes
                  No meu cérebro

                  Sinal verde – arranque de saída
                  Não havia semáforos vermelhos
                  A via estava livre
                  Frenagem. Emergência.

                  Descarrilamento.


                  Sou o único que se sente ainda um pouco

                  Perdido
                  No meio da via, junto aos carris
                  Junto à erva que cresce ao seu lado

                  Há coisas que esqueço, mas… ainda existem

                  Algumas
                  Presentes
                  No meu cérebro

                  Não sou seguramente o passageiro

                  Pelo qual o teu coração chama e
                  Por isso, partiste
                  Eu sei

                  Sentado numa das carruagens

                  Sózinho no meio do Nada
                  Não sei qual caminho seguir, não sei qual linha apanhar
                  Não sei qual transbordo fazer

                  Eis que há vozes que anunciam nesta minha 3ª paragem

                  Informações e palavras deslocadas
                  Não muito de ti
                  Já não muito mais de mim

                  Adiam-se os momentos de

                  Apanhar o comboio para a
                  4ª paragem
                  como o tempo que uma árvore leva a crescer

                  (Foto enviada pelo meu amigo Sérgio)

                  (dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)

                  2005/04/25

                  Fluxos



                  Observa esta manhã soalheira como se o sangue escorresse do céu.

                  Olha para as pessoas a correrem loucas de um lado para outro... terão elas muitos jogos para jogar?
                  Neste avião, a sobrevoar a cidade, repara no sonho azul e suburbano dos jogadores... Milhões de carros, milhões de comboios, tudo a fluir, tudo a renascer, o dia desaparece no meio da noite e volta a iniciar-se mais tarde.

                  Nada perdido; nada ganho.


                  Queria ser uma estrela a brilhar no céu, como as luzes de uma cidade à noite. Dormir por aí e sonhar um sonho. O sonho da abertura, da liberdade, do beijo dos amantes.

                  (dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho 1999, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)
                  [inspirado na música "Everything Will Flow" (by Suede) e escrito em Outubro '99 em Frankfurt (DE)]

                  2005/04/23

                  Burning Sorrow



                  Estão preparados para acreditar que é verdade que tudo o que amamos acabamos por perder? Será que na cabeça de alguém, é possível escolher, não viver novamente?


                  Como não ouvias nada de jeito na rádio, decidiste fugir para o mais longe que alguma vez imaginaste. Corre! Foge! Abandona o teu nome, as mentiras, a mágoa e a culpa.

                  Disparo uma pergunta para o ar e eu próprio respondo:

                  - Onde estás?
                  Acidentalmente sorrio e respondo. -
                  No alto de uma montanha, de pé. Com lágrimas sem esperanças, as quais apenas eu posso ouvir.

                  O telefone não te pode trazer até aqui.

                  (dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho 2005, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)