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2008/03/29

Your Black Eyes


Oculto num centro comercial fui à procura dos perfumes que faltavam ao pé do (grande) espelho da minha casa de banho. Num labirinto algo paradoxal, alguns frascos na mão, os cheiros deste e daquele aroma vieram, com a minha alma, ao eco dos ângulos formados pelo (grande) espelho pelos quais observava o teu corpo e pelos quais, em particular, a tua face fitava.

Não sei qual, mas tinha esperança que um dos teus dois olhos mentisse: aquele que escondia algo ou aquele que no futuro me disse que não escondia nada.

Há riscos que (in)felizmente a minha companhia de seguros não cobre.

[photo by Edyta @ Pruderia Bar, Varsóvia (PL), 14 Set '07]

2008/03/03

O Meu iPOD Alimentado Pela Energia do 3º Carril


Ou eu cheguei tarde ou partiste demasiadamente cedo. Snowden nos ouvidos, a correr uma qualquer playlist criada. No cais onde estava sobraram algumas identidades com ou sem documento e que traziam muita ou pouca cidadania. Do lado do teu cais, apareceu o comboio que trazia "Rato" como destino. Aí nada sobrou. Levaram os corpos, levaram o frenesim, levaram o tumulto. Ficou um sorriso, embora não valesse a pena esperar muito por algo que pudesse vir de tão perto, mesmo com a certeza de não saber para onde ir com as portas da carruagem fechadas.

Como ninguém escuta a minha voz, nem eu próprio, o meu iPOD continua a debitar músicas para não ouvir a razão do murmúrio presente nos olhos do comboio com destino "Campo Grande".

O Metropolitano de Lisboa ajuda-me a pensar naquilo que a minha voz abafa.