2008/01/28

A Parte do Universo Onde Eu Não Estou

És o meu irmão real, mas ao mesmo tempo já não és verdadeiro. Existes noutra dimensão e assim, todos os anos, neste dia acabo por permanecer em silêncio. Silêncio pelos gestos que fiz, muitos com certeza pela tua ausência, pelas linhas erradas que percorri, pelas frases pouco estruturadas que escrevi. Sabes, mano, cada vez mais as imagens prateadas que tinha dos invernos passam a quadros alaranjados que se movem, como se do fogo do inferno eu estivesse a falar. Apesar disso, tu ajudas-me sempre a ultrapassar essas farpas quentes que picam o meu peito, não que te inventasse na minha existência, mas pela memória de muita coisa que não tive ao teu lado.

Curiosamente, sinto-me triste por te imaginar longe deste mundo, mas ao mesmo tempo satisfeito porque alegremente estarás em parte incerta, mas longe deste mundo humano. Um dia seguramente irei ver-te à luz do dia. Durante a noite e como já aqui disse, veremos os dois juntos as estrelas, mas de cima.

Neste dia de hoje, o meu presente para ti são selos. Ofereço-te selos.
Com estrelas.

2 comentários:

éme. disse...

A memória das coisas que não tivemos ao lado de alguns* que nos são profundamente especiais é a fonte de energia que dá luz às estrelas...

*Aqueles tão raros seres que estão connosco mesmo quando "cá" não estão.

Hoje, por ser Hoje,
Beijos sem zês nem caminhos tortos, só beijos

Kraak disse...

Eme :) Sem dúvida. Tão especiais que ouço-o de manhã ou pela tarde, embora os maiores momentos de palavras trocadas seja à noite.

Ele não tem culpa de nada. Eu tenho cabeça e rosto. Hoje e até me deixarem.

Bjzz rectos, com zzz :P