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2008/12/21

Top 31-2008-Freaking Out and Breaking It Off



A citação da semana no meio de uma animada conversa:

- Um dia vou encontrar o meu amor num concerto dos The National. :)
- Ya, eu acho que perdi o meu num desses concertos. :S

Depois de vários temas do top que já desfilaram pelo Kraak FM <'+++<, alguns deles com ligações a este blog, hoje é o dia do tema que se encontra na posição #10: um dos temas que muito rodou nos meus dispositivos musicais de 2008, "If I Know You", do álbum 'Apocalypso', dos australianos The Presets.

Para ouvir:
If I Know You, pelos The Presets
:-:-: The Presets, via Kraak FM <'+++<

2008/06/16

O Meu Desvio até Amor


Ao caminhar em direcção ao Porto pela A17 que me conduzia pelo litoral, reparo numa das suas saídas que mencionava uma terra chamada Amor. Por ser noite, decidi fazer um desvio quando regressasse a Lisboa. Ontem, confrontei-me com esta bucólica aldeia de nome muito sugestivo.

Ao que parece Amor nasceu por uma lenda de um caso amoroso entre o Rei da altura e uma sua apaixonada local. O Rei parecia baldar-se muitas vezes do seu palácio em direcção ao litoral para inspeccionar umas supostas florestas que de repente lhe passaram a ter muito interesse.

Uma bela noite, regressava o apaixonado Rei do seu abrigo de amor, quando no meio da escuridão começou a ver imagens misteriosas de fogo que se lhe apareciam à frente, como se as chamas dos vulcões o perseguissem. Assustado e ao chegar ao palácio encontrou Santa Isabel que regressava da igreja e contou-lhe o que se passara no caminho de regresso. Santa Isabel respondera: "eram as LUZES a alumiar os vossos olhos que andam ceguinhos de amor".

O meu regresso após sair de Amor foi acompanhado por Cut Copy e The Mary Onettes. Por outras luzes que não me mostraram que ali estarias. Por outras luzes que me indicavam o brando rumor da vida. Por outras luzes que me indicavam que não caminhavas ao meu lado.

2008/05/06

Não Sei Quantos Sentidos Tenho


"A distância que se invalida..." palavras d'O Piano. De um pranto que se forma através de um elogio que não mereço. O pranto é uma parte das nossas palavras instrumentais e instrumentalizadas que saem geometricamente dos seus contornos. Como se tirássemos as palavras de nós próprios e ao mesmo tempo tivéssemos uma pá para as recolher.

Fecho os olhos e aguardo pelos raios de sol que andam aí a chegar. Sem distâncias e na altura própria, o meu pranto fica para a minha sepultura, como numa reflexão fora de prazo, roído pelos arranhões dos gatos que povoam o subterrâneo do caixão.

Quando aí estiver realmente só, darei largas à imaginação da minha dor e lembrar-me-ei de um dos grandes álbuns dos Built to Spill: 'There's Nothing Wrong with Love'. Pois não. Não há nada de errado. Nós é que muitas vezes o matamos. Quer sejamos obrigados. Quer por não termos dado conta. Quer por não termos paciência.

Como se cada verso fosse uma diferente história.

"I thought I bored me but I learned to think like you
Now nothing bores me that's that nothing is thought through."

[photo by Kraak @ Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/05/04

Tune In For... MAMI


Mãe, felizmente poucas foram as noites que te dei sem descanso, medo e incerteza. Mesmo nestas sempre bem soubeste os seus significados e logo a seguir reencontraste-me a um nível superior.

E tu... tens uma coisa linda, aquelas coisas próprias de
mãe, ou seja, guardas tudo no teu coração, mesmo quando algum sofrimento te oprime. Os teus planos de amor e sabedoria ajudam-me sempre a partir os tijolos do muro que me rodeia. E não me queixo. E agradeço-te. E sinto-me sempre assim quando me dás a tua mão. Amo-te! Vem comigo mais uma vez, desta vez não a Hollywood, mas a Praga. :)

[photo by Edyta @ Praga (CZ), 27 Abr '08]

2008/02/26

A Liberdade Reflectida num Comboio InterCidades



As pessoas vão e voltam. Perdem-se num intervalo onde julgam arrumar no roupeiro a vestimenta de verão até a próxima meia-estação, mesmo sabendo que no inverno e, nos casos especiais de dias como o de hoje, podemos andar de manga curta.

Não sei se tal característica tem algum nome. Se são pessoas, se são figuras, se são como algumas estrelas vistas cá da Terra que ora brilham ora se apagam. Será que são como alguns cometas que passam de tanto em tanto tempo? Serão cíclicas? Entidades que chegam de comboio a contrariar tudo isso, em nome de uma liberdade residual, em nome de um "prefiro que não vejas como sou", em nome de um graffiti indecifrável, em nome de uma ausência que clamava pelo amor da liberdade.

Com o bónus deste lado, fico com as pautas da minha música rasgadas, com as folhas de papel reciclado da minha mente queimados, com o meu candeeiro tapado, tal como uma estátua petrificada, sem a liberdade de movimentos para ser efectivamente livre.

Não sei, mas parece que há qualquer coisa escondida nos meus olhos. Para além de já ter assumido que era a "tragedy", também sou a drug e nunca me disseram. Se "tragédia" e "droga" podem estar relacionados, qual a verdadeira diferença entre "liberdade" e "ser livre"?

2008/02/14

Fucking Valentine's Day



A minha primeira homenagem para o dia de São Valentim:

A cintilação das luzes da rua, o brilho ideal
A respiração dos amantes grita tal e qual os calcanhares, quando se tocam
As crianças correm numa falta de limite que eu uma vez conheci
Um homem mais velho teria que cair, já que a sua culpa drenou toda a sua juventude

Segue o rio para além da porta da cidade
Ao pé do acesso à Câmara é onde esperarei
E isto é apenas um pesadelo porque eu nunca mais te voltarei a ver
Um homem mais velho seguramente cairia se ele também perdesse o seu amor

Eu nunca poderia ser tudo o que tu necessitarias
O meu castigo é continuar a viver sem ti
Eu nunca poderia ir e voltar só para te confortar
A minha culpa não é o peso que carregas, agora que já sabes que é verdadeiro

Veste-te com coragem quando daí desceres
Diz apenas ao guardião da Câmara onde estarei
E não olhes jamais para trás, corre até ao sítio mais longe que conseguires
Porque eu nunca mais serei capaz de amar novamente

Eu nunca poderia ser tudo o que tu necessitarias
O meu castigo é continuar a viver sem ti
Eu nunca poderia partir e voltar a casa para ti
Não sofras pela minha luta, não sacrifiques a tua visão
Eu nunca poderia ir e voltar só para te confortar
O meu castigo é continuar a viver sem ti

[adaptação livre do tema "My Punishment for Fighting", interpretada pelos The Rosebuds e em audição neste blog, nesta data]

2008/02/11

Os Cegos Também Amam


O amor nos homens é uma figura inconstante. Ao longo da vida chega a ser engraçado ver o que se perdeu e o que se esqueceu. Ou o que ainda está presente, apesar de perdido. Os cegos que se apaixonam, apesar da fraqueza ocasionada pela visão que não possuem, não conhecem a mágoa daqueles que aterram nos seus olhos, não conhecem os olhares demorados de despedida nem conhecem o brilho do sol quando este sorri.

Apesar de tudo, não quero ser cego. Ninguém apaga a cor da luz que vi e que vivia nos teus olhos. Mesmo que permaneça acordado num colchão de espinhos.

2007/11/01

Estação em Eclipse



Curioso como duas músicas de há alguns anos atrás voltam a fazer sentido na minha vida e tocadas de forma conjunta. Antes, apareceram de maneira isolada e em situações distintas, hoje tenho-as em conflito no meu interior. Coisas que escrevi há 2 anos atrás, fora deste contexto, parecem ser reais em 2007.

Como abrir um livro e encontrar apontamentos sobre "the true sense of being in love" e não rejeitar que ninguém compreende tal coisa. Complicado? Palavras difíceis? Palavreado nonsense? Será que são tão inconsequentes como tentar perceber se é a posteridade ou a posterioridade que causa vómitos?

[photo by Kraak/Peixinho @ Flaçà (ES), 8 Set '07]

2007/05/22

Quase Noite


Com a minha boca seca, num dia após uma noite bem bebida, uma almofada contra o meu peito e a minha imagem adormecida entre dois períodos do dia.

Os meus olhos reflectiam silêncio, os meus ouvidos libertavam palavras e letras. A transpiração passara e o meu nariz cortava o ar que da minha mão se libertara. O hálito martelava a minha língua na senda de algum alimento.


Naquele momento a fasquia era elevada para o sono. E para o amor, apesar do paladar. Era quase noite, mas disse-te "Bom Dia".

2007/04/23

O Elevador Não Funciona



Foi uma das muitas frases que guardei em memória.

Pois, não funciona. Às vezes somos felizes por razões tão simples e infelizes por outras também simples razões.

Não funciona. Muda-se o clima: em vez dos cheiros característicos dos ascensores, como perfumes duvidosos e odores próprios de cada um, temos um espaço para respirar mais amplo ao subirmos as escadas. Em vez da conversa de ocasião com um vizinho ou com um colega onde inevitavelmente começamos a olhar para o tecto do elevador ou para a sua porta, pelas escadas encontramos uma passagem, um movimento de subir e descer, um cumprimento, uma ajuda, uma simpatia, um olhar.


Mesmo com o elevador avariado, subimos as escadas à procura de uma felicidade que ninguém sabe a quem pertence, mesmo que tenhamos que mudar de clima. Mudamos de clima para não ficarmos isolados e vulneráveis.


Embora a chegada da primavera* possa cheirar a cliché.

* "Bahar" significa "Primavera" em turco.

2006/06/14

Também Eu Sigo


Uma voz que te acalma e que me segue durante a noite. O meu segredo já sabes qual é: foi cantado na minha primeira música, ou, pelo menos, saiu aos soluços. Descemos na noite, subimos no dia e algures no mar havia de facto uma letra que pendia num corpo agarrado àquela vela.

Assegurando-te que eu sóbrio estava, via a mesa e as cadeiras cansarem-se de andar à volta tentando encontrar o meu outro lado. Este, mais quente que o fogo, criava um soneto perfeito para que esse fosse a tua bandeira. De linhas claras e cores acesas. Além de ter todas as letras de todos os alfabetos, em particular, o árabe.

(Imagem: 'I follow the Religion of Love', by Ibn 'Arabi, 2003 @ The British Museum Department of Asia. Image © Hassan Massoudy)

2006/02/15

Paixaum >+++'> Rewind, #11 (Fase: Música)


Após esta chávena de ternura, chegou-se ao mês de Dezembro e respectivo fim do ano de 2005. Uma espécie de fase de balanço do ano que findava era imperativo fazer-se. Nada como a música para ajudar, daí considerar que, nesse mês, o Paixaum >+++'>, para além da escrita sempre presente, foi por mim caracterizado pela Fase Música: uma retrospectiva dos temas que mais me agradaram em 2005 acompanhada com o balanço do ano.

Apesar de ter sido também uma fase algo atribulada na minha vida pessoal, tudo seguiu o curso normal, tendo as águas sido dirigidas para este imenso mar presente no meu interior, podendo mesmo dizer que, além da Fase Música, o Paixaum >+++'> poderia também ser descrito como a "Fase Descolagem". Descolagem para ondulantes céus, num virar de página dentro do mesmo livro e a um passo da luz. Com o coração a bater, like lovers do.

Curiosamente, o Paixaum >+++'> começou a aperceber-se também que era um feliz Tristão que se portava de forma contrária (tão ingénuo!!) na blogosfera (sobre isto muito há para dizer em relação a muita malta que anda por aí com blogues). Não foi preciso haver uma cheia ou começar a saltar nas poças para chegar a algumas conclusões interessantes sobre o comportamento de alguns bloggers e respectivos blogues.

O mês e o ano terminaram com uma
posta carregada de muito amor.

2005/08/09

Eu queria

... escrever-te um e-mail para ouvir a tua voz com magia;
... ouvir a tua voz para compor a letra da música que te dá poesia;
... compor a tua música para delirar com a tua alegria;
... delirar com a tua alegria para me anestesiar com a tua maresia;
... anestesiar-me com a tua maresia para permanecer ao teu lado em demasia;
... permanecer ao teu lado em demasia para observar a tua fotografia;
... observar a tua fotografia para acordar com a tua presença em total sintonia;
... acordar com a tua presença em total sintonia para sorrir contigo todo o dia;
... sorrir contigo todo o dia para brincarmos ao jogo dos submarinos e da geografia.
    A brincar, a jogar, a acordar, a permanecer,
    a observar, a anestesiar, a compor,
    a delirar, a ouvir, a sorrir, a escrever,
    sobre todo este <completar a frase>

    2005/08/01

    Sexo, Drogas & Rock'N'Roll

    Como dizia Jorge Mourinha no Blitz de 2005.07.26, "raras são as histórias de amor modernas que não têm canções por balizas".

    É bem verdade!

    A VER: 9 Canções de Michael Winterbottom (UK).

    2005/07/29

    Alguém Que Me Agarre

    Como é da praxe, hoje é o último dia útil do mês... Logo... Yaaaaaaabbbbbadddddddddaaaabaduuuuuuuu! Ainda por cima coincide com o início do fim-de-semana! Hehehe :)

    Naum há CD's hoje (amanhã talvez, hihi)

    Viva o AMOR
    Viva os COMBOIOS
    Viva a MÚSICA
    Viva o FIM-DE-SEMANA
    Viva os SUPERMERCADOS
    Viva a NOITE
    Viva a minha AVALANCHE
    Viva os AMIGOS
    Viva o BRAC e o GOLFINHO
    Viva a BIOLOGIA e a MATEMÁTICA

    LOL
    Kraakaum a APARVALHAR

    Ainda a Invenção do Amor

    A propósito, vejam este post neste blog. Para os mais cépticos.

    :)

    2005/07/23

    Invenção do Amor

    Quem inventou o amor? Há quem diga que o amor é uma espécie de carência. Será? Só se ama quando estamos carentes? Não percebo esta teoria. Eu amo os meus amigos: isto significa que estou carente? Se não estou carente isto significa que odeio os meus amigos? Mas que porra de raciocínio é este? Será que o conceito 'amor' só é aplicado àquelas pessoas que vivem ao nosso lado? Tipo namorada, namorado, marido, mulher, companheiro, companheira? E os nossos pais? Que estupidez.

    De qualquer forma quem inventou este conceito de 'amor', não o fez totalmente bem. Pelos vistos, há dúvidas sobre quem deverá englobar a lista dos nossos amores. É tipo lixo reciclado: vidros no vidrão, papel no papelão, pilhas no pilhão, etc.

    Há coisas que não são simétricas, não são lineares, que não podem ser definidas por uma função matemática, por mais que se tente. E muitas vezes estas coisas são recorrentes e condicionais: se me amares, eu sigo contigo, se me beijares eu também te beijo, etc. What'ta fuck? Que raio de equilíbrio é este? Promete-me que não conhecerás ninguém e serás alguém em quem possa confiar. A mente humana é muito complicada...

    Este mundo anda cheio de gente louca, de gente que faz apostas no amor, de gente que se deixa levar e de eternos idiotas submissos à uma vontade alheia de manipulação.