Ao fundo, como uma pedra
[continuação deste post]
Um dia vais sentar-te à minha beira e respirar todo o meu amor. Nesse dia ficarás a saber algumas das minhas memórias que vi e sonhei.
Perdi alguns amores e amigos, não só pelas ruas de São Paulo, mas também por outras cidades bem mais perto de nós. Por este motivo, poderia chorar, produzir quilómetros de rios com as minhas lágrimas, mas não... já não o faço. Já lá foi.
Pelo meio, fazia a minha mala, bagagem na mão, mochila às costas, andava outros tantos quilómetros e vivia a minha própria vida. Chorava. Ia ao fundo. Emergia. Chorava.
Numa praia um coração caiu novamente e, sem ir ao chão, já no meu colo a sua pele foi restituída, o seu passo acelerado e eu choro. Choro sempre que vou ao mar. Choro por tristeza. Choro por alegria. Já não me percebo. Não sei se preciso de um quiropata, não sei se preciso de um soldado que lute por mim nesta guerra, não sei se preciso de uma saída - uma janela ou uma porta -, não sei se preciso de um advogado que processe o mundo por mim, não sei se preciso de uma pessoa que não seja eu, porque de mim já estou cansado.
Na realidade eu não pertenço a este mundo. Vôo de um penhasco e atiro-me ao mar e deixo-me afundar como uma pedra. Lá fico. Até que já não haja mais pele nos meus ossos.
Choro.
Continuo a chorar... e ainda vou chorar muito.
Para hoje, chega-nos a música do ano, o tema #1 (em audição), cujo título fala português: "São Paulo", dos Guillemots, álbum 'Through the Window Pane', por mim eleito como sendo o 2º melhor álbum de 2006. A música é grande, mas vale a pena ouvir até ao fim.
"sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
but I don't
sometimes I could cry ah sometimes
drop my bags and run for miles
and sometimes I could live my life
but I won't, but I won't
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
till there's no skin left on your bones
thrown across water
thrown across water
thrown across water
like a stone"
Um dia vais sentar-te à minha beira e respirar todo o meu amor. Nesse dia ficarás a saber algumas das minhas memórias que vi e sonhei.
Perdi alguns amores e amigos, não só pelas ruas de São Paulo, mas também por outras cidades bem mais perto de nós. Por este motivo, poderia chorar, produzir quilómetros de rios com as minhas lágrimas, mas não... já não o faço. Já lá foi.
Pelo meio, fazia a minha mala, bagagem na mão, mochila às costas, andava outros tantos quilómetros e vivia a minha própria vida. Chorava. Ia ao fundo. Emergia. Chorava.
Numa praia um coração caiu novamente e, sem ir ao chão, já no meu colo a sua pele foi restituída, o seu passo acelerado e eu choro. Choro sempre que vou ao mar. Choro por tristeza. Choro por alegria. Já não me percebo. Não sei se preciso de um quiropata, não sei se preciso de um soldado que lute por mim nesta guerra, não sei se preciso de uma saída - uma janela ou uma porta -, não sei se preciso de um advogado que processe o mundo por mim, não sei se preciso de uma pessoa que não seja eu, porque de mim já estou cansado.
Na realidade eu não pertenço a este mundo. Vôo de um penhasco e atiro-me ao mar e deixo-me afundar como uma pedra. Lá fico. Até que já não haja mais pele nos meus ossos.
Choro.
Continuo a chorar... e ainda vou chorar muito.
Para hoje, chega-nos a música do ano, o tema #1 (em audição), cujo título fala português: "São Paulo", dos Guillemots, álbum 'Through the Window Pane', por mim eleito como sendo o 2º melhor álbum de 2006. A música é grande, mas vale a pena ouvir até ao fim.
"sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
but I don't
sometimes I could cry ah sometimes
drop my bags and run for miles
and sometimes I could live my life
but I won't, but I won't
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
till there's no skin left on your bones
thrown across water
thrown across water
thrown across water
like a stone"


