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2008/12/31

Piso Escorregadio

Num lugar assustadoramente branco, a neve cobre tudo o que apanha a jeito. Sem saída, não deve haver vida por baixo desse manto.


Video Credits: lilcamar @ youtube.com

Snow on Dead Neighborhoods, pelos Electric President
:-:-: Electric President, via Kraak FM <'+++<

2006/12/25

10000 linhas de sms's da treta


[continuação deste post]

Não é a primeira vez que esta música aparece neste blog. O seu título serviu-me para, 10 meses atrás, andar a divagar através deste
post. Hoje, quase 1 ano depois, ela volta a adaptar-se à Quadra Natalícia. Uma época um pouco cínica, especialmente quando estamos à janela das casas onde as pessoas, supostamente, estão alegres a confraternizar em família o Natal. Na realidade, estão a apanhar uma grande seca.

Mas, se hoje em dia, pintamos o futuro, desde os nossos quartos, com todo o progresso tecnológico que o mundo nos oferece, só queria deixar aqui expresso que acho esta ceninha dos sms's natalícios uma coisa mais que sintética e que permite encher os bolsos dos patrões das operadoras móveis. A questão é que os fios à solta pelo chão e os cabos existentes nas paredes das nossas casas permitem que saiamos limpos de tudo o que fizemos ao longo do ano e de uma forma cínica e indirecta mandamos mensagens de amor e fraternidade pelas antenas espalhadas pelos telhados das nossas casas, do tipo: "não quero falar contigo, por isso leva lá com o sms".

É fácil. A receita já está nos sites oficiais das operadoras móveis: é só escolher o modelo e fazer "send". Não é preciso dar a cara, quero dizer, dar a voz. Assim quem recebe as mensagens pode ver no que elas, as que enviaram, se tornaram: pouco sol, apenas algumas radiações.


A chatice é que elas têm o teu nome e o teu número de telefone. Tu é que já não tens os respectivos gravados no teu telemóvel. Eu deveria aprender a estar calado, mas nesta vida já aprendi algumas coisas, sobretudo em não ser um mero acessório de encenação teatral, como se estivesse a falar de papel de cenário.

Entre todas as mensagens que recebi, quase nenhuma delas original, quase nenhuma delas escrita pelo punho do remetente, quase nenhuma delas pensada e adaptada para quem se dirigia, a que leva o prémio da piroseira/bimbice é a que se segue (recebi a mesma mensagem duas vezes por dois remetentes diferentes):

"Um dia um sábio disse: 'A riqueza de um Homem mede-se pela quantidade de amigos...' Obrigado por fazeres parte da minha fortuna..." - ARGHH! - God damn it!

E aqui a mensagem mais original deste Natal: "Yo ho ho, bom Natal, mesmo que tal implique substituir a patanisca pelo bacalhau. Cya ;)"

Hoje chega-nos o tema #5: "Ten Thousand Lines" (em audição) dos Electric President, álbum 'S/t' (3º melhor álbum de 2006, na minha opinião).

"Thousands of wires spread through the halls
Thousands of eyes live in our walls.
And now they can see just what we've done (oh no)
Now they can see what we've become

No sun. Just radiation here. Get it by the lungful.
No time. No way to count the years.
Except by the creaking sounds in your bones"

2006/02/27

41 anos em 2 minutos


Vou perder algum tempo a escrever algumas linhas. Poderiam ser 15, 41, 100, 1000, 10000 linhas... onde seguramente iria esquecer-me ou perder algumas palavras.

Uma linha de fios sai do meu coração. Dezenas de linhas ferroviárias encerradas. Centenas de linhas nas minhas mãos. Milhares de linhas brotam dos meus vasos comunicantes. Milhões de linhas vivem nas minhas paredes. Biliões de linhas preenchem o meu corpo. Agora elas podem ver o que eu sou e no que me tornei.

Linhas de sol e de radiação incendeiam a minha vista e não me deixam contar quantas linhas há em 41 anos de vida. Apenas a sustentação da chiadeira que elas fazem nos muros suspensos onde o meu nome toca a tua aparelhagem.

As linhas ferroviárias têm o meu toque e o autocarro número 41 da Carris já não existe, mas nos STCP pode levar-me da Cordoaria a Gatões (!!). Todas elas têm os meus sonhos e preenchem a minha pobre mente que gira nas minhas mãos e que agora dizem onde me situo.

Continuo a ver o futuro a trazer montes de progresso mas ao mesmo tempo alguma frieza. Hoje as pessoas não têm linhas para viver, apenas rabiscos para estremecerem e curvas para se movimentarem. Sinteticamente é o que há. É como dizer que o número 41 é um número primo e que por acaso é o menor dos primos que pode ser escrito como a soma de números primos consecutivos (41=2+3+5+7+11+13=11+13+17). Hehe :)

O que me consola é que Mozart não escreveu 40 sinfonias, mas sim 41. A Sinfonia de Jupiter. Em C Maior.

Fuck 40! Welcome 41!