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2008/07/15

Fake Booming Shit

Não sei porquê, mas vou comprar um cão de raça para passear, no estilo romano vou-me arrastar, com mil palavras brandas que nem sequer sei usar.

2008/07/01

A Fronteira (Esponjosa) da Ciência


É interessante meditar sobre a nossa incapacidade de governar o que nos governa. A nossa máquina cerebral, ou seja, esta coisa que temos no topo do nosso corpo, com cerca de 1 kg e tal de peso, com um aspecto interno de nhaca, aspecto esse igual entre todos os outros, é efectivamente moldada de contornos muito subjectivos onde ou conseguimos aceitar a realidade ou a deformamos ou a ampliamos. Assim como há cérebros impenetráveis, há tecidos misteriosos e há funcionamentos verdadeiramente traumáticos.

Há vertigens que não me fazem compreender o mal que querem fazer.

2008/05/01

O Imperador Kraak IV


À minha frente, ao meu lado e atrás de mim, gente. Aos magotes. Homens de meia-idade, mulheres novas, homens novos, mulheres de meia-idade. Jovens. Estudantes. Grupos. Parzinhos. Máquinas fotográficas, telemóveis, cigarros, sorrisos, falatórios, gritos e bandeirolas.

Por associação de ideias, lembrei-me de ti, como se me tivesse naquele instante dado conta que não estava em Lisboa, o que não deixa de ser intrigante. Fecho os olhos - como se durante 4 segundos conseguisse dormir e sonhar - com paciência e amor observo-me-te em silêncio e acordo. Acordo numa [(in)feliz] realidade, mas com uma visão cativante.

Confio no poder da minha confiança.

[photo by Kraak @ Karlův Most, Praga (CZ), 26 Abr '08]

2008/02/16

A Colisão das Rotas


Como é que eu posso esvaziar os meus olhos se a cada volta que faço com a minha amiga Avalanche aqui à beira da linha sempre te vejo num qualquer comboio que insiste em passar sempre que ali passo? Alguém me diga como é que eu posso deixar de te ouvir se cada música que roda no meu iPOD invoca a tua voz canalizada a crackar a password do meu cérebro, quando na realidade eu é que queria ter a chave de acesso da tua mente.

Acho que vou semear manjericos.

2008/01/09

É A Fingir?


Nos últimos 2 dias, mais uma vez encontrei uma música a qual por acaso gosto bastante ("A Hand to Take Hold of the Scene", dos Okkervil River) e que parece encaixar-se neste cenário de talkshow sensacionalista que pareço estar exposto.

Não é que este tema me faça chorar, antes pelo contrário. Permite concluir que embora o solo se tenha aberto à minha frente, ainda consigo ter o discernimento, não de arriscar a dizer o preço certo, não de adivinhar qual a letra inicial da capital da Letónia, mas sim de perguntar se não há para ali ninguém a deitar uma mãozinha a esta encenação.

[photo by Kraak/Peixinho @ Prime Club, Colónia (DE), 25 Nov '07]

2007/12/27

... With a Book in My Hand, #2



Como eu não quero nem posso andar a vaguear por palavras que não salvam a minha vida,
Como eu não quero nem posso pensar que grandes cabeças se passeiam com corpos delicados,
Como eu não quero nem posso pensar em voar e aterrar de emergência sob uma qualquer ponte deste mundo,

Deixo por aqui uma das músicas do ano de 2007, na minha opinião: "John Allyn Smith Sails" dos Okkervil River, do álbum 'The Stage Names', o 2º melhor álbum de 2007, na minha opinião. Esta é a 3ª e última menção honrosa de 2007, mas que não vai ter audição por este blog. Para quem quiser, o vídeo encontra-se aqui. Mais informações sobre os Okkervil River encontram-se aqui disponíveis.

"And I knew that my last lines were gone while stupidly I lingered on, other wise men know when it's time to go
And so I should, too

And so I fly into the brightest winter sun
Of this frozen town, I'm stripped down to move on
My friends, I'm gone

Well, I hear my father fall
And I hear my mother call
And I hear the others all whispering, "Come home"
I'm sorry to go
I loved you all so
But this is the worst trip I've ever been on

So, hoist up the John B. sail
(Hoist up the John B. sail)
See how the main sail sets
(See how the main sail sets)
I've folded my heart in my head and I wanna go home
With a book in my hand
In the way I had planned
Well, this is the worst trip I've ever been on
"

2007/12/06

In the Treasure Chest below My Breast


Dizer que a música de hoje é um dos (grandes) temas de 2007 é, nesta quinta-feira que foi ligeiramente ensolarada, algo que pode causar algum incómodo. Mas é um facto: de forma independente do curso das correntes, ela já estava separada para o efeito. Seria falso se não a listasse neste Top 31-2007.

É o rosto das personagens que se ancoraram, que procuraram o impossível, que julgaram ter encontrado o possível, que subitamente, como que a oscilar por cima das ondas, sopram a vela e escalam as colinas ensonados pela insónia da noite, mas que possivelmente tenham aprendido alguma coisa sobre viver, amar e cantar. Mesmo que em sonho ou pesadelo.

Sim, eu sei. Foi cantada de forma bilateral. Nada como fazer de conta que estamos todos a resolver as nossas vidas, nem que seja através de uma magia, para temporariamente estarmos bem.

Hoje chega o tema #26: "The Magic Position" de Patrick Wolf, extraído do álbum 'The Magic Position'. Mais informações sobre Patrick Wolf podem ser lidas aqui.

"And I know how you've hurt
And been dragged through the dirt
But come on get back up
It's the time to live
So give your love to me
I'm gonna keep it carefully
So deep in the treasure chest below my breast

'Cause out of all the people I've known
The places I've been
The songs that I have sung
The wonders I've seen
Now that the dreams are all coming true
Who is the one that leads me on through?

It's you
Who puts me in the magic position, darling now
You've put me in the magic position, darling so
Let me put you in the magic position, darling 'cause
I'm singing in the, the major key

Let me put you in the major key
"

2007/11/03

A Banda É Apenas o Vocalista

Num carro cuja tripulação se resume apenas ao condutor, este senta-se e aguarda. Espera pelos dias que já passaram. Arranca. Conduz calmamente. Acelera pelo Viaduto Duarte Pacheco para entrar a toda a velocidade na rampa da A5, como se esta o levasse num avião até ao 42º Andar de um prédio feito de repuxos.

Live dangerously...?
Live! And Love!


Definitivamente, os Okkervil River não viajam mais no meu carro.

Para a minha própria segurança.

2007/10/12

, a Leoa Atende o Meu Telemóvel

Reza a lenda ou a verdadeira história, que há um ano antes deste vídeo ser realizado que o leãozinho tinha sido abandonado. Então os dois rapazes Bee Gees Wannabe (será que ainda vivem nos anos '70?) trataram do bébé leão e depois, quando acharam que era a devida altura, devolveram-no ao mundo selvagem. Um ano após, os descendentes dos Bee Gees decidiram voltar ao mesmo local (algures em África) e tiveram este feliz reencontro...



A acreditar na lenda, acho um momento extraordinário o qual prova como os animais conseguem ser muito superiores àquilo a que a raça humana lhes classifica. Confesso que a primeira vez que vi isto fiquei emocionado (mas para isto não é preciso muito...).

Agora pergunto eu:

1) Avisaram ao leão que os seus lionsitters lá iriam?
2) Como é que com aquela força dos abracinhos do leão nenhum dos tipos foi ao chão?
3) A leoa estava-se nas tintas para o que se passava ou foi impressão minha (que é como quem diz "fonix, já fizemos 50 ensaios desta porra, será que é desta?")?
4) Quem é o outro monga à Guns & Roses que aparece em tronco nu?
5) O que aconteceu após esta reunião, no momento em que terminaram as filmagens?

Acho que só sei a resposta à questão #5 e espero que quem tenha visto isto, não se lembre de querer ter um leão doméstico para poder passear com ele à noite pelas ruas e jardins da cidade.

2006/12/12

O general Panaché


[continuação deste post]

Chegou a tua hora, infeliz. Fizeste a tua malita? Viste como estava a tua cara, seu ordinário? Lentamente foste chegando ao fim. Pena que haja muitas pessoas que não chegaram ao seu fim da mesma forma que tu, porco. Muitos, directamente ou indirectamente por ti mandados, foram executados subitamente.


Pelo acaso do destino (adoro estas aleatoriedades) bazaste para o outro lado no Dia Internacional dos Direitos Humanos. A maioria do povo chileno deve estar satisfeita, bem como a grande comunidade internacional.

Não terás aqui a tua fotografia, seu boi, terás a de um lutador que, como muitos, tiveram que fugir desse belo país que era o teu. Este post é uma homenagem para todos eles, seu cretino. Alguns desses, conheci eu pessoalmente.


O teu coração já não bate e já não batia como deve ser. Os teus olhos já não vêm; já nada reconheces. Só tenho pena que não tivesses apodrecido na prisão, pulha! Ninguém percebe porque isto não aconteceu. Por razões desconhecidas...

Dedico-te esta música para o teu funeral, seu cara-de-merda. dRIP (don't rest in piece) é o que te desejo.

Hoje chega a #17 (em audição nesta data): "For Reasons Unknown", dos The Killers.

"I flew and flied.
I know if destiny’s kind, I’ve got the rest on my mind.
But my heart, it don’t beat, it don’t beat the way it used to
And my eyes, they don’t see you no more
And my lips, they don’t kiss, they don’t kiss the way they used to,
and my eyes don’t recognize you no more.
For reasons unknown; for reasons unknown."

2006/05/18

Coincidências Sujas


As experiências da vida são factos que nos marcam e que nos ajudam a distinguir o branco do vermelho. Há muito material radioactivo em muitos corpos ambulantes, muito contágio mental absorvido pelas luvas enquanto calçadas, sendo que as pedras do desejo bem como as canções dos corações que sangram, estão ao longo de uma qualquer avenida, no despertar da aurora ou numa noite ferida.

Não é preciso ficarmos assustados. De que vale o receio se ainda há tantos ossos para partir? No meio da floresta todos ouviremos o toque de uma campaínha que nos vai anunciar que a noite é ainda jovem. Só temos que optar se queremos beber gin ou um copo de leite.

Eu cá fico pelo gin. Puro preferencialmente, mas melhor tónico para aconchegar o meu aparelho digestivo.