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2008/05/29

A Limpeza da Cache


Há precisamente 3 anos atrás atravessei a minha última fase de eliminação do meu disco rígido de uma série de ficheiros. Não me refiro só aos temporários, mas também a outros que foram definitivamente apagados. Não sendo tal movimento uma novidade para mim, foi mais um processo interno de substituição de equipamento cerebral para um processador mais rápido.

3 anos depois, parece que o ciclo se repete. Muito tem sido eliminado do meu hard-disk só que ultimamente a minha cache tem estado demasiado cheia e a probabilidade de voltar a aceder a ficheiros outrora muito usados, tende a ser baixa. Assim, o melhor é limpar a cache, eliminando os ficheiros temporários que inundam a minha memória estática. Se eu os precisar usar novamente, apesar do tempo de acesso ser mais longo, tenho onde os ir buscar.

Há coisas com as quais eu não consigo e nem quero competir porque prejudicam o meu avanço tecnológico-mental, embora já tenha aprendido a fotografar algumas funções de 3 variáveis não-integráveis analiticamente.


Muito está feito. Rewind para Fast Forward. Fast Forward.

2008/05/27

O Filho do Gato Patrão


Não vive do ar. Anda a saltitar por onde lhe apetece, mas sempre com algumas reservas. Procura salvar-se, saltando mais alto que as nuvens quer seja quando os cães o perseguem, quer seja quando é mais veloz que o pássaro que persegue. Aqui só chega à janela e para entrar precisa autorização.

Ainda vou ver este gato voar.

[photo by Rita Maria Josefina]

2008/04/17

Xeque ao Rei


Os corações das cidades recordam-me outros portos, nostálgicos, onde os tempos modernos ainda permitiam alguma harmonia. O porto, esse era e ainda é pequeno. Um cenário vivido intensamente onde se desenrolavam diálogos a dois cujas testemunhas eram as paredes com azulejos pintados de castanto claro, as plantas ora verdes ora amareladas pelo sol e as janelas que se escondiam por trás de uns cortinados também claros.

Portos intemporais, recatados, povoados pela calma transmitida pelas cores, pelas frutas na mesa presentes, pelos olhares de conforto que só sentimos em casa. Tudo acompanhado com um bom café que através da sua suave e espumante alegria líquida se derramava por estas palavras.

2008/01/05

O Incremento da Dimensão

Um dia, no futuro ou na eternidade, irei encontrar uma estrela ou um planeta onde possa sentir o que vivi há algum tempo atrás. Saltarei de anéis nebulosos para astros os quais esclarecerão os triunfos que não tive. Como uma sucessão matemática de números naturais, mas recorrente. Programam-se os sonhos e projectam-se os sentimentos como se o hálito da vida pudesse ser definido de forma dinâmica.

A minha amiga ontem apareceu novamente...
Não na minha janela.

Feliz fiquei eu porque, apesar de a desejar novamente na minha janela, ela fez com que outros se sentissem felizes. Assim concluo que o mundo não é só feito de variáveis discretas, mas também de variáveis reais. Como se vivesse em R(n+1).

2007/11/20

Ausência em Modo Côncavo


Confuso e ainda entre estações,
deixo que a sombra acenda a luz do quarto,
olhos abertos, quieto numa madrugada
nada parada
onde o mar que se ouvia
para a janela me guiaria
lá, onde se via que a água que escorria
desenhava inconscientemente
a silhueta de quem a luz do quarto
deixara trémula e indecifrável.

Chovia.
Muito. Finalmente as Nuvens comigo choraram.
Na incerteza do possível,
tal como os dragões seguem os barcos.

2007/09/26

O Triunfo da Gaivota



Hoje pela manhã recebi uma visita inesperada: a minha amiga de sempre voltou a visitar-me, só que desta vez consegui tirar-lhe uma fotografia. Como habitualmente, instalou-se no parapeito da janela e dali me observava. Movimentava-se de um lado para outro sem ignorar os meus olhos. Normalmente esta minha amiga aparece sempre em situações em que a minha mente está conscientemente a atravessar um túnel ou um desfiladeiro com alguma dificuldade.

Fiquei feliz ao cumprimentá-la. Trouxe-me satisfação, forçou-me um sorriso e passou-me a mensagem do triunfo, tal como sempre as gaivotas fazem.

Mais que isso, serviu-me para chegar ao outro lado do percurso, concluindo que até posso ser como o gato Zorbas que ensinou a gaivota Ditosa a voar, mas sem perfil para chocar o ovo do qual nasceu Ditosa.

Na realidade, tudo aquilo a que nos dignamos fazer, se tivermos mesmo vontade que elas aconteçam, seguramente o conseguimos.

[photo by Kraak/Peixinho @ Lisboa, 26 Set '07]

2007/06/12

Terra dos Cangurus


Dá-me a tua mão e embora saltar pela janela.

2007/05/02

Maio, Neves Mil?


Não acho isto normal, mas... vejo neve do lado de fora da minha janela.

2006/12/30

Ao fundo, como uma pedra


[continuação deste post]

Um dia vais sentar-te à minha beira e respirar todo o meu amor. Nesse dia ficarás a saber algumas das minhas memórias que vi e sonhei.

Perdi alguns amores e amigos, não só pelas ruas de São Paulo, mas também por outras cidades bem mais perto de nós. Por este motivo, poderia chorar, produzir quilómetros de rios com as minhas lágrimas, mas não... já não o faço. Já lá foi.

Pelo meio, fazia a minha mala, bagagem na mão, mochila às costas, andava outros tantos quilómetros e vivia a minha própria vida. Chorava. Ia ao fundo. Emergia. Chorava.


Numa praia um coração caiu novamente e, sem ir ao chão, já no meu colo a sua pele foi restituída, o seu passo acelerado e eu choro. Choro sempre que vou ao mar. Choro por tristeza. Choro por alegria. Já não me percebo. Não sei se preciso de um quiropata, não sei se preciso de um soldado que lute por mim nesta guerra, não sei se preciso de uma saída - uma janela ou uma porta -, não sei se preciso de um advogado que processe o mundo por mim, não sei se preciso de uma pessoa que não seja eu, porque de mim já estou cansado.

Na realidade eu não pertenço a este mundo. Vôo de um penhasco e atiro-me ao mar e deixo-me afundar como uma pedra. Lá fico. A
té que já não haja mais pele nos meus ossos.

Choro.
Continuo a chorar... e ainda vou chorar muito.

Para hoje, chega-nos a música do ano, o tema #1 (em audição), cujo título fala português: "São Paulo", dos Guillemots, álbum 'Through the Window Pane', por mim eleito como sendo o 2º melhor álbum de 2006. A música é grande, mas vale a pena ouvir até ao fim.

"sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
sometimes I could cry for miles
but I don't

sometimes I could cry ah sometimes
drop my bags and run for miles
and sometimes I could live my life
but I won't, but I won't

have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
have you ever been thrown across the water
till there's no skin left on your bones

thrown across water
thrown across water
thrown across water
like a stone"

2006/12/25

10000 linhas de sms's da treta


[continuação deste post]

Não é a primeira vez que esta música aparece neste blog. O seu título serviu-me para, 10 meses atrás, andar a divagar através deste
post. Hoje, quase 1 ano depois, ela volta a adaptar-se à Quadra Natalícia. Uma época um pouco cínica, especialmente quando estamos à janela das casas onde as pessoas, supostamente, estão alegres a confraternizar em família o Natal. Na realidade, estão a apanhar uma grande seca.

Mas, se hoje em dia, pintamos o futuro, desde os nossos quartos, com todo o progresso tecnológico que o mundo nos oferece, só queria deixar aqui expresso que acho esta ceninha dos sms's natalícios uma coisa mais que sintética e que permite encher os bolsos dos patrões das operadoras móveis. A questão é que os fios à solta pelo chão e os cabos existentes nas paredes das nossas casas permitem que saiamos limpos de tudo o que fizemos ao longo do ano e de uma forma cínica e indirecta mandamos mensagens de amor e fraternidade pelas antenas espalhadas pelos telhados das nossas casas, do tipo: "não quero falar contigo, por isso leva lá com o sms".

É fácil. A receita já está nos sites oficiais das operadoras móveis: é só escolher o modelo e fazer "send". Não é preciso dar a cara, quero dizer, dar a voz. Assim quem recebe as mensagens pode ver no que elas, as que enviaram, se tornaram: pouco sol, apenas algumas radiações.


A chatice é que elas têm o teu nome e o teu número de telefone. Tu é que já não tens os respectivos gravados no teu telemóvel. Eu deveria aprender a estar calado, mas nesta vida já aprendi algumas coisas, sobretudo em não ser um mero acessório de encenação teatral, como se estivesse a falar de papel de cenário.

Entre todas as mensagens que recebi, quase nenhuma delas original, quase nenhuma delas escrita pelo punho do remetente, quase nenhuma delas pensada e adaptada para quem se dirigia, a que leva o prémio da piroseira/bimbice é a que se segue (recebi a mesma mensagem duas vezes por dois remetentes diferentes):

"Um dia um sábio disse: 'A riqueza de um Homem mede-se pela quantidade de amigos...' Obrigado por fazeres parte da minha fortuna..." - ARGHH! - God damn it!

E aqui a mensagem mais original deste Natal: "Yo ho ho, bom Natal, mesmo que tal implique substituir a patanisca pelo bacalhau. Cya ;)"

Hoje chega-nos o tema #5: "Ten Thousand Lines" (em audição) dos Electric President, álbum 'S/t' (3º melhor álbum de 2006, na minha opinião).

"Thousands of wires spread through the halls
Thousands of eyes live in our walls.
And now they can see just what we've done (oh no)
Now they can see what we've become

No sun. Just radiation here. Get it by the lungful.
No time. No way to count the years.
Except by the creaking sounds in your bones"

2006/08/13

As Beatas no Cinzeiro Sabem a Mentol


Há tempos comprei um livro chamado "Is it just me or is everthing a shit?" o qual li praticamente metade quando regressava há 2 meses de Londres. O livro é curioso, não é que seja uma grande literatura, mas serviu para encarar algumas realidades (hilariantes) da sociedade britânica. Ultimamente tenho andado a pensar no livro... especialmente no seu título, porque acho que seria capaz de escrever 5 volumes sobre a sociedade lusa.

Na realidade estes dias que estive por casa serviu para concluir que ando um pouco farto de determinadas pessoas. Parece foleiro dizer isto, mas é que não há mesmo pachorrinha para a gentinha com que um gajo tem que cruzar todos os dias, senão vejamos:

- o movimento rodoviário em Lisboa e arredores, apesar de reduzido, tem estado uma perfeita LOUCURA! Nunca vi tal coisa. Conduzem como anormais e depois ocorrem acidentes desnecessários... desde uma gaja parada em pleno IC19 (faixa central) porque ficou nervosa com um furo e não sabia o que fazer e pumba! este levou com um carro pelas costas;
- este também parado ao sinal (vermelho) leva com um camião;
- as pessoas que andam na rua parece que andam a conduzir os bois e as mulas na terra;
- a minha vizinha interrompe o meu descanso duas vezes para me apresentar o neto com 5 meses. FUCK! Quero lá saber do seu neto!
- a pirosa do 3º andar deu-se ao trabalho de descer 3 andares e vir bater o tapete da sala... na varanda da vizinha do R/C (esta não deu conta);
- o puto gypsy que mora aqui ao pé teve o descaramento de me dizer que o cão não pode fazer cócó na rua a menos que eu limpasse "a merda que ele fazia" (HAHAHA!). Eu perguntei-lhe o que fazia eu de saco e toalhetes na mão... se seria para limpar a trampa que eles mandam da janela para a rua, desde fraldas, comida, vidros e pensos higiénicos;
- o insuportável do monga que mora ao pé do prédio dos meus pais tropeçou no Golfinho (cão dos daddys), quando este estava preso e de trela. O cota foi ao papel e disse que a culpa era do cão e que a minha mãe tinha que lhe pagar uma dentadura nova...;
- há uma imbecil que mora aqui ao pé que praticamente todos os dias a vejo chegar de carro à noite (normalmente estou na rua com o cão). A tipa é completamente DOIDA! Há dias até estive a observar de surra a quantidade de vezes que ela fecha e abre o carro, num vai e volta alucinante, para ver se está tudo OK com a sua latinha, tipo a confirmar se o carro está MESMO fechado;
- outra monga que mora aqui ao pé stressa bué porque não quer que eu passeie o cão ao pé dos gatos vadios que ELA alimenta. É ou não é para embirrar? Quando ela vê que o cão anda sempre preso e quando ela sabe que o cão já nada vê...;
- o brasuca ali do prédio de ladeiros andava ontem às 2 da manhã em cuecas a falar ao telemóvel à porta do prédio...;
- outros brasucas aqui do morro há dias traziam uma gigantesca extensão que partia do 3º andar do apartamento onde se escondem e que passava por dentro da amoreira e culminava no aspirador que tratava de limpar o carro;
- a coitada da mulher do administrador do prédio insiste em chamar o meu cão de "Black" quando há pelo menos 12 anos que ela sabe que o seu nome é "Brac". Não vale a pena...;
- ... e os blogs? Deve ser do verão... por favor! Não é à toa que cada vez que percorro a lista dos links, há sempre um que vai ao ar. ARGH!

Há mais uma data de coisas que eu nem me atrevo a citar... Isto tudo parece um cheiro a perfume de doninha... Se essa malta observasse o que lhes sai da boca e da mente, duvido que os seus olhos estariam acima disso.

Preciso férias e adaptar-me a esta vida moderna.

2006/05/23

Pobre Mundo Rural (e Urbano-Provinciano)


Aproxima-se o verão e chega com ele a chamada "silly season" nacional. Este ano antecipada para a primavera, devido ao Mundial '06, que ocorrerá na Alemanha.

Hoje Portugal jogou com a França no Europeu Sub-21 e levou na ripa, como seria de esperar. Para meu espanto e porque este país não tem emenda, ontem mesmo vislumbrei algumas bandeiras nacionais espalhadas por algumas janelas e por algumas varandas. Movimento este que só poderia ter saído da cabeça do burgesso do
seleccionador oficial ("seleccionador" sim, com dois "c" - é assim que se escreve) apoiado por milhares de idiotas lusos e de uma panóplia de brasileiros cá residentes os quais também expõem as suas bandeirinhas verdes e amarelas bem como auto-colantes pelos seus carros [acho esta malta curiosa: são os primeiros a dizerem mal do Brasil, fogem de lá, mas depois, a determinada altura, assalta-lhes um nacionalismo tão bacoco que até chega a fazer pena]. É como dizerem que acham Zézé di Camargo muito bom e não lhes passar nenhum crédito no país de origem.

Mas voltando à questão inicial e porque já me estou a afastar do pretendido, na sequência da antecipação da "silly season", temos uma notícia brilhante posta à público no passado sábado. Refiro-me à proibição de exibição pública dos jogos do Mundial '06, ditada pela SporTV. Por amor de todos os santos, mas quem é que aguenta estes chulos? Eu estou-me bem nas tintas para as exibições públicas dos jogos do Mundial, mas digam-me o que é preciso para acabar com estes gestores rascas, que se vestem de camisinha às riscas e gravata que nada tem que ver com o resto da indumentária, repletos de incompetência mental e que administram as nossas empresas, quer públicas quer semi-públicas.

Contudo também não é incentivando o povo (coitadinho) rural que nem sequer tem guita para comprar uma televisão quanto mais para assinar a SporTV. Quem afirma tal coisa, está completamente fora da realidade. Lembro-me quando apareceram as antenas parabólicas e outras cenas que tinham acesso codificado, era ir ao nosso mundo rural e ver a quantidade de lares que tinham tal aparelho para ver quer sejam os canais pornográficos quer seja o EuroSport.

Tudo isto é ridículo e tem sido o assunto dominante nos últimos dias. Andam a querer tapar os olhos de quem? Parece uma questão de vida ou morte.

2006/03/25

Esse Crak é Falso


Já é a segunda fotografia na tentativa de uma aproximação àquilo que está no meu mundo. Só que eu não me desdobro dessa forma... As minhas pisadas rodeiam-se por um ambiente informal, sem janelas com portadas em casquinhas, sem rocócós do passado mas sem substituir o chão original da cozinha por uma tijoleira pirosa. A minha estrutura original não é posta assim a descoberto. Continua a faltar um 'A' e há uma letra trocada.

2006/03/08

Pode ser Linear?

Cores e luzes dominantes numa noite sombria e nebulosa. Ser generoso não é sinal de conforto, mas mais frequente que o nosso quotidiano, isso pode estar na base de uma imagem feliz. Melhor ainda é ser precioso.

Encontrar soluções pode ser algo estimulante, sobretudo quando a nossa função objectivo pretende maximizar o espaço útil da nossa mente. Pode não ser fácil. As restrições podem ser muitas: desigualdades e igualdades à mistura.

Podem ser compostas por linhas simples, inequações que intersectadas restringem o plano das soluções, médias móveis versáteis, janelas temporais auxiliadas por um projecto, escadas que sobem como uma função de distribuição discreta, cores que assinalam os extremos de um poliedro convexo e uma boa dose de sensibilidade a combinar inteligência e sentido prático.

As soluções não têm que ser óptimas. Precisamos é de pistas para encontrar uma boa solução dentro desse conjunto e próxima da óptima. Eficaz para as nossas estratégias e onde seja possível o nosso reconhecimento. Respeitando a identidade dos espaços. Relaxando as restrições. Sem complexos e sem números complexos.

2006/02/26

O Número 40


O que pode significar o número 40?

Tantas coisas no nosso imaginário... Uma idade para não se acreditar no Pai Natal, metade da vida (?), 4+0, ter uma crise e mandar tudo à merda, 10 X 4, Quarenta quê?, símbolo de morte e exílio, quarenta ladrões, quarenta dias e quarenta noites, 160/4, 40 dias antes de Noé abrir a janela da arca, foi visto 40 dias após a sua ressurreição, 40 átomos numa molécula de penicilina, ...


Será verdade que ninguém ama uma fada quando ela tem 40 anos? Que tal sair desta quarentena e imaginar que segundo a Bíblia, o que se segue após a punição e o exílio é a harmonia?

Fuck 40!

2006/01/29

A neve à minha janela


Volto para casa sem viver o sonho dos outros. Foi maravilhoso viver o teu abraço, o teu beijo e o teu sorriso. Não foi preciso nenhuma palavra. Apenas os sons das músicas que só nós ouvimos e que tu mais uma vez cantaste devagarinho aos meus ouvidos.

A vida é feita de vários momentos. Como a neve vista da minha janela.

2005/11/25

A Gaivota

que logo a seguir ao almoço veio aterrar numa janela ao lado da minha, num 7º andar de um prédio sito numa das mais movimentadas avenidas da capital, bicava insistentemente no vidro com vontade de entrar. Depois andava de um lado para outro a perseguir-me e a olhar-me. O que quereria ela? Alguma suspeita de tormentas no mar? Ela espreitava-me do parapeito e através do vidro sem medo de cair. Teria fome? É que eu sou um peixinho :)
    [ photo uploaded from http://fotos.sapo.pt/kastilho ]

    2005/10/24

    Candeeiro

    Apago as luzes dos cantos da casa e chego
    atrasado ao último espaço doméstico ainda aceso.
    Curiosamente és tu quem faz o clique no candeeiro.

    Mas antes,
    com os meus olhos ainda abertos,
    vejo mais um novo pormenor em ti,
    como se a luz do teu sol fortalecesse os meus ossos.

    E com os meus olhos semi-abertos,
    falas com os meus sonhos,
    observo o som da tua sombra
    que canta numa varanda sonolenta à minha janela.
    Durante este tempo aspiro nos teus lábios
    uma deliciosa fragrância de estrelas.

    Fecho os olhos.
    De manhã cedo, dormes e não há luz no candeeiro.

    2005/09/13

    Túnel


    [photo @ Giba, Sardenha (I), 2005.09.09]

    ...e se a neve por algum motivo te escondesse de mim, eu escavaria um túnel da minha janela à tua, sim, um túnel desta praia à tua baía.
    Tu treparias pelo mastro do barco acima e encontrar-me-ias no meio, no meio de uma cidade.
    E desde que não houvesse ninguém por perto, esqueceríamos tudo o que supostamente conhecíamos, e então a nossa pele tornar-se-ia mais espessa para vivermos fora, na neve.
    Tu mudas tudo quando dormes na minha cabeça, assim como quando o dia cresce sombrio e eu oiço-te a cantar um hino doirado.
    Então tentámos dar nomes diferentes a nós próprios, mas esquecemos todos os nomes que, todos os nomes que supostamente conhecíamos.
    Porém às vezes, lembramo-nos dos nossos quartos, e dos quartos dos nossos pais, e dos quartos dos nossos amigos.
    Então pensamos nos nossos pais, bem o que lhes terá acontecido?
    Purifica as cores, purifica a minha mente.
    Purifica as cores, purifica a minha mente, e espalha as cinzas das cores sobre este meu coração!

    [Adaptação livre de "Neighborhood #1 (Tunnels)" by Arcade Fire, do álbum 'Funeral']

    :: Neighborhood #1 (Tunnels) [ para ouvir aí ao lado :) ]

    2005/08/24

    In the Clutch

    Quando ocorrem coisas que não estás à espera e se as mesmas forem positivas, parece que tudo se transforma nas nossas caras e um sorriso, mesmo que discreto, pode representar muito de nós.
      Propositadamente as músicas do meu inseparável leitor mp3 passam em modo shuffle e é sempre curioso tentar adivinhar qual será a música seguinte. É surpreendente a minha reacção às músicas: "Esta gosto muito. Boa!"; "Esta gosto menos. :"; "Esta? Porra!" [Kraakinho a pensar]. E é formidável porque, a caminho do Metro, ia a ouvir "Do You Realize?" (em audição no Rádio.Blog) dos The Flaming Lips e eis que quando chego à plataforma, "Glamorous Indie Rock 'N' Roll" dos The Killers (também em audição no Rádio.Blog) foi a next song. Formidável.

      [Kraakinho a pensar] - Ena Ena! :) :D

      Dois comboios que se cruzam novamente os quais vistos de longe pareciam sobrepor-se um ao outro. Como se cada um avistasse um túnel reversível.

      Depois de almoçar stand-alone acompanhado de muita gente, é bom entrar no Metro, e através dos seus tuneis escuros, imaginar durante alguns minutos como está o céu exterior, através da perspectiva da janela interior de um caminho subterrâneo. Se tivesse tido tempo queria ter tido o prazer de ir até ao Campo Grande, para sobrevoar a rampa entre a Cidade Universitária e essa estação, com o C8 de lado e por uma mão invisível ajudado.

      Quero ter o pé esquerdo na embraiagem só para alternar as mudanças. Quero pôr a 1ª e depois a 2ª e de seguida a 3ª continuando com a 4ª, reduzindo de 4ª para 2ª, passando pela 3ª, para depois recuperar aceleração para pôr novamente a 3ª, e depois a 4ª e finalmente a 5ª (naum tenho 6ª, LOL) e andar, andar, andar, …
        E Elkland? "I Need You Tonite"? Não aparece no leitor? :S Vou fazer batota.
        D-I-S-C-O!