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2008/06/12

Little Words on a Mobile Phone

Há vozes que brotam da água e crescem com a corrente. Pelas margens não é o sol que fecunda a terra nem as gotas d'água que caem do céu. Nem a pureza fina do sangue. Nem as cores do arco-íris fundidas numa única.

São apenas as vozes que estão autorizadas a tal: as que conseguem voar por cima das nuvens. :)

2008/04/17

Xeque ao Rei


Os corações das cidades recordam-me outros portos, nostálgicos, onde os tempos modernos ainda permitiam alguma harmonia. O porto, esse era e ainda é pequeno. Um cenário vivido intensamente onde se desenrolavam diálogos a dois cujas testemunhas eram as paredes com azulejos pintados de castanto claro, as plantas ora verdes ora amareladas pelo sol e as janelas que se escondiam por trás de uns cortinados também claros.

Portos intemporais, recatados, povoados pela calma transmitida pelas cores, pelas frutas na mesa presentes, pelos olhares de conforto que só sentimos em casa. Tudo acompanhado com um bom café que através da sua suave e espumante alegria líquida se derramava por estas palavras.

2008/02/16

O Alívio do Vento


Qual será a sensação do vento quando após meses, meses e meses de passagem e paragem numa determinada estação, ele continuar a passar nessa estação, mas sem parar?

Há dias não sabia fotografar o nevoeiro. Hoje confesso que também não sei fotografar o vento.

2007/12/07

Hey, We Should Crash the Party on New Years Eve


À semelhança desta publicidade parva, um dia partirei os viadutos que unem os dois lados da montanha, um dia explodirei as pontes que unem as duas margens de um rio, um dia acabarei com os laços que me ligam, os quais permitem que o meu corpo humano continue vivo.

Mas... para quê partir coisas se a hora da partida foi adiantada? Rompeu-se com o partido e o atrevimento ficou incompleto. De perdidos passamos a tristes. De tristes a sozinhos. Se fui alguma coisa nesta vida, hoje nada sou. Raios me partam!

Hoje chega o tema #25, uma grande música de 2007: "Lost to the Lonesome" dos Pela, extraído do álbum, 'Anytown Graffiti', uma das boas revelações de 2007. Mais informações sobre os Pela podem ser lidas aqui.

"hey, we should crash the party on christmas eve
hey, we should write our name on every wall we see
hey, we should break our wallets at every bar
hey, we could break the bed without broken hearts
la la la la
and we could leave the lonely and lost
to their lonesome hearts
don’t just stand there with your face in your hands
don’t just stand there
clean up your broken glass!
"

2006/08/30

Plutão


A minha cidade (já) não dorme com a noite e as estrelas vistas cá de baixo têm um brilho diferente, uma outra luz, uma cor diferente. Dormir, comer, ter visões, após dias na escuridão.

Flui luz!

Se eu tentasse descolar com a ajuda dos pirilampos que voam à volta e iluminam os corredores aéreos, seguramente caíria e o crash seria fatal, quer por falta de rede, mesmo que esta fosse móvel, quer por não ter formação circense.

Descobri há dias que Plutão perdeu o estatuto de planeta, mas no meu sistema solar, ainda existe. Até encontrar um abrigo.


Vou ao mar arrefecer os meus pés.
Muito tarde para me salvar e sarar as minhas feridas.

2006/05/11

Despenhamento ou Naufrágio?


O meu maior mistério é o meu desejo de parar, estar de pé, fixar-te o meu olhar, mordiscar o teu ouvido e cheirar o meu oceano no teu cabelo. As dores que tenho e que me deixam numa teia cheia de nós diluem-se quando surges. Vejo o frio de Plutão com os meus olhos azuis de Neptuno, esquecidos.

Sinto-me com vida quando os alarmes intermitentes e os tinónis das sirenes, também intermitentes, se apagam na minha mente e nesta altura o que mais queria era agarrar-te e simplesmente... beijar-te..., desprovidos de qualquer sentido de cobrança. Anda! Senta-te aqui à minha beira.

A magia negra arrastou-me para os subúrbios longínquos de onde, por acaso, me libertaste de um passado que já estava fora de mim. Todos esses dias feios que me deixaram assim tão enjoado são apenas fósseis. Conheces o truque da elevação?

[ Adaptação livre de "The Party's Crashing Us", by Of Montreal
, (em audição nesta data) ]

2006/05/05

Shhh


Toca o despertador finlandês, aquele que persegue as minhas horas de sono (cabrão!). Por falar neste adjectivo, eu que sonhava com o Bush (argh!) num espectáculo cheio de cores sonoras pelos lados de Miami, com polvos a viajarem nos tejadilhos dos submarinos, tive que pedir (sobressaltado) ao Sr. Despertador que me desse só mais 15 minutos. Só mais 15!

- Estás doido? Perguntou o sacana do bimbo do despertador.
- Xiu! Cala-te e não faças mais barulho. Quero apenas mais 15 minutos de sono e 60 minutos de sonho onde o meu corpo possa continuar aquecido.

Mantive a minha cabeça baixa, colada à almofada, tapada pela tua cara, absorvida pelos teus beijos, premiada com o teu sorriso, este sim cheio de verdadeiras cores sonoras, até ser novamente interrompido.

- Hey man? (A intimidade do Sr. Despertador para comigo...) Levanta-te! 15 minutos já foram!
- GRRR!

Banho tomado, vestido, atrasado, cão asseado e o pequeno-almoço em Neptuno tomado. Um chocolate quente em Plutão?

2005/12/29

O Cotovelo


(continuação deste post)

Ao ouvir esta canção pela primeira vez no passado mês de Setembro, tive o seguinte pensamento: "Mas que bela forma de se começar uma música". Um brilhante impacto nos meus ouvidos. Assim como uma formidável colisão nos meus olhos quando Plutão e Neptuno estiveram frente a frente. Parecem coisas feitas por génios ou por deuses. E não consigo parar de ouvir esta canção, passados 4 meses. Esqueço-me de mim, a cidade perdoa-me, escapo-me da morte. Oiço-te. Como sempre.

Proponho a candidatura de Guy Garvey (vocalista da banda) para Presidente da República.

Hoje chega a #3 (em audição): Forget Myself, dos Elbow.


"Are you watching them pair off and drinking them long
Are you falling in love...
Are you falling in love...
Are you falling in love every second song
No, I know I won't forget you
But I'll forget myself, if the city will forgive me
"

(continua)

Kraakinho já escreveu sobre os Elbow aqui.

2005/08/24

Em Breique

Onde estava eu na noite de 1 de Julho de 2005?

    Quem souber de alguma pista, por favor informem-me porque a memória deste Peixe anda tapada pelas escamas da sua pele e pelas moléculas vindas de Plutão.
      [LOL]

      2005/07/30

      Crecían En Mi Como Escorpiones

      "El baño me sentó como un bálsamo, tanto que después de sentarme sobre la cama - una colcha terriblemente hortera, de dorados sobre púrpura, falso remendo de lujos asiáticos y referencia imprecisa a los fumaderos de opio tantas veces soñados - debí quedarme dormido inmediatamente, pues no recuerdo absolutamente nada hasta que me despertó el teléfono."

      by Xavier Queipo in "El Trópico"
      (Deixem-me compartilhar estes momentos cambojanos convosco)

      2005/06/20

      Não Passas de Mais um Nome



      Eras como um farol de encaminhamento dos barcos, onde alguns se chocaram contra as falésias da tua guarda. Tu guiaste o meu barco ao teu encontro. Tinhas tanta luz nessa casa, de várias cores, e esses momentos não nos foram eternos. Passaste a ter uma luz artificial enquanto a minha era mesmo natural. Eu, um navegador com bússola mas também com conhecimentos práticos dos sistemas temporais.

      Eras igualmente como um jardim, também cheio de cores, como as luzes do teu farol. E que buscavas tu em mim? Estarias à procura de um jardim perdido? Nada se perdeu em mim. Eras como algumas flores suplicantes por carinho e atenção. Um grito de desespero. Daqui muito veio. Daí muito deixou de vir. Como me doem os instantes intensos por mim vividos. Na (in)certeza de que tudo se eternizasse, não passaste de ser apenas mais um nome. Era altura de levantar a âncora e zarpar. Para alto mar, onde não há farois. Nem jardins.


      Dedico-te isto (Just Another Name, by Lifehouse, in "Stanley Climbfall", 2002). Toda a gente sabe o teu nome, mas ninguém sabe quem tu és. E vou dedicar-te sempre posts todas as vezes que apareceres. Como os reflexos de Plutão sobre Neptuno.

      2005/06/05

      Uma Paixaum >+++'>



      Adoro-te mulher que danças ao sabor dos teus segredos junto aos arvoredos. Esquece os céus atormentados. Tu já aí estás e poderás dizer-nos como são os raios da Lua a incidir tanto na Terra como no longínquo Plutão. Influenciado por Neptuno, naturalmente.

      2005/05/10

      Terra, Marte, Neptuno e Plutão

      Hoje, durante o almoço, tive uma alucinação.
      ...

      O reflexo de Marte atingiu-me por baixo dos meus pés.
      Se Plutão não estivesse tão longe, diria que o reflexo viria daí.

      Tão longe do Sol e tão longe da Terra.
      Plutão é mesmo um planeta ou um satélite de Neptuno?

      ;=)