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2005/08/16

Toma lá + 1

"Como no verso antigo, sou feliz
por 'esta sorte imensa, conhecer-te'
e já me tarda a luz onde procuro
outro mais puro modo de dizer-te.
Aos poucos vou fazendo maus poemas
com a rima calada dos sentidos,
até me descobrir a toda a gente
como um vulgar espelho transparente.
Já me esquecia, por uma qualquer
dor distraída que no corpo tinha,
de desenhar a melodia; mas
quando penso em ti penso sou seguro e claro;
gira a terra sem melancolia,
aceito tudo como o tempo o quis."

[by Alexandre, António Franco in "Duende"]

2005/08/15

Teoria do Duende

"Mesmo se nalgum dia acontecer
nalgum vulgar encontro, ver-me morto,
decerto saberei como nascer
de novo, ser planta e animal
e breve sopro, às vezes, no teu rosto.
Pelo caminho cego da floresta
virei ao pátio, à fonte debruçada,
ao modesto esplendor da jovem faia;
e terei, para dar-te, o riso claro
da vida que não cessa de perder-se.
Pousado o coração dentro do peito,
feito artista da cor, puro fantasma,
na ardósia a giz desenharei um nome
como quem traça um círculo perfeito."
    [by Alexandre, António Franco in "Duende"]