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2009/06/12

Vieste à Tona

Provavelmente ser maquinista não seria o que de melhor me aconteceria na vida, a não ser que fosse uma realização pessoal para concretizar um sonho de infância. Seria por já me sentir algo forasteiro nessa altura? Como se eu pudesse encontrar uma forma constante de emigrar dentro do limite das minhas fronteiras?



Video Credits: WeHaveBand @ youtube.com

You Came Out, pelos We Have Band
:-:-: We Have Band, via Kraak FM <'+++<

2008/11/29

Um Bilhete para a Imortalidade, SFF


Estar em casa doente faz-me, nos tempos em que estou deitado e cheio de mantas por cima, pensar que há certas leis que determinam o comportamento das pessoas. Entre sonos, pensamentos, bocejos e programas idiotas de televisão, encontro-me num rio de rápidos, caudal mais grosso devido às chuvas, a tentar atravessar para a outra margem. Já perto da margem oposta, vejo 5 grandes cães pretos que tentavam fazer o mesmo que eu para se salvarem. Perco o equilíbrio e uma rocha permite-me que eu a agarre. É quando vejo um cachorro, também preto, submerso a olhar para mim.

Afogado, com o braço esquerdo retiro-o da água. Com o braço direito, protejo-nos. Avisto a outra margem e os cães olham para mim como nuvens de côr rosada. Já com algum equilíbrio, as cores do cachorro começavam a ficar mais intensas o que me permitiu chegar à outra margem, como se estivesse a mudar de pele.

Os cães, num estranho sentimento de cordialidade para comigo, cercaram-me enquanto um deles tratava do cachorro que expelia água. Aliviado, os cães protegiam-me. Foi quando apareceste vindo do nada, de forma algo rebelde, algo sisuda. Algo intratável, algo sorridente.

Só me pergunto porque é que os cães se afastaram, foda-se.

Para ouvir:
Pink Cloud Tracing Paper, pelos Asobi Seksu
:-:-: Asobi Seksu, via Kraak FM <'+++<

2008/03/26

O Sonho em Desalinho


[deixado no blog Palavras em Desalinho]

Eu gostaria de voltar a ter o poder de caminhar pela montanha mágica onde outrora me perdi, perto das nuvens, onde tracei vários poemas que se rasgaram na terra onde enterraram o sonho da alma do meu amor.

Sorte de quem arquivou as folhas caídas das árvores, com ou sem perguntas sobre os sentidos que povoavam a imaginação, com ou sem as raízes de uma nudez que não me cabe.


(Um dia também irei aprender a fotografar o sonho)

2008/03/14

Fazer a Barba do Corpo

Não tenho perguntas. Tenho respostas.
Tenho sonhos. Não tenho pesadelos.

À medida que desperto, o relógio insiste em avançar. Manda-me alertas. Como se a minha cama estivesse em fogo, levanto-me com um encontro marcado com a manhã.

Lavo o rosto da matéria que habitou a noite. Atravesso a banheira como se precisasse limpar os versos embebidos na minha pele. O sabonete arde. O shampoo queima. A água ferve.

Como se tivesse feito a barba ao meu corpo. De forma cadenciada.

2008/01/30

O Vôo TP290108: Rio de Janeiro/Lisboa, via Marte

Num aeroporto desconhecido encontro-me entre o autocarro de serviço e as escadas que dão acesso ao avião para embarcar num vôo da TAP. Uma senhora brasileira aproxima-se e diz:

- Mi disculpe, mas eu não falarr English, 'cê poderia tjirar uma foto dji mim apanhando a terra?
- A terra? Mas qual terra?, perguntava eu enquanto ao mesmo tempo imaginava a senhora a rebolar-se nas placas de cimento da zona onde o avião estava estacionado, enquanto eu lhe tirava a fotografia.
- Aquela ali! A Terra!, respondeu a senhora apontando para o horizonte do céu o qual estava a um nível inferior ao nosso.

Olho para esse horizonte e vejo a Terra e a Lua ao longe, vejo um ponto que assinalava Vénus e muitas e muitas estrelas.

Foi lindo.

2007/03/14

Fortuna, lucros e uma viagem inesperada


Ontem sonhei com cócó (estranho dizer "cócó"... sonhei mesmo com "merda da grossa"!). O mais estranho foi, ao levantar-me, ir até à cozinha e encontrar uma grande poia do Brac por lá. Intrigado com o sucedido, fui tentar saber, via web, o "significado" de tal acontecimento.

Segundo o tal site (brasileiro) dos sonhos, "sonho em que aparecem fezes é sempre indício de fortuna (LOL), lucros (onde?), sempre presságio de sorte ligado a ganhos materiais. Se, em sonho, você viu ou tocou em fezes, saiba que é hora de arriscar e investir seu capital (só se for para aqueles que o têm). (...) Se, em sonho, você estava sujo de fezes ou se viu alguém sujo de fezes, é presságio de que ganhos inesperados (hahaha) permitirão você fazer a viagem dos seus sonhos".

Eu logo vi que muito dinheiro e merda também estavam relacionados. Será que é este ano que vou andar de comboio na Nova Zelândia?

2006/08/11

Polvo vs Kraak


As fotografias que nos tiram podem ter sempre um toque mais ou menos aquecido... mas após o estalar dos dedos, parece que nos sentimos um pouco como as nossas chaves de casa. Milhares de vezes tocadas, centenas de vezes caídas ao chão, dezenas de vezes presas à porta, algumas vezes a furar os bolsos das calças.

Estando por vezes destinado à minha própria sorte, sou com certeza muito menos do que aquilo que qualquer pessoa poderia perder. Por isso, o melhor a fazer é cozer-me, barrar-me com manteiga, temperar-me (sal, ervas e vinhaça - pimenta já tenho muita -), e transformar-me em meia dúzia de pastéis fritos.

Tudo isto porque hoje sonhei que me tinham oferecido um saco plástico transparente cheio de polvos.


Dá-me aí uma pílula de açúcar, sff. Sem tentáculos.

2006/06/25

Rápido nº 5


Durmo nos teus sonhos após uma tão longa viagem nocturna, pelas pradarias e lagos, como se os burros e os peixes viessem bater à minha porta.

Acalma-te que já aí vou quer seja num fim de semana ou numa noite de um fim de semana. Num Zephyr rápido.

Acordam-me de repente: - "Where are you going?", - "Omaha, I guess.", respondo.

2006/01/05

A Mulher de Azul

Ela persegue-me. Espia-me. Controla-me.



    Nas noites escuras de inverno, cospe cubos na minha direcção, faz com que ovni's brotem das dunas de uma praia, dança como a vocalista dos Raveonettes, fecha-me dentro de uma gaveta, quer governar o meu princípio de noite, provoca tremores no meu corpo.
      É hora de partir?

      2005/04/25

      Fluxos



      Observa esta manhã soalheira como se o sangue escorresse do céu.

      Olha para as pessoas a correrem loucas de um lado para outro... terão elas muitos jogos para jogar?
      Neste avião, a sobrevoar a cidade, repara no sonho azul e suburbano dos jogadores... Milhões de carros, milhões de comboios, tudo a fluir, tudo a renascer, o dia desaparece no meio da noite e volta a iniciar-se mais tarde.

      Nada perdido; nada ganho.


      Queria ser uma estrela a brilhar no céu, como as luzes de uma cidade à noite. Dormir por aí e sonhar um sonho. O sonho da abertura, da liberdade, do beijo dos amantes.

      (dedicado à Humanidade, by Kraak/Peixinho 1999, Viagens de Comboio pelo Mar, 1965-XXXX)
      [inspirado na música "Everything Will Flow" (by Suede) e escrito em Outubro '99 em Frankfurt (DE)]