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2008/07/09

Retro


Sempre ouvi dizer que o Diabo fala muito bem todas as línguas, em particular, o Latim. Portanto, dizer "vade retro" em situações de emergência, não ajuda muito. Parece-me. O melhor nestas circunstâncias é telefonar para a Inquisição e dar a morada daqueles que nem a alma o próprio Diabo quererá.

2008/03/24

A Peixona Servida ao Jantar


Eu não estou a dormir, embora a noite já vá há algum tempo. Enquanto os gatos antes enroscados com o frio hoje se lavam, nem eles sabem que há raposas que fitam cada um dos seus gestos e que acompanham cada um dos pneus do meu carro que entretanto se furam.

Só que os gatos mais velhos, por serem mais velhos e por já terem mudado muitos pneus, ladram como os cães e sabem farejar de forma sábia como alcançar a sua subsistência.

De facto, neste momento a importância dos acontecimentos são algo relativas e as futilidades patrocinadas pela insanidade descrita num qualquer manual DIY através de uma receita descrita na página #72 não interessam, embora moam. É nessa picadora 123 que o gato mais velho te vai jantar.

Só um bocado de sangue já não me excita.

2008/03/12

O Tacto do Espírito


A minha visão, apesar de periférica durante algum tempo considerável, muito recentemente expressou a minha concordância com Fernando Pessoa: ela é "o tacto do espírito".

Como estamos no princípio da primavera, fica o recado para quem melhor a carapuça se encaixar: vai colher narcisos para remediar a propagação do teu mal, pois a contemplação da tua própria imagem já anunciava um prenúncio de má sorte.

2008/03/10

Fotografar a Dor de Cabeça


Influenciado ou não pela noite de sábado para domingo, ontem e hoje passei o dia a pensar nesta música. Este diabo não me saía da cabeça. Que saudades!

Na realidade, eu hoje queria escrever outro post. Mas acho que ainda não me sinto preparado para tal, porque na realidade não sei como o vou escrever.


Olha, até lá, vou tentar fotografar a dor de cabeça. Alguma sugestão? Eu desde já, deixo a sugestão para recordar "Headache" de Frank Black, do álbum 'Teenage of the Year', de 1994. Uma delícia, era pós-Pixies! :)






2008/03/02

As Perguntas Parvas

Se daria a minha vida por alguém?
Sim, pelos meus pais. Foram eles que me deram a vida e foram eles que deram a vida por mim.

2008/01/01

A Racha na Minha Cabeça



fixa-se na posição "on" quando hoje acordo às 14h45 e reparo que é dia 1 Jan '08 porque tenho o telemóvel cheio de mensagens de malta desconhecida a desejar-me um bom ano.

Apesar de ainda não ter respondido, agradeço imenso a vossa radiação.

2007/10/19

Alguma Inteligentzia Lusa



Não há pachorra para alguma inteligentzia nacional que após a Cimeira de Lisboa (nomeadamente no que se refere à aprovação do Tratado de Lisboa), que por um lado criticam a posição de países como a Polónia e a Itália, mas depois agem com o mesmo umbiguismo nacional desses países. Não há mesmo paciência. Reduzirem a Presidência Portuguesa da UE a um mero Tratado de Lisboa, afirmando que o importante era ter o nome "Lisboa" no dito Tratado, ignorando todo o restante à volta, é a demonstração que o barco onde navegavam afundou e não deram conta.

É tão fácil criticar quando estás de fora, não? Mais vale parecer que sabem? Há alturas que as pessoas deveriam ter o bom senso em não abrirem a boca.

2007/07/23

As Funções da Tromba


Acho que consigo estabelecer a relação entre o poder da tromba de um elefante e o poder do descaramento de algumas pessoas. Assim como a tromba é capaz de agarrar uma mera folha caída ao chão, também a mesma pode ser usada para movimentos mais fortes, como partir o galho de uma árvore.

Só que muitas vezes, a lata utilizada por alguma gente boa da nossa praça resulta em disfunções bacocas e embaraçosas para essa mesma gente. Para estes aviso que os elefantes também usam a tromba como tubo de respiração.

Eu não tenho tromba, mas acho que também não preciso de uma pois ainda acredito no meu radar que detecta e separa rapidamente o trigo do joio (esta expressão é um bocado cliché). A minha cara trombuda é perfeita para atirar ao ar os que não interessam.

[photo by Kraak/Peixinho @ Antuérpia, BE, 10 Jul '07]

2007/03/27

A Degradação


Há pessoas que estão aclimatadas ao poder e por isso conhecem bem todos os clientes que ali demandam. Não sei como conseguem viver num sucessivo bem e mal estar. Devemos ter pena? Penso que neste caso, sim. Pena porque perderam o encanto e hoje mergulham no medo. Encontram-se com o desespero e não sabem como se desembaraçam dos delinquentes.

Caminharão sobre pregos? Sim, e eu sou um delinquente.

2007/03/01

Café com parvos

Se pensasses em tomar um café com gente parva, qual seria a primeira figura que te vinha à mente (para além de mim, claro)? Eu acho que convidaria a Floribella (não sei o nome da dama).

2007/01/08

Vi-te mas não te vi


Vi-te algumas vezes, não muitas, mas as suficientes para perceber um pouco da inutilidade de algumas pessoas que nos são apresentadas. Beijinho para lá e para cá, após apresentação. Uma vez mais, beijinho para cá e para lá. Vá lá, houve mais uma vez: beijinho para lá e cá. Há pouco tempo, fingiste que não me viste. Passaste nas minhas barbas pelo menos umas 4 vezes.

Para onde irias? Para o Nada.

Ao princípio ainda pensei em dizer "olá", mas felizmente arrependi-me de imediato em tal pensamento.

De onde virias? Talvez de um Azul muito Escuro, embora o teu sorriso fosse forçado, comprometida que parecias estar.

Não sei porquê, vi-te, mas na realidade não te vi.

Gosto das pessoas que passam por nós e fingem ignorar-nos, sem nenhum motivo aparente.

2006/12/25

10000 linhas de sms's da treta


[continuação deste post]

Não é a primeira vez que esta música aparece neste blog. O seu título serviu-me para, 10 meses atrás, andar a divagar através deste
post. Hoje, quase 1 ano depois, ela volta a adaptar-se à Quadra Natalícia. Uma época um pouco cínica, especialmente quando estamos à janela das casas onde as pessoas, supostamente, estão alegres a confraternizar em família o Natal. Na realidade, estão a apanhar uma grande seca.

Mas, se hoje em dia, pintamos o futuro, desde os nossos quartos, com todo o progresso tecnológico que o mundo nos oferece, só queria deixar aqui expresso que acho esta ceninha dos sms's natalícios uma coisa mais que sintética e que permite encher os bolsos dos patrões das operadoras móveis. A questão é que os fios à solta pelo chão e os cabos existentes nas paredes das nossas casas permitem que saiamos limpos de tudo o que fizemos ao longo do ano e de uma forma cínica e indirecta mandamos mensagens de amor e fraternidade pelas antenas espalhadas pelos telhados das nossas casas, do tipo: "não quero falar contigo, por isso leva lá com o sms".

É fácil. A receita já está nos sites oficiais das operadoras móveis: é só escolher o modelo e fazer "send". Não é preciso dar a cara, quero dizer, dar a voz. Assim quem recebe as mensagens pode ver no que elas, as que enviaram, se tornaram: pouco sol, apenas algumas radiações.


A chatice é que elas têm o teu nome e o teu número de telefone. Tu é que já não tens os respectivos gravados no teu telemóvel. Eu deveria aprender a estar calado, mas nesta vida já aprendi algumas coisas, sobretudo em não ser um mero acessório de encenação teatral, como se estivesse a falar de papel de cenário.

Entre todas as mensagens que recebi, quase nenhuma delas original, quase nenhuma delas escrita pelo punho do remetente, quase nenhuma delas pensada e adaptada para quem se dirigia, a que leva o prémio da piroseira/bimbice é a que se segue (recebi a mesma mensagem duas vezes por dois remetentes diferentes):

"Um dia um sábio disse: 'A riqueza de um Homem mede-se pela quantidade de amigos...' Obrigado por fazeres parte da minha fortuna..." - ARGHH! - God damn it!

E aqui a mensagem mais original deste Natal: "Yo ho ho, bom Natal, mesmo que tal implique substituir a patanisca pelo bacalhau. Cya ;)"

Hoje chega-nos o tema #5: "Ten Thousand Lines" (em audição) dos Electric President, álbum 'S/t' (3º melhor álbum de 2006, na minha opinião).

"Thousands of wires spread through the halls
Thousands of eyes live in our walls.
And now they can see just what we've done (oh no)
Now they can see what we've become

No sun. Just radiation here. Get it by the lungful.
No time. No way to count the years.
Except by the creaking sounds in your bones"

2006/11/16

Desabafa Comigo: Hoje, Os Porcos


Kraak, diz-me uma cena: Quando é que vais parar de nos oferecer pérolas? Sabes, é que não estamos habituados a isso, pá! Controla-te!

2006/10/05

Sociedade utópica


As pessoas têm pensamentos horríveis, eu incluído na lista. A questão é que na maior parte das vezes, esse lado mais escuro não é delas próprias mas de outras pessoas. Não sei se isto não será uma forma negativa de ser e até acredito que algumas pensem: "Não, eu agora tenho que ser mais decente com as pessoas", o que pode parecer um pouco patético.

O mais curioso é quando as pessoas pensam e dizem coisas "horríveis" e julgam estar a ser agradáveis. Mas que seca! Esta gente já cheira mal. Provincianas. "Baza daqui e vai ser simpática com outro gajo qualquer."

Ontem disseram-me que eu parecia um garoto (fiquei bastante satisfeito) e que não podia ser (fiquei bastante furioso). É preciso aparentar a idade que tenho. A cabra, por outro lado, aparenta ter mais 10 anos que a verdadeira idade que tem registado no BI.


Por estas e por outras que curto a madrasta e as meias-irmãs da Cinderela, a bruxa que quer envenenar a Branca de Neve, o lobo mau que se disfarça de avózinha do Capuchinho Vermelho, o Coiote e o Tom.

2006/04/27

25 Abril, #2


É quando um anormal que vive numa ilha e que graças a '74, senta o rabo numa cadeira e comanda o seu gado, recebe subsídios inexplicáveis que no Continente não existem e depois toda essa manada subserviente e necessitada convergir em festa para os comícios com as bandeirinhas cor de laranja. Vai a manada e os que não têm nada que ver com o tema, mas que têm que ir. Ai deles se não aparecem e não levam os miúdos das escolas! Uiii! Vão todos ver o James Blunt de mãos dadas com a Mónica Sintra, o Toni Carreira a bailar ao som do Zéze di Camargo e afins... O que mais me admira é que ninguém põe mão nessa corja insular.

2006/04/15

Pesadelo Desnecessário


Sem saber bem o motivo, dou comigo cada vez mais a privilegiar os pormenores que fazem toda uma diferença. Sim. Os antigos materiais, as antigas receitas, as pautas do passado estão a tornar-se cada vez mais menos criativos. Por excelência seriam aqueles amigos mais íntimos, mais próximos, mas acho que ainda tenho o direito a poder dar um toque pessoal reinventando as coisas com alguma imaginação e escolhendo com quem quero celebrar seja o que for.

As receitas querem ser multi-usos. Os materiais pretendem ser multi-funcionais. As pautas assimilam sempre a mesma música. As pessoas esquecem-se do intenso prazer com que se pode viver! Há uma (in) finita possibilidade de hipóteses, resta saber combinar bem as alternativas, bastando apenas mudar este ou aquele ponto, transformar este ou esse acessório, introduzir algum humor e/ou algum amor e seguir.

Não há paciência é para cinismos, aproveitando a época Pascal. Não, é que há pessoal que tem uma lata tamanha que nem se dão conta do ridículo. Cortei, maltinha.

Hey? Hello? Wake up! I'm away on the other side of the way :P

2006/03/24

O Noivo Corno e a Noiva Galdéria


Cenário:

Os corredores do local de trabalho, os elevadores que nos levam de baixo para cima, os balcões de um café onde as pessoas se acotovelam chateadas pelo tempo que está no exterior.

O que há de interesse quando alguém diz: "Bom dia. Bom dia não, mau dia." ? Pode alguém afirmar pela negativa? O facto de estar mau tempo significa que não se deseje um bom dia às pessoas?


Lamento, mas não posso ajudar. Não me dirijam a palavra porque não sei fazer um monólogo a dois.
Será por indiferença ou será por desinteresse? Se me calo, parece que estou a mudar a côr dos meus pulmões. Para preto. A queimá-los. Mas... e se não me calo? Não sei se isto é uma tragédia ou um pecado.

- "Que belo casamento. É pena a vergonha que foi o dia da boda porque o noivo não passa de um corno..."

Será que alguém o pode ajudar? Ou ajudar a galdéria da noiva?


O tempo hoje esteve decididamente sarcástico connosco. De qualquer forma as gotas da chuva caminham vestidas de branco.

2006/03/15

Isaura ou o Maná no Deserto


Há pessoas que se deixam controlar, como se fossem robots expostos de uma forma obscena. Mas a fachada... lá continua... e rígida! Têm esta noção, mas depois deixam-se embrulhar com papel de parede por uma espécie de abraço iluminado ou um beijo afogado.

Devasta e recoloca. Abre a porta: mas, a porta de correr, e prolonga o corredor como se o espaço e o momento permitissem a negação da tua própria inteligência. Tipo "sou o (a) teu (tua) escravo (a)". Qual o motivo? Não há. Sou e pronto.

Agora em vez da banheira quero um roupeiro. E depois quero uma sala em vez de um estábulo. Eu sei: quando quiseres deitar-me para o lixo, eu vou junto com a corrente, pelo cano do esgoto até ser impedido de continuar o caminho, por um qualquer dique holandês.

Como é possível valorizar o original e restaurar o que se degrada? Não será seguramente a subtrair o espaço disponível em favor de outros programas duvidosos: passa por arrumares as ferramentas e dedicar-te à criação de animais.

2006/03/05

Ser e Estar


Verbos parecidos, muitas vezes com o mesmo significado, mas determinadas vezes com uma diferença enorme. Há pessoas que são e que estão. Outras que só são, quase nunca estão. Outras que estão, mas quase nunca são. Contando com outros tempos verbais, podemos imaginar as que foram e estiveram e possivelmente aquelas que nunca foram nada e que nunca estiveram em lado nenhum.

Espaços amorfos, com muito pouca história, alguns complementos pouco estéticos, mas que nunca ganharam personalidade, autonomia ou expressão própria. Objectos resguardados dos olhares, tal como algumas máquinas encastradas nas cozinhas.

O espaço é pequeno, mas foi agradável. As pessoas mínimas, mas funcionais, tais como as máquinas encastradas significam mais espaço e melhor arrumação. Como as pessoas que não estiveram, mas já foram.

Estou cansado, se não se importam.

2006/01/16

A experimentar números


Quando eu amanhã adormecido acordar, vou ainda tentar sonhar que não ligo às questões profissionais, imaginando que os anjos me trazem bifanas e pregos para o almoço e cachorros e arroz doce para o jantar. É só telefonar:

-Está? Já fizeste o que te pedi ontem?
-Sim. Tudo tratado.
-Pois então, destrata porque há opiniões contrárias.

É a aproximação do carnaval que faz com que não levemos a mal determinadas atitudes. Eu vou aparecer vestido de índio ou talvez de homem-aranha porque a elasticidade que esta personagem possui, permite que eu me converta num fiel pagão, semi-pronto para subir ao alto de uma montanha, não para recitar poemas, mas sim para cuspir fogo sobre essa classe, que até as folhas varridas de um outono acabado se riem, mesmo já mortas.

Eu também poderia ser como as putas do SinCity. Sem chaves, à procura de uma lareira para aquecer os pés, sabendo o que fazer sem o terem aprendido na escola. Demasiadas felinas para um único domador.

Dizei-me vós, estranhos colegas, porque está o meu espírito profissional como um jogo de sudoku desde Outubro de 2004? Eu sei a resposta. Nem conseguem sequer perceber as regras do jogo, quanto mais fazer um joguito Nível 1 (Muito fácil). E então, embora experimentar todos os valores possíveis!

É como apanhares um elevador para o último andar e entrarem uns pacóvios que não sabem para onde querem ir e carregam em todos os andares.

Qualquer dia perco a paciência e desmascaro o que de tenebroso existe pelas cabeças pensantes daqueles que supostamente tentam poupar o dinheiro implicitamente pago por 6 milhões de portugueses. Já faltou mais.