
Já há muito tempo que a "Palavra" é algo muito importante para mim. Transmito este meu conceito a muita gente e por diversas vezes expressei-o ao longo deste blog. O que é um facto é que as palavras são muitas vezes traiçoeiras e se escritas de determinadas formas, podem levar a mal-entendidos estranhos.
Hoje à noite, vivi de um prego. Não me apetecia comer mais nada. Numa pastelaria aqui ao pé de casa foi onde se deu o repasto. Ao comer, observava a conversa entre a filha da dona da pastelaria (mais à frente mencionada como "Geba") e uma cliente (mais à frente mencionada como "Falsa Beta"). Não que estivesse a controlar a conversa, mas como havia pouca gente por ali, estava entretido com alguma coisa assim, ao longe.
A conversa supostamente seria sobre "tirar a carta (de condução)". Ao que percebi, Geba anda a preparar-se para fazer exame de condução, estuda na faculdade (pelo que depreendi a estudar Biologia), expressa-se muito mal e é feia. Falsa Beta é médica e parece ter 2 filhos. Estavam as duas numa dialéctica interessantíssima sobre "como conduzir um carro", "eu assim, eu assado", "fiz banco e bateram-me", "como estacionar à esquerda", blá-blá-blá, até que a conversa chegou à expressão "coisar o coiso".
- "Coisar o coiso"? pensava eu enquanto mordia uma tira de bacon. "Esta miúda é mesmo geba. Quando era mais nova já era uma canhona, nem parece ser filha dos pais que tem."
"Coisar o coiso" significava, nesse contexto, "baixar o espelho". Falsa Beta riu-se, pagou e andou. Geba de seguida começou a chatear o empregado brasileiro a perguntar porquê diz ele "abaixar" em vez de "baixar". Eu entretanto já estava com vontade de vomitar o prego.
Agora ando eu cá em frente a este coiso a tentar que este post saia uma coisa de jeito, mas ao mesmo tempo a pensar na Mecânica das Palavras. Geba deveria mudar para o curso de Física.