2006/12/14

Eu Carolina, só que do Porto


[continuação deste post]

Eu, Carolina, sei o que sei e é por isso que numa viagem de carro sentia a minha cabeça muito às voltas. Estava muito em baixo. Eu sei o que sei. Sabia que o Jorginho ia pedir ao major para usar as suas influências. Sorte a do Chelsea's Mourito.

Eu, Carolina, sei o que sei. Aquela gaja que tu encontraste, essa esbanjadora de guita, não iria aturar os teus peidos e lá tinha eu que me poluir com fumo, especialmente em público, a ver se afastava o cheiro.

Eu, Carolina sei, ó se não sabia que era preciso virar o Bexiga do avesso. Lá contratei e paguei € 10000 para lhe darem um sustinho. À pala da minha profissão, tenho muitos contactos no meio do baixo nível a roçar na ghetta. Tenho protecção policial da PJ de Lisboa porque não confio na PJ do Porto. Eu sei o que sei.

Só não sei porque guardava tudo isto comigo. Eu sei o que sei, sei que agora isto já não pesa tanto na minha cabecinha e tu, a única coisa que vais saber é que eu sei o que sei.

Hoje chega a #15 (em audição nesta data): "Turn Into", dos Yeah Yeah Yeahs.

"I know, what I know, I know
This last time around
I'll hear it in my head real low
Turn into
The only thing you ever know

I know, what I know, I know
Ah yes"

2006/12/13

10 gotas de prata


[continuação deste post]

Se de um lado a outro és luz, se o teu ar é um brilho, se os quadros que pintas trazem cores variadas, então é altura de deixar a eternidade iluminar os nossos caminhos.

Eu quero dias de verão, claros e azuis, onde possa ver bem a cor da areia. Eu quero dias de outono, castanhos e cinzentos, onde possa ver bem a cor do vento e das gotas da chuva. Eu quero dias de inverno, brancos e soalheiros, onde possa bem perceber a cor da neve e do gelo. Eu quero dias de primavera, verdes e rosados, para descobrir claramente a cor dos teus olhos.


O que mudou? Nada. Apenas o meu amor cresceu e... um sorriso floresce quando acordo e vejo que nos teus sonhos, os teus brilhantes olhos irradiam e anunciam o nascer do sol.

[Kraakinho saúda a sua nova iluminação em casa]

Hoje chega a #16 (em audição nesta data): "Lightning Blue Eyes", dos Secret Machines, os quais lançaram este ano o álbum 'Ten Silver Drops' o qual merece o prémio "capa do ano".

"'Cause in her dreams she's seen it all
Through a window so far off

Remember watching while her

Lightning blue eyes reflected sunrise


Through the dawn I'd seen it, too

I caught a glimpse I thought was her
And I was overwhelmed
Lightning blue eyes against the daylight
"

2006/12/12

O general Panaché


[continuação deste post]

Chegou a tua hora, infeliz. Fizeste a tua malita? Viste como estava a tua cara, seu ordinário? Lentamente foste chegando ao fim. Pena que haja muitas pessoas que não chegaram ao seu fim da mesma forma que tu, porco. Muitos, directamente ou indirectamente por ti mandados, foram executados subitamente.


Pelo acaso do destino (adoro estas aleatoriedades) bazaste para o outro lado no Dia Internacional dos Direitos Humanos. A maioria do povo chileno deve estar satisfeita, bem como a grande comunidade internacional.

Não terás aqui a tua fotografia, seu boi, terás a de um lutador que, como muitos, tiveram que fugir desse belo país que era o teu. Este post é uma homenagem para todos eles, seu cretino. Alguns desses, conheci eu pessoalmente.


O teu coração já não bate e já não batia como deve ser. Os teus olhos já não vêm; já nada reconheces. Só tenho pena que não tivesses apodrecido na prisão, pulha! Ninguém percebe porque isto não aconteceu. Por razões desconhecidas...

Dedico-te esta música para o teu funeral, seu cara-de-merda. dRIP (don't rest in piece) é o que te desejo.

Hoje chega a #17 (em audição nesta data): "For Reasons Unknown", dos The Killers.

"I flew and flied.
I know if destiny’s kind, I’ve got the rest on my mind.
But my heart, it don’t beat, it don’t beat the way it used to
And my eyes, they don’t see you no more
And my lips, they don’t kiss, they don’t kiss the way they used to,
and my eyes don’t recognize you no more.
For reasons unknown; for reasons unknown."

2006/12/11

Liberto-me?


[continuação deste post]

Se me deito com dores de cabeça, se acordo fraco a necessitar a tua voz e para isso nado no meio das colunas de som que saem da minha cabeça, o melhor a fazer é aumentar o volume. Estando eu mole ou doente ou songa-monga, basta-me ver-te com o teu silêncio ou com o teu barulho para que a minha cabeça melhor fique, nem que seja para se afogar no som que continua a sair das colunas. Deixa-me dançar no interior das tuas e pôr o volume no máximo.
:)

Hoje chega a #18 (em audição nesta data): "Turn It Up", das Robots in Disguise.

"In "Ashes To Ashes" I'm falling falling
In "Ashes To Ashes" I'm losing losing
In "Curl" and "Grazes" I'm feeling feeling
In "Curl" and "Grazes" I'm losing losing

Turn it up turn it up turn it up turn it up
Turn it up turn it up turn it up turn it up
Turn me on!"

2006/12/10

Top 19 - Ano de 2006


Mais uma vez e tal como em 2005, este blog terá uma lista das minhas 19 (sim, 19 - mais uma que no ano passado -) músicas de 2006. As que mais marcaram, as que mais ouvi, as que mais dancei, as que mais senti, as que mais bateram, as que mais cantei e cantarolei. As Mais de 2006, sempre com um pequeno texto tóxico pelo meio.

Levo-te comigo e que esta abundância de pensamentos, varridos por aqui durante 2006 não tenham sido meras palavras. A palavra deve estar sempre presente, bem como a comunicação. As ervas daninhas estarão sempre à nossa volta, mas nada como uma festa onde haja muito vinho para bebermos e que muitas gotas caiam nessas ervas para que fiquem marcadas com a cor da uva. Nem que seja para ir preso. Rendo-me.

Hoje chega a #19 (em audição): "Weed Party", dos Band of Horses.

"so I brought you plenty thoughts
words were at a loss
it's a good day to skip because
the party is gonna call
the wine is there to keep yourself
but don't you ever listen at all
"

2006/12/09

A Bilha


A particularidade com que um idioma se propõe a ter uma única palavra com significados diferentes (sem entrarmos nos meandros do calão), é diabólica, mas felizmente tende para um número finito de significados.

Depois do famoso e pouco realista anúncio da Galp (a miúda do gás), pergunto: se uma bilha é um jarro de barro onde normalmente se põe água, como é que o meu coração pode ter mais energia por esta bilha de gás? Ou de gases.

2006/12/06

Agent Kraak Bauer


... e na sequência do post anterior, naum me incomodem nos próximos 50 minutos, por favor. Kraak Bauer está ocupado.

2006/12/04

Depois da série 24, chega a série 26


Os produtores e autores da série norte-americana "24", para além da inspiração doméstica que tiveram, devem também ter ido buscar algumas ideias nos seus parceiros internacionais, nomeadamente aqui pela Lusitânia.

26 anos após a morte de Francisco Sá Carneiro e do então Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, bem como de outras pessoas que iam naquele famigerado Cessna, o enredo desta trama é hilariante, mesmo digno de uma temporada da série 24.


A trama: um, que já confessou o seu envolvimento no acidente em 1982 (!!), era operacional da rede bombista de extrema-direita. Terá sido ele quem armadilhou a bomba. Outro, um tal major, parece que forneceu a bomba através dos contactos da sua mulher com os serviços de espionagem britânicos a qual foi a responsável pelo transporte da mesma. Houve um quarto que pôs o engenho explosivo no avião. Isto é que é uma cadeia logística!

Tudo isto porque parece que o alvo seria o então Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa e não propriamente Sá Carneiro. Segundo li, Adelino Amaro da Costa estava prestes a descobrir uma rede de tráfico de armas que envolvia os Estados Unidos como principal fornecedor de armamentos destinados à guerra entre o Irão e o Iraque, do qual o tal major e muitos outros teriam muitos lucros. Tudo financiado pelo chamado "Fundo do Ultramar".


Desculpem, mas isto mete nojo. Num acidente em que morreram pessoas, quer sejam políticos ou meros cidadãos, fala-se de um histórico acidente, com consequências políticas e humanas. 26 anos passados, tudo continua na mesma. Ridículo.

A diferença entre isto e o 24 é que a série se desenrola toda num dia. Esta passa-se em 26 anos.

Saudades que eu tenho de brincar às escondidas... "Get down on the floor!"

2006/12/02

Domínio


Estando eu no século XXI, pensava eu que a humanidade já teria razoavelmente assimilado que a Idade Média já teria sido ultrapassada. Parece que não é bem assim.

Custa-me ver que ainda há (muita?) gente que precisa de adubo para fortalecer raízes, mesmo julgando que não. Essa maltinha que age como um verdadeiro cavaleiro (amazona) do passado, nem sequer armadura tem nem montar a cavalo sabe. Sejam felizes e continuem a acreditar que são, ok?

É como comprares uma viagem de avião e no fim dizerem: "O seu bilhete-prémio entre Londres e Hamburgo custa € 115,02."

Tantastic
!

2006/12/01

Feel More Awake

Uma vez mais fica aqui uma palavra amiga neste dia tão importante consagrado ao HIV/Sida. Como o optimismo deve ser visto de uma forma clara, este ano quero dedicar este clip a todos os afectados e infectados por este vírus que anda de mãos dadas com os laboratórios das riquíssimas farmacêuticas mundiais: "We Gathered In Spring" do álbum 'The Trials Of Van Occupanther' dos Midlake.




Repito as minhas palavras de 1 Dez '05:

"Tal como um grande frigorífico, quero ainda conservar alguns valores, como o da solidariedade, impedindo com o gelo que o este sentimento se transforme em estagnação e quero, ao mesmo tempo, também ser como um enorme forno para agasalhar com calor todos os que se sentem sem carinho.
Eu permaneço com o meu coração e o meu rosto harmonicamente afinados, como duas notas de piano que tocam a mesma canção. Estas palavras que hoje aqui deixo quero que sejam puras, verdadeiras e adultas. Que todos nós possamos ter um coração amadurecido, verdadeiro e autêntico. Sem discriminações."

Video Credits: worldsfair @ youtube.com

2006/11/30

Roscoe (pelos Midlake)

Uma delícia de clip para uma das músicas de 2006: "Roscoe" do álbum 'The Trials Of Van Occupanther' dos Midlake. Sim, a música que teve, não se sabe bem como, mais de 100,000 downloads num curto espaço de tempo. Sinal que as pessoas começam a mudar os seus ouvidos.


Video Credits: worldsfair @ youtube.com

2006/11/28

We Will Kick Your Ears


Num determinado sábado do próximo mês tudo será diferente pelo Bairro Alto, e como a MÚSICA pode embebedar mais que o próprio vinho, informo que estes 5 Magníficos (Extravaganza, Myself, Mr. S, O Puto e Eu) tornaremos mais clara a água que vos daremos para ouvir. Todos os 5 (quem é que não leu "Os 5"?) estaremos numa DJ-Session, "Blogger's Site Club", dia 16 Dez '06, a partir das 23 hs, no Bar do Bairro, Rua da Rosa nº 255.

O amor da música demorada.

Mais informações, como habitualmente, no blog de desdobramento, Kraak FM <'+++<.


Apareçam! :)

2006/11/27

"Queria de ti um país de bondade e de bruma..."



"... queria de ti um mar de uma rosa de espuma."

Mário Cesariny, uma das maiores figuras do surrealismo português, melhor afirmado como artista no mundo da poesia do que propriamente no mundo da pintura, já não está neste mundo connosco. Ele que afirmava que ser surrealista "não significava pintar um porco de patas para o ar", deixou-nos um grande espólio cultural que importa aqui registar.

Com base nas suas palavras, gostaria de acrescentar que num mundo onde hoje já quase ninguém lê poesia, há muita gente que ainda gosta de ler grandes clássicos da literatura. Será isto surrealista? Talvez. Não sei. Só sei que a poesia pode estar dispersa pelos mais variados espaços: quer num artigo técnico de um qualquer jornal quer mesmo na própria música rock. Por exemplo, se determinados compositores compõem canções e letras dirigidas para os jovens, tentando de alguma forma passar a imagem de como a malta mais nova vê e sente o mundo, será que isto não é considerado poesia?

Regista-se aqui um dos poemas mais belos de Mário Cesariny, talvez aquele que mais se identifica comigo.

ESTAÇÃO

"Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te

vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver
se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me,
pois chove miudinho


Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci

embora bem procurado entre os mais que passavam.

Se algum de nós vier hoje
é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça."

Belo, não?

"De outras, esperei-me eu e não apareci."

Para mim, a tua estrela aparecerá sempre a brilhar neste céu imenso...

2006/11/25

Touring Indie Randomly


Para quem estiver interessado, aqui se encontra a tracklist da Noite "Touring Indie Randomly", do passado dia 24 Nov '06.

2006/11/21

O Marinheiro Que Constrói Monumentos


Isto hoje está mal para sacar coisas da cabeça... porque neste quotidiano há sempre tanta coisa a fazer ao longo do dia que muitas vezes esquecemos da importância que não damos a nós próprios. Contudo, em nosso detrimento, os amigos imperam.

... e para um amigo especial, o mundo gira, é verdade (cliché), mas sem nos darmos conta, as pedras das calçadas lá continuam, não caem. Estas, cortadas especialmente para ti, com a sua irregularidade por vezes desconfortável, têm a vantagem de, por vezes, elevar os caminhantes, conjunto do qual fazes parte. Ao longo dessa tua caminhada, pensas e planeias uma cidade de monumentos que poderias construir nesse pequeno espaço.


Tu exausto? Não! Planeias e constróis esses símbolos e mais tarde regressas e verificas que naquele mosaico impresso num passeio irregular, tu próprio te podes pôr mais alto para apreciar que tudo o que imaginaste coube naquele espaço, como se de um exame se tratasse. Uma criatividade que nem a chuva deste outono a faz deslizar.

Neste dia tão especial para ti, acredita que é bom ter a certeza que pessoas como tu existem (isto parece frase feita, LoL).

-> Toda esta conversa só para dizer "Feliz Aniversário, Monguita!"
:)

2006/11/20

Um camião TIR Indie

[PROMO]

Kraak em mais uma Indie Session, "Touring Indie Randomly", na próxima 6ª feira, dia 24.11, no Bar Agito, Rua da Rosa, nº 261 (Bairro Alto-Lisboa). A partir das 22h00 e até às 2h00, para quem quiser.

Mais informações no blog de desdobramento, Kraak FM <'+++<.

2006/11/19

Peixes e Cavaleiros


Divagas... longe, pelo teu mundo, por uma terra por mim (ainda) desconhecida na globalidade, o que me faz, parcialmente, andar à deriva pelo meu mar, este meu conhecido, embora também de uma forma limitada. Por fim, com algumas formas irregulares, encontras-te devagarinho, emerges das raízes da terra como se da força de um arbusto se tratasse e eu começo a voltar a navegar pelos rios nas suas cores mais diversas, fruto dos sedimentos acumulados ao longo dos seus leitos. Recuperas assim o teu leito na praia onde o teu corpo repousa como uma criança.

Não quero estar calado para ouvir as pegadas do teu resurgimento. Quero é tremer com esta alegria de palavras demoradas, sílaba por sílaba, ditongo por ditongo, frase por frase. Como um poema que me acompanha. A palavra não pode morrer. Este é o nosso alimento.

Eu tenho um nome e algumas alcunhas. Tu tens vários nomes por mim criados. Não sou nenhum artista nem quero distorcer o mundo com o que escrevo, quer seja verdade ou ficção. Não sou nenhum filho zorro produto deste mundo católico que age como uma verdadeira empresa de aparências. Kraak, para os mais chegados: filho do silêncio, herdeiro de uma infância curta, um gajo por vezes cruel e frio a viajar pelas rochas negras submersas. Peixinho, para os mais sonhadores, aquele que dança pelo avesso, que busca a candura de um verão adolescente e que não quer perder a vida pela perfeição do mundo, mas que sai de balde e esfregona para lavar as ruas das cidades por onde passa.

Kraak ou Peixinho: sempre com a palavra presente. A saltar de uma prancha e a mergulhar no mar do dia, sendo obrigado a regressar ao seu habitat natural, nem que seja para respirar.

[ inspirado nas palavras de Sophia de Mello Breyner, que apesar de já não existir em terra, obriga-me, durante a noite a regressar ao mar na sua companhia. ]

2006/11/16

Desabafa Comigo: Hoje, Os Porcos


Kraak, diz-me uma cena: Quando é que vais parar de nos oferecer pérolas? Sabes, é que não estamos habituados a isso, pá! Controla-te!

2006/11/13

Paixaum >+++'> Com Abelhas Químicas


[INFO]

Para quem se interessa por Música, Kraak hoje (em directo), entre as 20hs e as 22hs, como convidado do Programa
O Pastor de Abelhas, na Química FM, 105.4 MHz.

2006/11/12

Bolacha! Espalha o vento!


Neste infinito oceano onde muitos habitam, em particular tu, eu e mais alguns felizardos, o dia de hoje é um dia para que toda a espuma do mar brote das pétalas das flores que se encontram nas tuas mãos. Fecha os olhos, aponta para um dia no calendário e pensa que o teu barco tem um destino. O barco pode ir ou não completo: com homens, com filhos errantes, com mulheres lendárias, com água, com corpos, com pescadores. O importante é que ele siga com luz.

Não. Eu não te quero reconhecer pelo teu choro nem pelo teu silêncio, mas sim pelo teu canto (não penses que és a Sereia de Copenhaga :P). Deixa-me oferecer-te este presente o qual já o tens fisicamente presente, porém não ainda classificado na tua mente. Ouve "Happy Birthday To Me (Feb. 15)" dos Bright Eyes. Tu sabes onde encontrares.

"Yeah, some things just can't wait."
Parabéns!

2006/11/09

Hairgazing

Nestes tempos hiper-tecnológicos, já cheguei à conclusão que o futuro não é virtualmente limitado.

Só queria informar que cortei o cabelo na semana passada, não sou fã dos Cure, gosto de meia de leite logo pela manhã, não tenciono mudar-me para a China, gostaria de deixar de fumar, não posso com o Alberto João (mas quem é que pode?), não concordo que o álbum de Bob Dylan seja o álbum do ano de 2006, detesto Gnarls Barkley (há meses atrás eu avisei - agora é ouvi-los de 10 em 10 minutos nas RFM's da vida, com o enjôo de "Crazy" - previsível), não há pachorra para o Justin Timberlake que para além de cantor (?) e actor (?), agora também é estilista de moda (!!) ... agora esperar quase 42 anos para ver isto... LoL!


"É precisamente nestes momentos que sentimos necessidade de nadar no interior de um novo mundo." (Por Funk, Chris dos The Decemberists).

Dá-me aí uma cerveja para acompanhar o pequeno-almoço. Stout, de preferência. Na Rua da Madalena, em Lisboa.

2006/11/08

Sarrabulho


Se o deserto é circular, se as paredes são negras, se as lacunas estão rabiscadas, se a pop, tal como Marte ataca, se o soalho não é o meu altar, se os anjos não têm cores, se o camionista faz puzzles enquanto o colega mata a luz, se o meu cão corre de olhos fechados, se o espelho reflecte a minha febre, se a minha mente não cabe numa concha, então o melhor a fazer é abençoar este sangue.

## Marte não ataca, volta.

2006/11/06

62

Respondendo ao desafio do Lifechaser, mas sem compreender muito bem qual a ideia do tema e para não dizer que sou um "corte", aqui enumero 6 temas com 6 características. Não sei se era para falar de 6 características minhas ou o que seja, mas de qualquer forma, respondi como bem me apeteceu. LoL.

6 Músicas que me perseguem: Ten Thousand Lines (Electric President), Steady Rollin' (Two Gallants), Love Like Semtex (Infadels), Abel (The National), São Paulo (Guillemots) e Same Ghost Every Night (Wolf Parade);

6 Álbuns que me põem a pensar: Alligator (The National), We Are Not The Infadels (Infadels), Apologies to the Queen Mary (Wolf Parade), The Trials of Van Occupanther (Midlake), Accidents Occur Whilst Sleeping (Lupen Crook), Feeding the Machine (X-Wife);

6 Percursos ferroviários formidáveis: Genebra-Berna, Tua-Mirandela, Creel-Los Mochis, Milão-Zurique, Casablanca-Marrakech e Chur-Pontresina;

6 Viagens de avião para esquecer: Genebra-Lisboa, Barcelona-Lisboa, Roma-Lisboa, Atenas-Milão, Rio de Janeiro-Lisboa, Lisboa-Funchal;

6 Cidades: Lisboa, Porto, Dublin, Amesterdão, Marrakech e Roma;

6 Cães: Brac, Talgo, Golfinho, Miró, Brigi e Foxy.

NÃO VOU ter a coragem de passar isto a ninguém. Haha! Quem quiser agarrar este desafio que me diga e siga!

2006/11/05

Assim... Tal E Qual o Mel


Passei e gozei algumas horas e nem por um único minuto deixava de pensar em ti. No meu tempo ocupado, para além do que te ofereci indirectamente, só gostaria de te ter oferecido flores.

Muitas.

Assim, tal como as abelhas, beberia do seu mel, do mel (já) espalhado pelo teu corpo. O jardim do teu corpo. O teu corpo em formato de flor.

O tempo foi curto, o tempo tem sido cada vez mais curto, mas foram algumas horas muito queridas enquanto duravam. Quando nos separámos, cada um tinha a sua cumplicidade que só as nossas almas merecem saber. Aí, onde reside o meu coração, eu guardo tudo isso. Mesmo que tudo perdesse, a tua imagem, essa noite e as flores permanecerão sempre visíveis na minha consciência.


[ Adaptação livre inspirada no poema de Guido Gezelle, "Die avond en die roze" ("Aquela noite e aquela rosa"), provocada pela fotografia do post "Uma Fotografia Por Dia... Nº 588", no blog do Mfc. ]

[ photo credits: Filipdebont ]

2006/11/01

Um KIR Royal

[PROMO]



Kraak em mais uma Indie Session, "K.I.R. Royal", dia 4.11, no Alto Bar, Travessa dos Fiéis de Deus, nº 33 (Bairro Alto-Lisboa). A partir das 23h00 e até às 2h00, para quem quiser.


Mais informações no blog de desdobramento, Kraak FM <'+++<.

2006/10/31

Open Track


Hoje, ao longo de toda esta Linha, é dia de cantões livres, nenhum cruzamento, nenhum atravessamento e nenhuma divergência. Tudo a convergir para um canal sem restrições. Que muitos mais slots apareçam!

2006/10/30

Humidade nos Meus Olhos


Sento-me à porta de casa e olho para a noite. Observo as folhas caídas que cobrem um pouco do teu espaço. Nestes momentos de reflexão, olho para ti e sinto a partilha do meu tempo. Dói-me a cabeça, acendo um cigarro, passa uma mulher por mim, e vejo que nas minhas costas, através de um espelho invisível, ela levanta o seu vestido. Surpreendido fico e reparo o quanto já crescemos, o quanto somos grandes, o quanto não teremos vivido, mas sem ter a certeza se as nossas vidas não se terão apagado. A minha, a tua e a dela.

Dia após dia, noite após noite, procuro por algo certo, caio no desespero, cheiro a veneno, sujo-me de ti e fico sem travões durante segundos. Não sei porquê. Sinto a falta da chuva... talvez ela possa impedir-me de decidir seja o que for. Se as nuvens choram, não vou querer eu também mais águas pluviais por atitudes desnecessárias. Não és uma flor de plástico. Não. Não apago a tua vida mesmo à frente dos meus olhos.

De qualquer forma, eu e tu sabemos que estamos perdidos. Estamos ambos em Nenhures. Perdidos Algures. Talvez amanhã esteja melhor, com muitas cores reflectidas no meu mar as quais irão provocar uma chuva que me impeça de seguir.

Vou aumentar o volume do leitor. Não me olhes desta forma surpreendido. Ainda tenho as chaves de casa. Agora, ris-te.

Arquivo Recuperado: Reportagem Fotográfica-CP





photos by Kraak/Peixinho @ Docas de Alcântara, 29 Out '06.

2006/10/28

Arquivo Recuperado: "No Trains to Sines"



No último verão, aproveitei para fazer algumas visitas ferroviárias pela zona onde andava em férias. É curioso que neste dia 28, quando se comemoram os 150 anos dos caminhos-de-ferro em Portugal, haja cidades que já tiveram o seu comboio à porta, mas que nos tempos que correm, já não o têm. É o caso de Sines: toda a envolvente à volta da estação foi arranjado o que torna de facto o espaço bastante agradável, mas pergunto: uma estação no centro de Sines sem infra-estrutura e consequentemente sem comboios? Só resta o Edifício de Passageiros? Com a modernização da Linha de Sines negaram o acesso ferroviário à cidade. O resultado está à vista. Dista cerca de 2 km da via modernizada.

Dois estrangeiros que também andavam por ali perguntaram-me: "why don't you have trains to Sines?" Pois... boa pergunta.

2006/10/27

Arquivo Recuperado: 150 Anos do Caminho-de-Ferro em Portugal


Comemoram-se amanhã os 150 anos do Caminho-de-Ferro em Portugal. Muito se fez ao longo de todos estes anos e muito ficou por fazer. Talvez mais por fazer do que o que se fez. À parte estas discussões, por vezes inúteis, há que olhar para a frente e acompanhar a tendência da modernidade presente noutras Redes Ferroviárias, abstraindo-nos dos equívocos do passado.

Amanhã ficaremos todos a saber qual a estratégia para o Sector Ferroviário Nacional, apesar de já hoje ter sido levantada a ponta do véu, em notícia veiculada pelo Jornal Público.

...E também é amanhã que será inaugurada uma Mostra Ferroviária (material circulante) e uma Exposição sobre os 150 anos do Caminho-de-Ferro. A Mostra só terá lugar amanhã, a partir das 15hs, e até as 18hs do dia 29 Out '06. A Exposição até 12 Nov '06. O local escolhido foi a Zona das Docas de Alcântara, em Lisboa.


Aproveito a ocasião para divulgar um blog especial desenvolvido pelo Sapo, relativo às comemorações: 150 Anos.

Mais informações, consultar o site da CP.

[ image credits: CP ]

2006/10/24

Pode Ser Revestido a Palha


Subodh Gupta, um escultor indiano que utiliza objectos comuns da sociedade indiana, em especial, peças de cozinha, expôs no passado dia 7 Out '06 um dos seus trabalhos em Paris, inserido no Evento Nuit Blanche.

É conhecido pelo contraste que faz entre a modernidade e o passado. Um belíssimo e criativo trabalho, na minha opinião.

Agora que se aproximam as festividades natalícias e os respectivos folhetins das luzinhas de Natal e da maior árvore de Natal do mundo, vou sugerir a qualquer entidade independente que construa o maior crâneo do mundo, ou pelo menos da Europa, e que deixem o original na sede do Millenium BCP e uma cópia 15 dias à porta de uma estação de televisão qualquer (pode ser a TVI) e outros 15 dias à porta da Câmara Municipal de Lisboa.

A passagem de ano pode ser em São Bento e o dia de Reis à entrada do Continente da Amadora, com a Floribella a dar autógrafos. Depois disto pode ser oferecido ao Presidente da Câmara Municipal do Porto.

[ photo/image credits: Galerie In Situ (Fabienne Leclerc), Paris (FR), via Nuit Blanche ]

2006/10/22

As Rochas Invisíveis do Fundo do Mar


Se todos sabemos que o mau tempo agita o céu, para quê esperar pelas ondas que transformam o mar em algo que nada se parece como um cruzeiro de núpcias?

Se o perigo espreita, se o homem do leme alerta, se o vigia da proa comenta, não será altura para desviar o navio?
Sem mais esperas, tal como os ratos, abandonar o barco, fugir, nadar, nadar muito, até alguma praia, algum ilhéu, algum refúgio.

O comandante, este, normalmente afunda-se com o navio. Com ou sem lágrimas. Como uma pedra. Sem mais comentários...

2006/10/20

Clareza


O que sou eu se algumas horas do dia, alguns minutos da hora nada são?
Ninguém se importaria... porque estou aqui com paixão. Neste mundo.

O que pode ser o Mundo?
Uma alcatifa ou uma secretária? Um CD-R ou uma pista de dança?


Comboios em movimento, comboios que páram ao longo da via à espera de socorro. O meu comboio move-se.

Livre para rir e chorar,
toda esta viagem saborear,
continuar a circular,
até ao alto da montanha que as ondas me ajudam a escalar.

Sem prescrição médica, sou apenas uns segundos do dia.

Está aí alguém a tocar à porta?

2006/10/16

Coisas de Sócios


"dia 12 é hoje!

não tinhamos combinado almoçar hoje?
tou fdda ctg

não atendes o telele
não vês a msg,
não sabes que dia é hoje


alzeimer"

[ I need a rest. ]

2006/10/15

Paixaum >+++'> Indie


Kraak em mais uma sessão indie, "Indie Ride", dia 19.10, no Bar Agito, Rua da Rosa nº 261. A partir das 22h00 e até às 2h00, para quem quiser.

Desta vez, há músicas pedidas, :D, depois do crivo da censura, é claro. :P

Mais informações e temas a pedir, aqui ao lado, no blog de desdobramento, Kraak FM <'+++<.

2006/10/14

Post em Branco

BEGIN

















END.

2006/10/13

A Verdade Incomoda



Se a verdade incomoda muita gente em vários aspectos da nossa vida social, não é menos verdade que o documentário em exibição "Uma Verdade Inconveniente" (Davis Guggenheim) também parece incomodar muita gente por este mundo bem como parece passar ao lado de uma outra série de gente espalhada pelo globo.

Incomoda porque o tema em si não é muito pacífico e atenta contra os poderes de algumas pessoas bem instaladas. Por outro lado também incomoda porque, além das qualidades do documentário (estas não incomodam!) o documentário peca pela tentativa de detenção da verdade absoluta e possivelmente alguma falta de modestia.

Sendo o ex-futuro presidente dos US, Al Gore, a estrela principal do filme, por vezes tudo o que se vê parece querer tirar um certo proveito e protagonismo político para a continuação da sua carreira, o que pode parecer a venda da banha da cobra.


O documentário não é mais do que a exibição de uma conferência sobre as grandes mudanças climáticas na Terra que Al Gore tem andado a fazer por todo o mundo (embora pelo meio haja umas idas ao passado da própria vida pessoal de Al Gore). Verdade seja dita que o faz de uma forma talentosa. Não sei é se na sua vida prática também, de uma forma talentosa, contribui para as melhorias que tanto insiste.

Abstracção dos inconvenientes citados, o documentário tem todo o mérito. É preciso cada vez mais tomarmos consciência do que todos nós estamos a fazer para todas estas alterações e por tudo aquilo que não temos feito para evitar o descalabro para onde caminhamos. Não é do futuro do planeta Terra que falamos, mas sim do nosso futuro e das gerações vindouras. A Terra vai durar ainda muitos e muitos milhares de anos.

O que tens feito?

"Uma Verdade Inconveniente" em exibição em várias salas de cinema.

2006/10/09

A Mobilidade dos Carrinhos de Compras


Se a mentalidade é baixa, como é possível viabilizar a sobrevivência da nossa espécie lusa? Com "um discurso analfabeto" (está entre aspas porque a expressão é de um amigo meu), ontem à tarde consegui perceber a mobilidade dos carrinhos de compras no Intermarché (sim, fui ao Intermarché :P). Espantoso quando o meu carrinho de compras, vazio, estacionado numa determinada secção durante uns míseros 15 segundos, se preparava para ser atacado para regressar à secção exterior e assim, os meus € 0,50 irem parar aos bolsos do bimbo que planeava a operação de mobilidade.

E não. Não eram russos nem romenos nem brasileiros nem africanos. Era mesmo um daqueles 'tugas de gema, vindo do interior esquecido, ostracisado e isolado.

Problema mental? Para a próxima convido-o para um café especial.

Arquivo Recuperado: Túnel do Rossio

2006/10/05

Sociedade utópica


As pessoas têm pensamentos horríveis, eu incluído na lista. A questão é que na maior parte das vezes, esse lado mais escuro não é delas próprias mas de outras pessoas. Não sei se isto não será uma forma negativa de ser e até acredito que algumas pensem: "Não, eu agora tenho que ser mais decente com as pessoas", o que pode parecer um pouco patético.

O mais curioso é quando as pessoas pensam e dizem coisas "horríveis" e julgam estar a ser agradáveis. Mas que seca! Esta gente já cheira mal. Provincianas. "Baza daqui e vai ser simpática com outro gajo qualquer."

Ontem disseram-me que eu parecia um garoto (fiquei bastante satisfeito) e que não podia ser (fiquei bastante furioso). É preciso aparentar a idade que tenho. A cabra, por outro lado, aparenta ter mais 10 anos que a verdadeira idade que tem registado no BI.


Por estas e por outras que curto a madrasta e as meias-irmãs da Cinderela, a bruxa que quer envenenar a Branca de Neve, o lobo mau que se disfarça de avózinha do Capuchinho Vermelho, o Coiote e o Tom.

2006/10/03

Mediocridade e Cinismo


Lembro-me de um tempo em que quando se apagavam as luzes, eu tinha medo. Não sei se tenho ou não saudades dessa época. Época onde a inocência dos fantasmas e das bruxas arrancava a pele dos meus ossos sem eu saber que festa era essa ou em qual dos canais de televisão tal ocorria.

Agora tenho medo de algumas luzes que se acendem: aquelas em que não acredito no que se passa à minha volta, as que me causam transtorno mental, as que me causam vómitos políticos, as que não iluminam seguramente o meu quotidiano profissional.

O melhor é pôr o tempo presente de lado e, antes que a mediocridade e o cinismo cheguem com um atraso inferior a 15 minutos, sugerir àqueles que acendem as luzes que efectivamente assustam, que escalem a sua chaminé do sucesso dentro da sua própria caixinha de plástico da loja dos 300, pois os monstros não estão no céu nem descem da montanha até ao povo: já cá estão e não voltam para onde vieram.

Gente assim não deveria sequer tirar os sapatos. Apesar da classe (social) que julgam ter ou fingem ter, devem ainda pensar nos tempos em que as luzes estavam apagadas e divertiam-se a mandar peidos.

Em breve surgirá um novo comboio InterCidades que nos leva da Mediocridade para o Cinismo.

2006/10/01

Aniversário do Pai Kraak


Se estava escrito na tua face aquilo que existia na minha mente, acredita que há muitas outras questões que um dia irás responder-me. Mas de certeza que neste teu dia, nos teus 65 anos, eu estava por aí como um satélite, a girar à tua volta, sem que desses conta, tal como a lua que gravita à volta deste planeta.

Com uma rota por definir, aguardo pelo dia em que iremos caminhar os dois centenas de metros, até que o sol desapareça, e no escuro da noite, no silêncio da cidade, as estrelas ajudarão a que todas essas coisas fluam de ti.


Espero que tenhas tido um dia feliz.

Está soletrado na tua voz. Está escrito na tua face.

Amo-te!

2006/09/24

Paixaum >+++'> Espontâneo


Sábado. Noite. Uma estrada que atravessa várias florestas, que cruza alguns campos e que ultrapassa alguns animais. Ela que se encontra com faróis de outros automóveis que iluminam o meu cérebro. Segredos de uma estrada que conserva sangue, acidentes, animais mortos, desejos de homens e mulheres e uma infinidade de curiosidades ao longo de muitos e muitos anos.

Na realidade foi uma viagem tranquila. Nada que se pareça com 'Lost Highway' no universo David Lynch. Eu é que ao longo da rota, imaginava os diálogos e a narrativa que aquela estrada regional poderia ter para contar.

Tudo isto para chegar ao impacto final da poesia, da música e das artes na
Associação Espontânea, uma Associação Cultural e Recreativa do meu amigo Puto a qual tem uma programação bastante interessante bem como um pessoal bastante voluntarioso e simpático.

Se passarem por Vila Real, saltem até ao Palacete de São Pedro, no Largo dos Bombeiros Voluntários. Vale bem a pena! Nem que seja apenas para tomar um copo ao som da excelente música presente na valise do Puto.

Kraakinho de volta. Viva a Rentrée!

[ photo by Kraak/Peixinho @ Vila Real, 23 Set '06 ]

2006/09/11

Paixaum >+++'> Under The Sea


O Paixaum >+++'> encontra-se encerrado para Férias. O seu dono regressa entretanto a 21.09 para uma Sessão ToKIL-Towards Kraak Indie Lines, em pleno Bairro Alto, mais concretamente, no Bar Agito, Rua da Rosa 261. A partir das 22h00 e até às 2h00, para quem quiser.

Até breve!

2006/09/07

O Interior do Colchão (sem guita)


Se algumas vezes, por me encontrar esparramado no colchão, quero dali fugir, é porque acho que não mereço tal descanso, é porque, em antítese, começo a caminhar por uma auto-estrada sem fim onde a minha respiração deixa de ter ritmo, é porque penso em árvores já secas com galhos mortos, é porque tenho que me sentir vivo com o meu coração em fogo.

Se sou filho do meu próprio pai, até poderia ser filho de um drogado e de uma puta, não importa. No meio dos extremos quero ainda ter voz para anunciar o que se adquire e ter a transparência de saber que cedo me tornei tardio.
A vantagem é pensar que se sabe (quase que) a priori que a realidade não muda: ela continua a ser a mesma. Vejo-a é de uma maneira distinta.

Com certeza que o colchão não serve apenas para dormir.

2006/09/05

O Meu Não Se Gasta


Como uma daquelas linhas directas, uma síntese clara e rápida feita por esta menina: "É para ti. Não te ofereci nada no teu aniversário."

Há muita gente que se cruza, gente esta vinda de vários mundos, com várias roupas diferentes e com culturas diversas. Mas o que importa é que o recitador entoa a veêmencia nua da palavra. [Adaptado de "Tripoli 76" in "O Nome das Coisas" de Andresen, Sophia de Mello Breyner]

Obrigado pelo presente. Espero nunca vir a deixar de falar por palavras e por gestos. (pág. #23, linha #5)

2006/09/03

O Tapete


Mesmo com cores vibrantes ou sem qualquer colorido em especial, é difícil que algum tapete cá em casa não fique descaracterizado. Perícia e largas à imaginação não faltam ao meu cão Brac. Qual esquadria, qual pintura, qual tecido, qual efeito... Os efeitos, consegue ele criar com as pinceladas especiais que marcam a superfície do tapete... uma harmonia de cheiros e cores fantástica! Há várias tonalidades: umas mais escuras, outras mais claras e algumas outras mais personalizadas.

A palavra 'tapete' é curiosa. Há quem ponha os pés em cima do tapete, há quem durma no tapete (huh! isto é o que mais há, LOL), há quem coma no tapete e há quem tenha fetiches por tapetes. É o caso do Brac.


Diz-me onde estou, mesmo quando estou a dormir.